Informação é coisa séria!

O cidadão que tem voz e vez

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[Retomando a publicação de reflexões elaboradas por estudantes de Jornalismo do Ielusc, vai a da Priscila Farias Carvalho, a partir do conteúdo do artigo "O Cidadão em primeiro Lugar", que abre o livro de Francisco Viana, "De Cara com a Mídia"]

O autor Francisco Viana faz um recorte do contexto em que se estruturou a Assessoria de Comunicação no Brasil para analisar o cenário atual no país. Segundo Viana, por volta da década de 1930, ocorreu a multiplicação das empresas industriais e de serviços, que mantinham posições ideológicas voltadas para o comunismo ou para o capitalismo. Não havia preocupação com a opinião pública naquele instante.

Porém, a partir do século 21, o cidadão passa a ter voz e poderes sobre o mercado. Aos poucos, a oferta de produtos e serviços cresce. E, com tanta variedade, a intensa concorrência foi inevitável. Ao mesmo tempo, a legislação que protege o consumidor evoluiu, mas não alterou a falta de interesse das empresas com o cidadão.

Nos tempos atuais, para que “sobreviva” no mercado, uma empresa precisa dialogar com a sociedade. E o elo para essa trama é a comunicação. É um imperativo ter uma estrutura de comunicação funcional e ativa, que mantenha a coerência entre cidadão, mercado e sociedade.

Para Viana, uma Assessoria de Comunicação precisa de uma estratégia de ação focada na dinâmica do mundo atual. O fluxo de informações tornou-se maior e mais ágil em detrimento da evolução tecnológica. Com isso, a sociedade deixou de ser apenas uma espectadora para tornar-se participante e, consequentemente, cada vez mais criteriosa.

Hoje, o consumidor opina, influi e decide. As empresas e consultorias de comunicação terão que se adaptar a essa nova realidade. É fundamental que a Assessoria tenha uma visão ampla sobre si, seus concorrentes e o contexto em que atua, para traçar uma estratégia de ação e consolidar o assessorado no mercado. Nesse sentido, um bom Plano de Comunicação desperta mais interesse do público-alvo, que se torna cativo pelo gosto.

Credibilidade é um fator imprescindível para a boa comunicação. Mas não é só ela que garante o sucesso de um Plano de Comunicação. Por exemplo, não adianta enviar uma montanha de releases para o mesmo mailing. Só vai acumular nas caixas de entrada de endereços eletrônicos. Selecionar para quem e o que enviar é uma boa estratégia. Quando um recurso como esse é mal utilizado, coloca em risco a credibilidade, entendida aqui como a base que sustenta a imagem e a reputação da empresa.

Entretanto, é importante ressaltar que uma boa comunicação institucional deve ser muito forte com seu público interno, para sempre ter o que comunicar. Se o relacionamento com os colaboradores não for bom, tampouco será com o público externo. É um dos muitos fios que compõem a trama da comunicação institucional, que se torna independente se o todo estiver em harmonia.

Reflexões sobre fontes e assessorias

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[Texto da estudante de jornalismo Patrícia de Melo, do Ielusc]

Algumas questões perturbadoras me fizeram pensar sobre os inúmeros releases que abarrotam minha caixa de entrada de e-mails todos os dias, inclusive nos finais de semana: o que, em todo este conteúdo, é material de qualidade? Quem são estas fontes? O que faz com que acreditem que eu me interesso pelo que elas têm a me dizer?

Confesso que, por diversas vezes, recorri desesperadamente a esses desconhecidos e nesses momentos percebi, com certo desconsolo, que nem sempre eles supriam a minha carência de informações. Não que eu quisesse publicá-las do modo como recebi, sei bem que elas devem atender a mim e não ao leitor final, mas em certas ocasiões não encontrei naquelas linhas subsídio suficiente nem ao menos para defender a ideia de que aquilo poderia, como se costuma dizer, “render”. Mas o estalo para pensar sobre esses intermediadores de conteúdo veio com a palestra de Aldo Schmitz, um jornalista formado em administração e que dedica seu tempo a pensar a questão da profissionalização das fontes.

Não fui a primeira e, como percebo no jornal diário, também não serei a última. Uma análise, ainda que apressada em comparação com os releases enviados e as matérias produzidas, independente do veículo, mostra a forte utilização dos materiais encaminhados pela assessoria de imprensa. Esse cenário revela a situação de interdependência entre esses dois profissionais de comunicação. O jornalista precisa estar sempre amparado por informações atuais e de qualidade, conteúdo este que se torna mais próximo com a atuação do assessor de imprensa, que ao traçar estratégias eficazes de comunicação abre as portas para seu assessorado. Na rotina do jornalista, o escasso tempo de produção, e a necessidade de noticiar aquilo que a concorrência noticiará, torna imprescindível o trabalho conjunto com os assessores. Este último profissional precisa estar ciente de como funciona o ritmo de trabalho do jornalista: o horário de fechamento do jornal, o que é noticia, qual linguagem é a mais interessante, o que de fato é relevante.  Esses elementos, se bem trabalhados, aumentam as chances de todo o movimento do assessor ter sucesso. Mas então por que não se pensar em quem são estas fontes? Aldo propõe que reflitamos sobre elas.

