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 28ago 

Instituto Schwanke traz o mestre da arte conceitual para Joinville

 

Palestra com o artista internacional comemora os dez anos de fundação da entidade

 

Joinville recebe um dos mitos da história da arte. O norte-americano Joseph Kosuth deixa Londres para participar de um encontro memorável na maior cidade catarinense com pesquisadores, agentes e amantes das artes plásticas, em comemoração aos dez anos de criação do Instituto Luiz Henrique Schwanke. A conferência, neste dia 29 de agosto, a partir das 19 horas, no Teatro Juarez Machado, abre uma série de seis encontros previstos em projeto cultural aprovado pelo Mecenato de 2012, do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec), de Joinville. O encontro com Kosuth será mediado pelo historiador da arte e curador Josué Mattos, doutorando em Teoria da Modernidade pela UFSC e Université Paris-Ouest.

 

“Pioneiro, mestre, artista experimental dos mais importantes, a presença de Kosuth marca a celebração em torno de um trabalho de dez anos em favor do desenvolvimento cultural de Joinville e nos ajudará a pensar a arte conceitual no século 21, abrindo um outro campo de reflexão sobre a produção de Schwanke”, sublinha a jornalista Néri Pedroso, presidente do instituto, proponente do projeto. “Arte Conceitual: Realidade e Consistência” tem como principal objetivo a promoção de espaços, de âmbito nacional e internacional, voltados a reflexões sobre conceitos teóricos e a produção decorrente na arte contemporânea, dando continuidade às ações de fomento neste universo, desenvolvidas pelo instituto Schwanke desde outubro de 2003.

 

Joseph Kosuth participou de cinco edições da Documenta (Alemanha) e de quatro Bienais de Veneza, duas das principais exposições de arte internacional. Esteve no Brasil em 2010, quando expôs na Bienal de São Paulo. Agora, retorna como convidado da entidade que zela pela memória e acervo de Luiz Henrique Schwanke (1951-1992).

 

A iniciativa, que conta com o apoio de Döhler, B+Store, Mercado de Comunicação, Tucanaré, Vipturismo, Teatro Juarez Machado e Bourbon Hotéis e Resort, atraiu o interesse de pesquisadores de diferentes locais do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Curitiba e diferentes cidades catarinenses.

 

 

 

Assessoria de imprensa: Mercado de Comunicação.

Jornalista responsável: Guilherme Diefenthaeler (reg. prof. 6207/RS).

Texto: Fernanda Lange (reg.prof. 3633/SC.) Tel (47) 3025-5999   

 

 

 

O Instituto e o Museu de Arte Contemporânea – MAC Schwanke

 

Com sede em Joinville/SC, o Instituto Luiz Henrique Schwanke é uma entidade privada sem fins lucrativos e de natureza cultural, fundada em outubro de 2003 para gerenciar a criação do Museu de Arte Contemporânea Luiz Henrique Schwanke, o MAC-Schwanke, cujo projeto arquitetônico está finalizado e agora em fase de precificação. O artista homenageado pelo instituto morreu em 1992, aos 40 anos. Considerado um dos expoentes da arte brasileira no século 20, ele estudou comunicação e se destacou como nome conectado ao movimento artístico internacional, criador de mais de cinco mil obras.

 

Tudo começou com a criação do Museu de Arte Contemporânea Luiz Henrique Schwanke, constituído em 2002, a partir de um embate entre a gestão pública e os artistas que discordaram da ideia de denominar o Museu de Arte de Joinville com o nome do artista joinvilense. Um ano depois, surge o instituto mantenedor. Entidade privada, sem fins lucrativos, de utilidade pública municipal e estadual

 

A diretoria está envolvida com duas grandes iniciativas: o encaminhamento do projeto do primeiro museu de arte contemporânea de Santa Catarina para o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e Ministério da Cultura (MinC) e a primeira ação com um convidado internacional, a palestra com  o mestre da arte conceitual, o americano Joseph Kosuth.

 

Fruto do desejo de um espaço voltado para a produção contemporânea, o MAC Schwanke é o equipamento âncora da Cidadela Antarctica, onde ocorrem outras iniciativas, como as realizadas pela Associação de Artistas Plásticos de Joinville (Aaplaj) e Associação Joinvilense de Teatro (Ajote). Filiado ao Ibram/MinC, desde a sua criação o MAC Schwanke mantém ações permanentes.

 

Idealizado por Reinhard Conrads, o projeto arquitetônico garante a estabilidade entre o existente e a contemporaneidade. A concepção museológica abarca restauração e ampliação. Uma parte, já tombada, será recuperada e outra, edificada. No conjunto, área para administração, auditórios, videoteca, reserva técnica, salas de restauro, de reuniões, multimídia e de aula, ateliês, biblioteca, acervo e depósitos, café, loja, além das galerias. O espaço expositivo abrigará as obras do homenageado e estará aberta, em um andar inteiro, à produção de Santa Catarina, do país e do mundo, permitindo exposições temporárias, de importância nacional e internacional.

 

 

 

 

Histórico do instituto

 

MAC- Schwanke: criado em 11/6/2002

Instituto Schwanke: criação em 1/10/2003

 

Acervo: mais de 3 mil obras

 

Associados: 250

 

Utilidade Pública Municipal e Estadual

 

Permissão de uso da Cervejaria Antarctica: 5/5/2006

 

 

Projetos desenvolvidos

 

2013 – Arte Conceitual, realidade e consistência? (Simdec)

 

2010 a 2012 – Arte Contemporânea: Produção e Curadoria (Simdec)

 

2006 a 2011 – Schwanke: inventário, avaliação técnica, conservação preventiva e catálogo do acervo artístico (Lei Rouanet)

 

2010 – Projeto Museológico MAC Schwanke  (Seitec/ Funcultural)

 

2009 – Curso Pensar sobre a arte (Simdec)

 

2008 a 2009 – Contratação de Projetos Executivos Complementares para o MAC Schwanke (Simdec)

 

2008 a 2009 – Arte Contemporânea: Intervenções e Encontros (Simdec)

 

2007 – 4ª Mostra Latino-Americana de Artes Visuais – Vento Sul (Simdec)

 

2006/2007 – Contratação de Projetos Executivos para o MAC Schwanke (Seitec/ Funcultural)

 

2005/2006 – Substituição de peças das obras de Schwanke (Seitec/ Funcultural)

 

2005 a 2006 – Arte Contemporânea em Questão (Simdec)

 

 

 

Luiz Henrique Schwanke

 

Um dos expoentes da arte brasileira no século 20, Luiz Henrique Schwanke (1951-1992) estava conectado ao movimento artístico internacional. Ele circunscreveu sua produção na história da arte do Brasil anos 1980, período em que conquistou inúmeros prêmios. Em 1991, integrou a Bienal Internacional de São Paulo. Pela complexidade dos trabalhos, pelos conceitos híbridos e pela vinculação profunda com a história da arte, o artista introduz nos anos 1980 e 90, em Joinville noções de arte pública e contemporaneidade. Ainda com frescor, sua produção continua viva e é objeto de pesquisa de estudiosos de diferentes instituições e lugares.

 

Joseph Kosuth

Aos 68 anos, Joseph Kosuth nascido em Toledo/Ohio (EUA), é considerado um ícone da arte conceitual, provocador de reflexões acerca da natureza da arte, construção e desconstrução de significados, representação do concreto na linguagem escrita e sua abstração. Kosuth entende que a produção da arte vai além de formas e cores, que o espectador também cria e que potencialmente tudo é material para arte, pela possibilidade de relação com a vida das pessoas. O artista foi editor da revista Art & Language, influente periódico voltado à geração de artistas conceituais britânicos e norte-americanos na década de 1960. Ele esteve no Brasil em 2010 para participar da 29ª Bienal de São Paulo. Seu mais emblemático trabalho, “Uma e três cadeiras” (1965), foi criado quando ele tinha apenas 20 anos.

 

Josué Mattos (mediador)

 

Josué Mattos é historiador da arte e curador. É doutorando em Teoria da Modernidade pela UFSC e Université Paris-Ouest. Graduou-se em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X Nanterre e obteve o título de Master 1 e 2 em História da Arte Contemporânea na mesma instituição. Em 2009 concluiu o mestrado em Práticas Curatoriais na Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne. Entre os projetos que executou como curador destacam-se: Terres et Cieux – Sandra Cinto e Brígida Baltar (Mairie du VIIIème, Paris, 2009), A la limite (Galerie Michel Journiac, Paris, 2009), Por aqui, formas tornaram-se atitudes (Polo Bienal São Paulo, Sesc Vila Mariana, 2010), É crédito ou débito? (Sesc Pompeia e Mostra Sesc São Paulo, 2010), Como o tempo passa quando a gente se diverte (Casa Triângulo, São Paulo, 2011), Boîte Invaliden (Invaliden Gallery, Berlim, 2011), Eu fui o que tu és e tu serás o que eu sou (Paço das Artes, São Paulo, 2012). Concebeu e realizou três edições do Festival Inter-cambio em Paris, de 2007 a 2010. Foi pesquisador das duas edições do Prêmio MASP Mercedes Benz (2012 e 2013) e integrou em 2010 o corpo de críticos de arte do Paço das Artes. Trabalha atualmente na próxima edição do Salão Nacional de Artes de Itajaí, onde realizou em 2010 o projeto Poéticas pessoais em construção, com a participação de 103 artistas de diferentes gerações e horizontes. Participa em São Paulo até meados de setembro de um projeto de residência que recebe artistas de diferentes partes do mundo.

 

Luz e ausência

 

“[...] Incluído na geração 1980 e autor de uma poética que revisita o passado, Schwanke subverte os limites entre as linguagens artísticas, expõe luz e ausência, aproxima arte e ciência, discute tempo e espaço, e projetou Joinville no cenário brasileiro. Nascido na cidade, ele dá nome ao primeiro museu de arte contemporânea do Estado. Fruto de um manifesto em 2002, o MAC Schwanke surgiu da mobilização dos artistas. Filiado ao Ibram/MinC, é mantido pelo Instituto Schwanke que, em 2013, comemora dez anos justamente com a citada conferência de Kosuth, que integra projeto aprovado pelo mecenato do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura. Guardião da memória do homenageado, o instituto produz programas em favor da arte contemporânea. Fora os desenhos, as pinturas e as instalações, o seu legado aproxima voluntários que instalarão o MAC Schwanke numa antiga cervejaria, dentro do complexo intitulado Cidadela Cultural Antarctica. A cessão do uso do prédio, já tombado, foi autorizada pela Câmara de Vereadores. O desejo dos artistas e o apoio de inúmeros interlocutores, como a Fundação Cultural de Joinville, caracterizam um coletivo público-privado. Os números da economia e sua projeção respaldam esse sonho. Santa Catarina e Joinville crescerão e precisarão de um equipamento cultural desse porte. O museu representará o reconhecimento à arte e à memória, alavancas simbólicas e identitárias. Um espaço como esse cria relações dinâmicas de aprendizagem, abriga fóruns de discussões e é polo gerador de conhecimento, tem grande interface com a cidade, assegura requalificação urbana, é valioso para o turismo. Afinal, os gestores públicos e privados não podem esquecer que os trabalhadores não são apenas força de trabalho, que os cidadãos não são apenas eleitores. Num mundo tão carente de sentidos, a vida só alcança plenitude quando vivemos sensações solidárias, algo que a arte, a literatura e a poesia são capazes de produzir. Com tantas transformações sociais, desconstruções de toda ordem, o grande desafio é pensar o museu como conector de temporalidades, afetos, sonhos e geografias. Por essa amplitude, a visita de Kosuth, justo no momento em que ele participa da Bienal de Veneza, representa uma possibilidade de aprendizagem, troca e conexão entre o regional e o global.”

 

Néri Pedroso, jornalista e presidente do Instituto Schwanke.

 

 

 

 

 

Kosuth em Joinville

 

Por Leticia Coneglian Mognol, professora, membro da Diretoria Cultural do Instituto Schwanke

 

Em outubro de 2013, o Instituto Luiz Henrique Schwanke comemora dez anos, com relevante atuação no campo da arte e da cultura. Suas ações têm contribuído, por meio de propostas de projetos culturais, com a realização de uma série de conferências, seminários, oficinas, exposições e publicações que promovem a reflexão e a construção de conhecimentos, sobretudo em arte contemporânea.

