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Fuga

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Texto de Melanie Peter, segundo lugar na categoria Conto/Crônica do 7º Prêmio Joinville de Expressão Literária.

Fico parada ouvindo as gotas escorrendo pela calçada. Ouço alguém arrastando os tênis na superfície áspera e misteriosa. Faz uma semana que chove dia e noite. O barulho inesperado se aproxima. O centro da cidade enche de água, lixo e desespero. Os passos se aproximam. Eu absorvo toda a força da correnteza, vejo a água escorrer sanguínea pelo paralelepípedo, começo a saltitar por entre os desenhos do meio fio. Sei que no fim, sobrará o melancólico limo das calçadas, um cheiro estranho invadindo a mente e me fazendo perceber que o espaço onde o processo se desenrola é um caderno de esboços para uma performance. Jogo xadrez com a morte. O guarda-chuva rabiscado não é mais o mesmo. Meus pensamentos fluem mudamente ancorados nas emoções, fantasias, memórias e pressentimentos. Ajeito a haste quebrada. A chuva aumenta. Como fugir do desgaste, do que não fica, do que se esquece?

Essa mania de contemplação deseja sempre mais do que me é dado ver.  Sorvo o musgo do asfalto e deslizo a sola do pensamento voyeurístico na superfície confusa das interrogações. O descarte, as coisas que não duram, são uma ameaça. Quando meus olhos atravessam a esquina, vejo um homem, encharcado de sujeira, ajoelhado no chão. Esta cavando o lixo e minha súbita aparição o perturba. Por um momento pensa que eu sou uma ameaça. Sacolas brancas e pretas estão rasgadas. Na calçada se espalham porções de nojo. Papéis manchados de café, copos de plástico, casca de banana, caroço de maçã, um cd ROM aranhado, pequenos objetos não identificados, coisas que o tempo deletou da vida, coisas que se tornaram obsoletas rápido demais. Eu sou o lixo. E o sujeito com ar de mendigo está imerso em luxuosos descartes. Tem feridas na mão, um ar animalesco. Sinto o cheiro daquele lixo, da sujeira impregnada no cobertor cinza que recobre a sua vergonha. A minha vergonha porque ele existe.

Há uma boneca sem cabeça, uma cabeça de boneca sem corpo me fazendo lembrar dos manequins sem cabeça, dos manequins com cabeça encarando os vidros. Atrás do mendigo, uma vitrine cerrada por grades nos confunde. No fundo da cena, no fundo da vida, pessoas comprando e vendendo. Mais no fundo ainda, como o crepitar de sombras no rosto, a figura humana esboça um sorriso. Embarco, vacilante, no perigoso jogo dos olhares que suspende o tempo e me submete à vontade de seu código. Um código exaltante e aniquilador. Um código do qual somos simultaneamente donos e escravos.

Não temos tempo.

O homem foge.

Eu também.

O corpo do poeta

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Texto de Marinaldo de Silva e Silva, primeiro lugar na categoria Conto/Crônica do 7º Prêmio Joinville de Expressão Literária.

As tatuagens, todas, estão ao dentro. Derrapam em letras menores, desenham-se através delas sem lente de aumento. No começo são cimentadas, duras, mas logo ficarão maleáveis, e virarão inspiração. Escaparão pelas mãos, signos num papel, numa parede, serão redes pescando alegorias, fazendo pequenas atrofias na lembrança. Misturar-se-ão na memória, umas palavras conhecidas, outras inventadas, todas atrevidas à gloria de deixarem o rascunho para procurar o ouro, a jóia da poesia virando poema, um verso tirado dum colar de fonemas preso no pescoço de um gênio, para adentrar numa lâmpada quase nunca acesa dentro de um baú sempre incompleto.
Dado a reciclar as idéias, vai de aldeia em aldeia garimpando ensaios de comédia e drama, pretensões de luz e linho. Esmerilha a métrica da dor e o cálice do desalinho. Sobrevoa o côncavo do amor, tenta escrever um romance de velhas cartas, todas fartas de serem tortas, e mortas, e que nas mãos do poeta míngua, pena, chora, dilacera, e ginga num azul de estrelas adormecidas e acinzentadas. Então separa a superfície, imerge, tentando achar a resposta, a que veda e secreta e, quando se abre, seja discreta ao fazedor de presságios, que é o poeta.
O corpo do poeta se divide em antes e depois da escrita. Antes é o pensamento, o maremoto de instâncias, de palavras de infância e de ser velho. Depois da escrita é a comoção da dúvida, o alerta do rascunho sem arestas, sem poeiras e pontas, só tontas idéias. E esse corpo de ser corpo sente, absorve a acidez e o aroma, e ao contente desagrada, porque hipnotiza a escolha e faz da bolha de sabão, alguma coisa que intercalando o céu, estoura, oxidando o chão.
E se a poesia desaparece, o poeta vai com ela. Não adianta janela ou porta que o acoroçoe, não adianta nenhuma planta endêmica, nenhum estratagema para resgatá-lo. O corpo do poeta sem poesia some. Vira apenas um homem exercitando uma mentira, uma piada invertida, antes da risada. Quando a poesia vai embora, o olhar rejeita a imagem, e fica cego das mesmas coisas, e vendo tudo como o tudo é, enterra-se na incapacidade de dar à palma da mão o plano do pé, e o poeta vira apenas mais um bípede. E passa a ser, só o que é.