Ora, se são elas fatores importantes do nosso cotidiano, então é preciso que saibamos o que elas entendem que, para o jornalista, é interessante. Um assessor bem orientado não disparará conteúdo indevidamente, invalidando toda a ação, mas traçará estratégias e métodos orientados segundo uma lógica que facilitará a chegada das informações aos jornais, e, por fim, ao público. Afinal, apenas por meio de muitas visões é que será possível a diversidade de discursos. E essa possibilidade se torna cada vez mais real com a capacitação dessas fontes, pois conhecendo o funcionamento da imprensa se torna mais fácil inferir nesses processos.

O assessor qualificado será capaz de elaborar bons textos e chamar a atenção para o fato que apresenta, além de prestar um atendimento atencioso e eficaz ao jornalista, inclusive indicando quem está apto para falar sobre tal tema. Abrindo novas possibilidades e não, como se fazia antigamente, dificultando o fluxo de informações.

Outro ponto que considerei muito interessante na fala de Aldo é a posição do assessor, que deve estar sempre disposto a oferecer dados, prestar auxilio, mostrar-se prestativo e agir preparado para as investidas da imprensa. A profissionalização das fontes torna mais fácil o trabalho do jornalista, pois ele entende de que modo aquele profissional se comporta e quais as urgências dele.

É importante entender que o assessor está a serviço de uma empresa, governo, instituição, e que ele não precisa trabalhar com critérios como imparcialidade e neutralidade, por exemplo, este esforço utópico cabe ao jornalista, que deve repassar as informações recebidas tratando dos diversos fatores nele envolvidos. Também não cabe ao assessor fazer propaganda para a instituição a que serve, é dever dele extrair o que é notícia daquele campo e torná-la comum a todos. Através desse diálogo entre a assessoria e a redação é possível levar à sociedade uma realidade que não está acessível a ela, contribuindo para que se torne cada vez mais  democrática. Essa relação pode ser vantajosa para todos os envolvidos: o assessor, que dará visibilidade ao assessorado, ao jornalista, que terá seu trabalho facilitado, e a sociedade que terá cada vez mais informação de qualidade. E para o sucesso deste processo não cabe ao jornalista apenas aguardar o contato, pode ele buscar um diálogo com o assessor, o que poderá render excelentes pautas.

Comunicação integrada na prefeitura de Joinville

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[Considerações sobre o sistema organizacional da secretaria de comunicaçãoda prefeitura de Joinville à luz do texto Relações Públicas e a Filosofia da Comunicação Integrada, de Margarida Kunsch. Trabalho escrito por Sidney Azevedo, estudante de Jornalismo do Ielusc]

Margarida Kunsch descreve um sistema de comunicação que parece ser o ideal para uma grande organização, ainda que seus princípios possam valer para entidades como ONGs, empresas de médio porte, pequenos municípios e sindicatos. Kunsch considera o objeto da comunicação organizacional como “o fenômeno comunicacional dentro das organizações no âmbito da sociedade global” (p. 149). O fenômeno abarca mais de um tipo de comunicação, e inclui: a comunicação interna (referente aos fluxos informativos dentro da própria instituição), a comunicação mercadológica (com o intuito direto de persuasão) e a comunicação institucional (aquela que visa promover a instituição ante os diversos atores sociais).

A secretaria de comunicação da prefeitura de Joinville propõe a si a meta de “fortalecer a imagem institucional do governo e ampliar e qualificar os canais de comunicação com os diversos públicos de relacionamento da gestão municipal”. A proposta comunicativa é voltada para a comunicação institucional, mas para um bom funcionamento dos órgãos relacionados à prefeitura é preciso pensar em termos de comunicação integrada. Segundo Kunsch, a integração corresponde à filosofia de “convergência” das áreas de comunicação, possibilitando uma “atuação sinérgica”. A prefeitura de Joinville tem 38 órgãos, aos quais os profissionais da secretaria chamam de “empresas”.

Para o atendimento de uma tal estrutura, em que cada parte tem diferentes necessidades, a secretaria cumpre o papel de difusão do fluxo geral de informações. O recebimento e a busca de informações feito pela secretaria só atinge o público (entendo que o público-mor da secretaria é o cidadão joinvilense) após grande esforço de contato interno e administrativo nas diversas áreas da prefeitura. Divide-se a secretaria em seis áreas, das quais três serão consideradas: gerência de imprensa, gerência de publicidade e propaganda e gerência de eventos e relações públicas. Aqui nós temos um interessante quadro que, descrito por Kunsch, parece promover a interpenetração dessas subáreas. A autora afirma que as “subáreas [são responsáveis] pela construção da credibilidade e pela fixação de um posicionamento institucional coerente e duradouro das organizações” (p. 166). Nesse sentido, a citação que ela faz de documento da Aberp demonstra o funcionamento organizacional da secretaria de comunicação da prefeitura: “Não acreditamos que haja, na área de comunicação, um profissional ecumênico. Acreditamos na comunicação integrada, ou seja, na atuação conjugada de todos os profissionais da área. Não há conflitos entre as diversas atividades: há somatória em benefício do cliente” (p. 151).

A estrutura da prefeitura parece ser um modelo real próximo desse sistema, à medida que as atribuições de cada subárea, no conjunto da estrutura, se voltarem para o cumprimento da meta. A subárea de relações públicas deve, entre outras coisas, organizar eventos, cerimônias e agendar as ações do prefeito. A publicidade deve cuidar das agências licitadas, comunicar-se com elas para que as campanhas sejam feitas de acordo com os objetivos institucionais, e buscar “a comunicação integrada de Marketing com Assessoria de Imprensa e Relações Públicas / