Informação é coisa séria!

Sobre Reformas

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Escrito por Clotilde Zingali, o trabalho foi o primeiro colocado da categoria Adulta - Poesia no 5o Prêmio Joinville de Expressão Literária. 

a talhadeira corta a parede adoecida. bolores, cheiros acres e conteúdos a habitam. entre a superfície e seu dentro. ecos. 

onde foi que os olhos engoliram a limalha e a córnea toda reagiu num sobressalto? onde os olhos captaram a retícula da terra e avermelharam- se no contato com a matéria. com um tampão em um dos olhos o homem não respondeu (não ouviu).

Aderência

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Escrito por Melanie Peter, o trabalho foi o segundo colocado da categoria Adulta - Poesia no 5o Prêmio Joinville de Expressão Literária. 

Olhares perdidos no vazio.

Conseguiremos reencontrá-los? 

Corta!

No sorriso, meio de lado, rugem sentimentos dissidentes e inoperantes.

Ou, é ilusão? 

Corta! 

Dentro-fora da madrugada vazia, a opacidade esconde o martelo que bate e teima, golpeando lembranças inchadas, doloridas, roxas, amarelecidas, inúteis certo-erradamente.

É isso e nada disso? 

Corta! 

Uma bolinha de preto salta da pele do sentido.

Era laranja, mas transformou-se em vermelho.

A retina queimada odeia o rubro calor do sol.

Qual será a vertigem ou o delírio sob o qual se detém a estesis da razão inexistente?

Corta! 

Números. Sempre tão inúteis, tão desvantajosos para as dúvidas.

Vinte e cinco, três, dois ou um? 

Corta! 

Absorver qualquer comprimento de onda, ser preto e branco num fenômeno multicolorido.

Tudo-nada ao mesmo tempo? 

Corta!

Riscos de verde-azul-turquesa na sucessão de telas.

Imagens em movimento.

Violetas esmagadas no asfalto, impermeável e nojento, da sensação.

Pingo, rachadura, rompimento, violência …

Agora-eterno.

Duração de meses.

Será que depois de escavar o buraco negro, poderemos abolir o tempo? 

Corta! 

Espaço oco.

Divagar desatento,

Conexões neurais invadidas de bits, hits, ssss…

Bum?

Corta!

Bomba.

Guerra? 

Corta! 

Fração quebrada

Pedaços de nada

Máquina-assassina-silêncios? 

Corta!

… 

Cola?

A pia

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Escrito por Eduardo Silveira, o trabalho foi o terceiro colocado da categoria Adulta - Poesia no 5o Prêmio Joinville de Expressão Literária.

(Em minha gramática matinal, o sujeito oculto cai logo ao primeiro toque)

 Na pia,
as mentiras ontem implantadas,
hoje laminadas,
amanhã repostas.
Produtos da idade:
anos-bebuns,
anos-vagabundos,
anos-felizes.
Anos idos. Partidos.. A vida de sempre, de volta ao ralo.

Persona

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Escrito por Melanie Peter, o trabalho foi o primeiro colocado da categoria Adulta - Conto e Crônica no 5o Prêmio Joinville de Expressão Literária.

“Que seria de nós sem o socorro das coisas que não existem?”

            Paul Valèry

Se, perdida no tempo impreciso entre o inverno e a primavera do devaneio, eu deixasse de lado preocupações inócuas e observasse a orla das minhas fantasias, provavelmente seria capturada por uma persona cuja transparência turva diria tudo sem falar nada. Ela - deduzo -, estaria imersa em sua delicadeza ilusória de espectador-personagem e escarneceria nossa existência corpórea como se juntas teorizássemos sobre a luta contra a inevitabilidade dos acidentes no acaso.

Ensimesmada em contemplação, ela emergiria na aprendizagem do desaprendimento e eu me vestiria com aromas purpúreos, opacos de esquecimento. Imediatamente, a solidez explodida lançaria fragmentos na mistura liquefeita de nossas emoções. Motivadas pelo esforço dos inquietos, dispostos a raspar a cobertura da tinta que anuvia os sentidos convencionados, ou pela insistência dos alpinistas, animados e incansáveis na escalada íngreme rumo a cordilheira do vazio dos homens; gozaríamos em segredo a calma de quem já não espera mais nada, nem da vida, nem de si mesmo.

Na tentativa de ignorar o passado-presente, uniríamos nossas forças para abrir a porta gradeada do cativeiro. “Perdemos essa guerra”, diria ela, como se eu fosse concordar com seus balbucios solitários. “Os donos do mundo estão solidamente estabelecidos e nós não os incomodamos mais. Nossas bandeiras transformaram-se em buttons, broches, pichações, camisetas… No máximo em atitudes morais que não ultrapassam o espaço da vida íntima”. 

Antes de nos jogarmos para o niilismo absoluto, decidiríamos reter as marcas coloridas que povoam a mente; uma mente não bem sua, nem bem minha, nem bem de ninguém. Na profundidade superficial dos nossos desejos, o abismo da pele tragaria intensidades e iridescências.  A invasão de dragões, basiliscos, animais esféricos e espelhados transformaria o discurso abandonado em prólogo interminável.  Suas emoções penderiam sórdidas sob ciclos pálidos de desesperança. Eu veria apenas riscos verde-azulados turvando sinuosidades.

O calor lânguido invadiria a extensão sem limites e a efemeridade das sombras gasosas, desenhadas na parede pelos fios da cortina, dissimulariam as estações internas conforme a dança melancólica dos prognósticos imprecisos. Contemplativas e atentas à opacidade da luz, continuaríamos arrancando palavras da mescla de sudorese provocada pelas nossas idéias. Ao tentar desengaiolar o sentido, experimentaríamos erupções de nojo contra o indecoroso psicologismo do tempo e veríamos nossas imaginações sendo ressequidas pelos pensamentos fabricados industrialmente. “Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos”. Eu entenderia a citação, mas não descobriria quem é o seu autor. Ao mesmo tempo, escaparia para detrás das coisas visíveis como se ali pudesse encontrar um sorriso enigmático, capaz de me aquietar.

Saberíamos que em muitos pontos éramos semelhantes aos outros homens e mulheres e, no entanto, ignoraríamos o que ainda se poderá ser. Suas asas imaginárias pareceriam assombros estéticos. A lucidez chegaria cedo e viria agarrada na irrealidade, nos reencontros, e na falta de sentido da vida. “Se a gente consegue manter a sanidade e cumprir as normas e rotinas em que não acredita, é porque a lucidez faz a gente ver que a vida é tão banal, que não pode ser vivida como uma tragédia”.  Eu transcreveria a frase, mas não diria que a plagiei de um filme.

Angústiadas, excluídas, presas entre um instante e outro instante e outro instante, sentiríamos a existência quente e triste. Seríamos levadas pela fantástica hipótese de que o universo nos sorri como uma criança que ainda pode brincar, mas sabe que é por pouco tempo…

E o que acontecerá depois disso tudo?

Orgulhosas por não saber, e por acreditar que ninguém sabe, aceitaríamos a perda nos enigmas do labirinto. Resvalando pensamentos em imagens mudas, eu tentaria silencia-la com o cinza do tempo, mas a persona voltaria a mim atropelada pelo espírito. Permaneceríamos ligadas por uma interrogação em aberto. “Isso é porque história é sem começou e o fim não tem caráter definitivo ?”, uma de nós gritaria. E a outra sorveria o eco.

Meninice

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Escrito por Heloiza Rech, o trabalho foi o segundo colocado da categoria Adulta - Conto e Crônica no 5o Prêmio Joinville de Expressão Literária. 

Sobretudo vejo o arquipélago ao afogar os pés na porta do quarto. Desacendo a claridade e coloco-me em postura de como quando avistei-as no mundo em primeira instância.Elevei as pálpebras e percebi: elas olhavam para as minhas - para as mãos, principalmente.
Ontem anoiteceram espantadas: ao adormecer, eu pequei a maior das dores de uma vida adulta cruelmente antecipada. Não havia feito minha prece como nas infâncias passadas.
Logo juntei as mãos, entrelacei os dedos e penumbrei os olhos com força; tanta de amassar os cílios. Nesse instante, meu inconsciente presenciou um estado de entrega total; dentro de uma ingênua meninice.
Os astros quase em plena decepção forçaram sorrisos de alívio.
Passado as horas, principiou o sol. Fez guardar, pois, as estrelas suas contidas confissões dessa quase desarmonia.
Despertei com a janela do quarto gritando em raios de luminosidade.
Fiz uma prece.
Aquela de uma inocência que implora saudade.
Tive o pressentimento de estar num gramado extenso com árvores de todos os tipos e balas de morango e abraços de comprazo. Pernas curtas e joelhos ralados, pés descalços ou sobre galhos traiçoeiros. E sonos embalados que meu avô me presenteava.
Abri os olhos e desentrelacei os dedos.
Mas a infância já havia passado.

 

Lamberto, o impaciente Lamberto

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Escrito por Eduardo Bez, o trabalho foi o terceiro colocado da categoria Adulta - Conto e Crônica no 5o Prêmio Joinville de Expressão Literária. 

            Durante a madrugada, de minha sacada, ouço o cachorro latir lá fora, bem dizer, na casa do vizinho. Acorda o Anestêmio, vendedor de espiral para cadernos, proprietário de um Pianetti 2.0 a gasolina, formado em Gestão de Recursos Físicos, Mestre em Marketing Empresarial Aplicado, possui uma coleção de frascos de perfume e mora na casa ao lado:
- Puta merda! Esse cachorro filho-da-puta não vai ficar quieto? Tenho que acordar cedo para trabalhar!, desconjura ele, e assim acaba acordando dona Salasina, auxiliar administrativa III, proprietária de um Cempra Gs 1.6 TotalFlex, além de Português fala Mandarim, Italiano, Nheengatu e o dialeto Parintintim, gosta de vestir uma camisa de gola pólo azul turquesa do marido e fumar Free mentolado após o sexo, principalmente quando ela cavalga no marido, pois assim se cansa mais, e mora na mesma casa que Anestêmio, que por sua vez é seu marido.
- Que susto, Anestêmio!, esclarece ela.

            Os dois tornam a dormir, só que dessa vez sem sonhos. O cachorro Lamberto, o impaciente Lamberto, continua a latir, é alguma coisa que o incomoda. Um barulho ao longe que ele não consegue identificar. Não lhe é usual que naquele momento do dia, um ruído vindo daquela direção, com uma frequência inédita chegue aos seus ouvidos.  Ele se assusta com o desconhecido, e late impassivelmente, sem saber que Anestêmio dorme ao lado de Salasina e que terão que trabalhar pela manhã. Nem sabia que Anestêmio trabalhava, ou que alguém trabalhava, ou que ainda os dias são divididos em manhã, tarde e noite. Nunca viu tal coisa, ou ao menos lhe contaram, só enxerga até onde o cercado permite - seu deus não lhe apresentou o resto do mundo. Se o cão não sabe que existe o trabalho, tampouco compreende de forma racional a sequência de reações químicas que converte os elementos minerais em sua ração, ganhando forma e se tornando comestível. Na verdade, nem sabia que o que comia é ração e a sua noção de comestibilidade é muita mais ampla do que a impregada pela convenção humana. Portanto, quando seu dono, Péres, deus em uma carcaça animal alta e magrela, que se move por cima do solo sem se utilizar de todos os seus membros, peludo só em cima da cabeça, lhe serve a comida nomeada de ração, é o legítimo criador e senhor da Terra; então ele se pergunta, onde é que fica a Terra? No entanto ele lhe deve obediência e respeito, pois se não fosse por ele, Lamberto, o impaciente Lamberto, não sobreviveria. Estranho modo esse de contemplar a vida, tratar por Deus aquele que o aprisiona.

Perdão!

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Escrito por Robson Rodrigo dos Passos, o trabalho foi o primeiro colocado da categoria Escolar - Contos e Crônicas no 5o Prêmio Joinville de Expressão Literária.

            Acordo. Olhos assustados. Corpo - suado, trêmulo. Chuva. Raios, trovões. Na janela, as gotas pintam o desespero. Arrepios. O medo percorre o meu corpo.
            O silêncio, cortado pelo grito dos trovões. Paredes e piso sólidos. Mas gelados. Um calafrio. No espelho, medo. Angústia. E nos meus pensamentos, bombardeios de solidão.
            Mesa, cadeira. Café - forte e frio. Pão - seco, sem gosto. Tudo parece olhar-me e o medo perturba-me.
            Novamente o silêncio.
            Agora, interrompido por um barulho que lacrimeja o meu ouvido. O telefone… e a notícia.
            Uma erupção de palavras queima os meus pensamentos. E agora? Que sentido faz? Por quê? Uma lágrima… Agressões, medo, angústia, opressão, tristeza e… culpa. Consomem o meu corpo. Fico fraco, leve, sem rumo. A minha  vista escurece. Nada mais tem sentido, nem cor, nem nada. Quero gritar, pedir por ajuda, mas as palavras não vêm, não obedecem a minha vontade. A escuridão chega…
            Lentamente abro os meus olhos. Sinto meu corpo - fraco, cansado. Procuro alguma luz. Lá fora, apenas a noite e a escuridão da cidade. A chuva, os raios, os trovões. Nisso um retrato. Perdido entre um manto de poeira. Desperta-me forte lembrança e uma dolorosa saudade. Mais uma lágrima. Culpa. Retrato, tesoura, retrato. Silêncio. Trovões.
              O cansaço chega e vai me carregando. Cama, travesseiro, cobertor. Os meus pensamentos mergulham nos meus sonhos - escuros, sombrios. Nos seu infinito: a luz. É meu pai, carregado por anjos. A ele um único pedido: Perdão. Trovões. E tudo se perde, desaparece. Segue outro rumo. E retorna para a nebulosa escuridão.
            Silêncios. Trovões.

Ocaso

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Escrito por Jaqueline Reichert, o trabalho foi o segundo colocado da categoria Escolar - Contos e Crônicas no 5o Prêmio Joinville de Expressão Literária.

        O calor do sol em meu corpo. O dia vem acordar-me. Minha pele nua toca o chão frio. Luz, calor… minha mente rodando. Sento-me. O prato caído, as almofadas amarrotadas no chão, esboços num papel amassado. Noite ruim. Dolorosamente, caminho até a cozinha. Encontro uma maçã. Parece-me agradável. Tenho que alimentar o ser que habita meu ventre. Duas semanas que não o sinto mexer. Deve estar adormecido.
        “Sinto dizer, mas o seu bebê está morto”, dissera o médico. No banheiro, toalhas molhadas, a lixeira abarrotada de objetos de meu bebê. Pego tudo de volta e tento me lembrar por que aquilo estaria ali? O box arranhado reflete meu rosto pálido. Minha barriga grande me mostra o que tem por dentro. Seria vida? Não… é morte. Nos ladrilhos, minha angústia refletida. Não teve tempo de viver. Eu não o deixei viver. “Eu sei que é difícil, mas não se culpe pela morte dele”. Os exames comprovaram. “Deus sabe o que faz”. Os pensamentos me deixam zonza. Eu não preciso me lembrar.
        Verifico se tenho o que fazer. Nada. Nada? Tenho muita coisa pra fazer. Preparar as coisas para a chegada do meu filho querido. O quarto. Os cobertores desdobrados, as paredes riscadas, o abajur quebrado, as roupas rasgadas. Não entendo. Por que fiz aquilo? Se estou tão feliz, se meu bebê vai nascer logo; então, por quê…? Por que ele não acorda? Eu sei… eu sei todas as respostas. Mas é tão difícil aceitar.
        Então, deixo.
        As lágrimas mancham meu rosto. Meu pranto. E o eco. O eco de uma vida. Em minha cabeça. Desabo sobre meus joelhos. O impacto me agride. Machuca. E eu machuco o meu bebê. Tormento.
        Contrações. “Sua vida também está em risco”. O batimento acelerado do meu coração. Agonia. Tudo volta à minha mente. Dor. “Por isso, é melhor você ficar em observação”. Mãos trêmulas, suor gelado, punhos cerrados. Fico imóvel. Ouço a campainha. A campainha e o meu coração me confundem. As unhas agridem minha pele. Os objetos, longes, acusam-me. Dizem-me que errei. “Nós faremos o que for necessário”. Sou culpada pela morte do meu próprio filho. A campainha, incessante, meu tormento. Os meus sentidos, sem sentido. Deixo-me cair. “Teremos os melhores profissionais”. Minha queda, dura. Minha respiração, ofegante. Minha cabeça começa a latejar. “Nós precisamos tirá-lo de dentro de você, não há nada o que fazer quanto à vida dele, mas a sua…”. “O bebê é meu, vai ficar comigo”. Sim, agora eu me lembro. Eu fugi. O meu bebê. É meu! Não posso deixar que o tirem de mim. Ninguém mais poderá separá-lo de mim. O bebê… é meu!

Controle

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Escrito por Arthur Dell’Antonia, o trabalho foi o terceiro colocado da categoria Escolar - Contos e Crônicas no 5o Prêmio Joinville de Expressão Literária.

Ontem foi como hoje e amanhã será igual a hoje. Acordo, levanto, vou ao banheiro, tomo café da manhã e vou para a escola…
Chego em casa e almoço. Antes largo minhas coisas pelo caminho. A consciência vai direto ao jogo, porém as virtudes falam primeiro:
- Antes o dever, depois o lazer…
Sento para fazer a continuação da escola, mas a consciência só quer saber do jogo. Afinal, o gráfico é perfeito, e o som também.
Tremendo, os músculos parecem querer me levar junto para frente do vídeo game.
Vem a pergunta:
- Já fez a tarefa?
Músculos, mente e corpo infelizmente voltam para o dever inacabado. O lápis vai mais rápido que o pensamento, as questões não acabam, as letras se embaralham ou parecem fugir das páginas e as respostas se escondem… e toca o interfone.
- Alô, aqui é o Gabriel. Podes me emprestar um controle?
- Agora não dá, to fazendo a tarefa, outra hora eu te empresto.
Ah, se a gente não tivesse controle dos nossos atos…

Carta Outonal

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Escrito por Daniele Silveira, o trabalho foi o primeiro colocado da categoria Escolar - Poesia no 5o Prêmio Joinville de Expressão Literária.

A chuva de outono me trouxe
(ai, vento!)
uma carta.
Peguei-a e ela acomodou-se, timidamente.
Então, fechei a mão com a força de um solitário emaranhado,
e nela:
(ai, vento! Ai vento!)
multiplicaram-se as palavras!

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