 

A conferência com Joseph Kosuth, em Joinville, merece destaque, pois possibilita a ampliação de conhecimentos, já que se trata de um dos protagonistas do movimento conceitual reconhecido pela história da arte. As raízes da arte conceitual têm ancoragem no dadaísmo, mais especificamente com Marcel Duchamp (1887-1968) e a sua obra, A Fonte, de 1917, um urinol instalado sobre um pedestal e assinado com um nome fictício, “R. Mutt”. Essa atitude, ao levar um objeto produzido em massa para um museu, sugeria que se refletisse a respeito do que era arte e como essas instituições atestavam a autenticidade das obras, uma negação que pela ironia torna-se uma afirmação.

 

A arte conceitual surgiu na década de 1960, desafiando as categorias ditadas pelos sistemas da arte, especialmente os museus e galerias. Entre a metade da década de 1960 e 70, assumiu muitas formas e nomenclaturas: Conceitual, Arte Povera, Arte Processo, Anti-forma, Land Art, Ambiental, BodyArt, Performance, entre outras. Nesse período, muitos artistas começaram a utilizar a linguagem como material. A obra “Uma e três cadeiras”, de 1965, de Joseph Kosuth é emblemática: compreende a ideia física (o objeto cadeira), sua representação imagética (a fotografia) e a definição dicionarizada, ou seja, um jogo entre realidade, ideia e representação, a qual Luiz Henrique Schwanke toma como referência fazendo citação em sua obra “Presença, Ausência, Nem Presença Nem Ausência”.

 

Kosuth separa de certa forma o que seriam outras poéticas e arte conceitual. Esta teria como fundamento o predomínio das ideias sobre os objetos e origem analítica ou linguística. Outra característica seria a desmaterialização da obra, um esforço do artista para dar ao processo consistência ao invisível. As imagens podiam ser reconhecidas como equivalente à linguagem, ou seja, uma obra de arte podia ser lida e as palavras funcionavam de modo análogo ao das imagens. Para além de um mero prazer visual, exigia um trabalho do observador.

 

Algumas características aproximam Kosuth e Schwanke. O interesse pela filosofia, o jogo de palavras, a indagação sobre imagem e conceito, a ironia, a apropriação de objetos já prontos, deslocando-os e reelaborando-os para criar outros discursos com novos sentidos, proposições com a luz, entre outras. A arte de ambos é um jogo complexo que leva à reflexão. Nesse cenário o Instituto/ MAC Schwanke promove o intercâmbio de ideias e aprofunda os debates sobre os desdobramentos da arte conceitual na contemporaneidade, fazendo Joinville se projetar nacionalmente no âmbito das artes visuais.

 

 

 

Pesquisa e fruição da arte

 

Por Tirotti, artista visual e professor

 

Um embate que deu certo na área da cultura em Joinville, uma das áreas de maior arbitrariedade por ações de governo. Quando em 2002 a Fundação Cultural decidiu, a bel prazer, alterar o nome do Museu de Arte de Joinville para Museu de Arte Luiz Henrique Schwanke, alguns artistas se mobilizaram imediatamente e foram à Prefeitura pedir explicações, mais do que isso, exigir o cancelamento do erro. Sem recusar a ideia de um museu de arte contemporânea, desejavam, sobretudo, que não fosse somente contemporâneo no nome. A mobilização reverteu a ação e culminou, com o grupo Quintas Contemporâneas, a ampliar um projeto já existente. Nele, o conceito de museu fórum, com obras do Schwanke cedidas pela família como acervo e um programa contínuo para a discussão da pesquisa e fruição da arte contemporânea na cidade.

 

O mais adequado era conceber, num primeiro momento, um espaço de discussão e, paralelamente, um projeto qualificado para o futuro museu. Assim, foi criado o Instituto Luiz Henrique Schwanke – ILHS, em 2003. Nos anos seguintes, com ação do voluntariado e por projetos patrocinados pelo Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec), o instituto foi sempre marcado pela promoção de seminários, mostras e outras ações. As suas atividades, a meu ver, são coerentes com a linha de pensamento do Schwanke que, em geral, não costumava falar de suas obras. Respeitar as interpretações é muito importante para manter os discursos nos trabalhos, falar sobre eles é reduzir a obra a um espaço menor, neste caso, o das palavras. Ao considerar que o meio utilizado é o das artes visuais, é por ela que devemos experimentar os sentidos ali percebidos.