A equipe Mercado de Comunicação

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Ana e Guilherme Diefenthaeler, Jouber Castro, Letícia Caroline e Keila Tyler na entrega do 7º Prêmio Joinville de Expressão Literária.  Só faltou Juliana de Medeiros para o time ficar completo.

Os vencedores e os jurados – 7º Prêmio Joinville de Expressão Literária

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Nielson Modro (comissão julgadora do Prêmio), Ana Ribas Diefenthaeler e Guilherme Diefenthaeler (Mercado de Comunicação), Geraldo Lion (ExpecTV), Marinaldo de Silva e Silva (1º lugar na categoria Conto/Crônica), Rita de Cássia Alves (1º lugar categoria Poesia), Marlise Groth (comissão julgadora), Taiza Mara Rauen Moraes (professora de Literatura Brasileira e Teoria da Literatura na Univille e coordenadora do Programa Institucional de Incentivo à Leitura Proler/Joinville), Berenice Zabbot Garcia (pró-reitora de Extensão e Assuntos Comunitários da Univille) e Sueli Cagnetti (jurada) posam para registrar a sétima edição do Prêmio Joinville de Expressão Literária.O concurso é uma iniciativa da Mercado de Comunicação e da Universidade da Região de Joinville, com apoio da Expectv.

Conheça os vencedores do 7º Prêmio Joinville de Expressão Literária

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De pé:  Eduardo Silveira, Melanie Peter, Stelle Bousfield e Rita de Cássia Alves.
Agachados: Helena Máximo, Marinaldo de Silva e Silva, Sandro Erzinger.

7º Prêmio Joinville de Expressão Literária e os novos escritores

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O resultado do 7º Prêmio Joinville de Expressão Literária revelou novos escritores da região. Na categoria Conto/Crônica, Marinaldo de Silva e Silva conquistou o primeiro lugar com a obra “O corpo do Poeta”. Melanie Peter, com o texto “Fuga” e Eduardo Silveira com “Sem título (Carta pra ti)” levou o terceiro lugar. Já na categoria Poesia, “Fios de Agora”, de Rita de Cássia Alves, ficou com o primeiro lugar. A autora também recebeu menção honrosa pelo conjunto dos textos. “Teias” de Stella Bousfield, e “Origem” de Sandro Erzinger, conquistaram o segundo e terceiro lugar respectivamente. Helena Máximo recebeu menção honrosa pelo texto 23:27:49.

Confira os textos premiados na categoria Poesia:

FIOS DE AGORA
Quem se constrói
numa racha de parede,

sublima as fiandeiras da alma.

Pegajosos, fios trabalham

o quadrado de outras linhas:

raios fabricam a seda.

Espiralada,

a chuva abdica do céu

e desaba no rosto.

Rita de Cássia Alves


Teias

Teço migalhas e traço horizontes.
Com medo de algo que nem conheço.
Do nada que me apavora.

Tramas tramam contra mim.
Lamas pálidas envolvem-me esnobes.
Arrancando apatia.

Na praia, Afrodite tece fios de luz.
Á espera de Zeus na aurora boreal.
Endeusando o tempo que jamais virá.

Stella Bousfield


Origem

Sobre a água

Narciso comprimiu

A tristeza em belas pétalas

Para o vento beijar o seu corpo

Sandro Erzinger

Coletânea do Prêmio Joinville de Expressão Literária será lançada na noite de hoje

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A noite de quinta-feira, 2 de dezembro, não será marcada apenas pela revelação dos ganhadores da sétima edição do Prêmio Joinville de Expressão Literária. Também será o lançamento do livro que reúne os  melhores  textos de 2008 e 2009 do concurso. Patrocinado pelo Simdec, Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura, a obra tem textos de Eduardo Bez Silveira, Melanie Peter, Clotilde Zingali, Norberto Hoff e outros 29 autores.

Falta pouco!

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Na quinta-feira, 2 de dezembro,  serão divulgados os nomes dos vencedores do 7º Prêmio Joinville de Expressão Literária.  O evento será na Univille, às 19h30. Quer acompanhar tudo de perto? Então ligue para 3025-5999 e confirme presença com Juliana.

Nas redes sociais

Da Redação, Prêmio Literário, Sobre nós, Variedades Seja o primeiro a comentar »

Nesta semana, nossa colega de trabalho Fernanda Lange incluiu o Prêmio Joinville de Expressão Literária e a Mercado de Comunicação no universo do Orkut. Dê uma espiada e nos adicione para ficar sabendo das novidades e das últimas notícias sobre a sétima edição do Prêmio Joinville de Expressão Literária.

Seguem lá os links para nos adicionar:

Perfil Mercado de Comunicação: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=2270829533327804387

Perfil Prêmio Joinville de Expressão Literária: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=16173879946220763359

Comunidade Prêmio Joinville de Expressão Literária: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=107063179

Prêmio movimenta o setor literário de Joinville

Na academia, Prêmio Literário, Variedades Seja o primeiro a comentar »

(Ana foi participar de uma aula de Redação Jornalística no Ielusc. Falou sobre o prêmio literário. Aqui, um dos textos produzidos pelos alunos a partir da conversa.)


Hassan Farias

Ivan Lemke, Melanie Peter, Clotilde Zingali, Robson Passos e Daniele Silveira. Nomes aparentemente desconhecidos, mas com algo em comum: todos foram vencedores do Prêmio Joinville de Expressão Literária. Iniciado em 2004, o concurso tem o intuito de garimpar novos talentos e valorizar os escritores joinvilenses. O prêmio, que impulsiona a produção literária da cidade, chega à 7ª edição e está aberto a contos, crônicas e poesias de autores de Joinville e região. As inscrições vão até 29 de outubro.

Promovido pela agência Mercado de Comunicação em parceria com a Univille, o evento foi idealizado pela jornalista e cronista Ana Ribas Diefenthaeler. Ela diz que sempre teve “uma relação visceral com a literatura” e se diz muito orgulhosa ao constatar que sua iniciativa contribuiu para o surgimento de muitos nomes na literatura joinvilense. Ana conta que pessoas que se inscreveram no concurso sem maiores pretensões “acabaram se descobrindo na literatura”. Clotilde Zingali é um exemplo. A escritora paulista, que já lançou três livros, concorreu em 2005, quando ganhou o 1º lugar na categoria poesias com “Anamnese”. Na terceira edição, em 2006, recebeu menção honrosa na categoria contos.

A coordenadora entende que a dificuldade de motivar mais escritores e grandes nomes surge de um problema histórico do Brasil. A população não lê e, consequentemente, não escreve. Para ela, Joinville passou por mudanças significativas em seu próprio perfil e vem aumentando aos poucos a oferta de opções culturais, mas a dificuldade em encontrar patrocínio ainda é grande. As empresas que apoiam esse tipo de projeto podem, em alguns casos, abater o investimento em impostos, mas, na opinião da jornalista, em Joinville elas continuam visando unicamente ao lucro. Porém, Ana defende que os artistas não podem depender apenas de empresas. “A classe artística não pode se acomodar e tem que encontrar outras formas de arrecadar dinheiro”, defende.

Além de revelar novos nomes e premiar os melhores textos, o concurso também prevê o lançamento de um livro a cada dois anos com os melhores trabalhos. No ano passado, houve o recorde de participações, com cerca de 400 textos inscritos. A meta para este ano é de 300 trabalhos, o que corresponde à média anual. Até 2008, o prêmio contava também com a categoria escolar, mas, com a perda de patrocínio, ela foi extinta. Neste ano, o limite de idade caiu de 16 para 12 anos, justamente para contemplar esses autores prejudicados com a saída da categoria. Qualquer pessoa de Joinville e região pode participar. O primeiro colocado receberá R$ 1.100, o segundo, R$ 550, e o terceiro, R$ 330. Além disso, serão entregues menções honrosas aos trabalhos que se destacarem em todas as categorias.

Para participar, serão aceitos no máximo três trabalhos por pessoa. Os textos devem ser entregues na Univille ou na Mercado de Comunicação, rua Uruguai, 253, no bairro Floresta, em envelopes fechados. Inscrições por e-mail não serão aceitas.

Mercado de Comunicação

Mercado de Comunicação
Rua Uruguai, 253 - Floresta
Joinville / SC - CEP 89210-070
Fones: (47) 3025-5999 / 3426-1798