 

Uma instituição que se compromete a salvaguardar as suas obras deve respeitar o íntimo de seu legado. O ILHS não se propõe à simples montagem de exposições a partir de um respeitado acervo, promove a mediação da poética desenvolvida pelo artista. Em 10 anos de existência, o instituto realizou encontros com personalidades do mundo da arte, como curadores, museólogos, críticos e artistas visuais. Para quem já ganhou em ter o Schwanke como representação da cidade, recebe agora uma discussão qualificada da arte conceitual. O projeto “Arte Conceitual: Realidade e Consistência?” traz para uma palestra Joseph Kosuth, nome de referência internacional. Comemorar com uma visita especial é, sem dúvida, um respeito às pesquisas desenvolvidas por Schwanke. É promover conteúdo importante para uma reflexão sensível ao que estamos construindo de conhecimento para um mundo mais humano.

 

 

 

Schwanke: artista ousado

 

Por Avelar Lívio dos Santos, jornalista

 

A maioria dos brasileiros conhece pouco de arte e quase não frequenta galerias. No meu caso, o conhecimento deve-se, em parte, à convivência com um colega da Universidade Federal do Paraná e artista consagrado, Luiz Henrique Schwanke. Sua mais audaciosa criação foram os monumentos de baldes plásticos coloridos espalhados em Joinville/ SC, em 1989, um formato de exposição de arte revolucionário e democrático.

 

Misto de ser humano tímido com pensamento artístico ousado, Schwanke mostrou ao cidadão comum que tudo que nos rodeia pode ser arte. Ao expor em plena praça pública obeliscos feitos com objetos do dia a dia, ele desmistificou o universo da criação e mudou o olhar de trabalhadores e donas de casa que nunca tinham se deparado com algo similar.

 

Schwanke teria completado 62 anos no último 15 de junho. Mas seu legado é reverenciado pelo Instituto Luiz Henrique Schwanke (www.schwanke.org.br), que no dia 29 de agosto próximo comemora seu 10º aniversário de fundação. Na programação, uma imperdível palestra do brilhante artista americano Joseph Kosuth, a maior referência da arte conceitual.

 

Como Schwanke, Kosuth defende a tese de que a produção da arte vai além de formas e cores, bem como a participação do espectador no processo de criação. Para ele, tudo é materialmente possível para arte e potencialmente factível quando ela se relaciona com a vida. Instigador, mestre, pioneiro na arte experimental, Kosuth falará sobre os caminhos da arte conceitual no século 21 a partir das 19 horas, no Teatro Juarez Machado, em Joinville.

 

Quem participou do movimento político-cultural em Curitiba dos anos 1980 na UFPR, mais precisamente no Diretório Estudantil Rocha Pombo, deve lembrar-se daquele jovem calmo de cabelo comprido, barba rala e bem afetivo no trato com as pessoas. Ator no teatro de vanguarda e ativista discreto do movimento estudantil, já nesta época Schwanke demonstrava seu talento para as artes visuais.

 

Em pouco tempo se consagrou como um dos artistas mais premiados no Brasil. Sua arte foi evoluindo na forma e radicalizando no conteúdo. As Carrancas ou Linguarudos, retratados em pinturas expressionistas, causam grande impacto pela força, voracidade e violência nos rostos com dentes afiados e línguas em riste pintados em papel reciclado. Vistas hoje, as Carrancas simbolizam bem o grau de insatisfação dos jovens brasileiros diante das atuais mazelas políticas.

 

Testemunhei a ousadia de Schwanke e o impacto de sua arte nos anos 1990, em Joinville, ao me deparar com a série de cubos exposta em praças e pontos de grande circulação. Alguns achavam a manifestação um tanto apelativa, outros ousada. A proposta fundamental do artista era despertar o cidadão comum para o potencial de beleza das coisas, objetos que ele produz ou utiliza no dia a dia.

 

As esculturas com cores fortes nos gramados das praças afetaram a todos para sempre, no bom sentido. Mexeram com crianças, jovens e adultos. Era um recado ao transeunte estressado, algo do tipo: pare um pouco amigo, veja a beleza desta cobra coral gigante feita com o mesmo balde d’água que você tem em casa. Vamos lá, pare o carro, respire fundo, aproveite este raro momento e reflita um pouquinho sobre o belo que circunda a sua vida. Schwanke comprovou que há muito espaço para iniciativas capazes de popularizar a arte e aproximar o povo do artista.

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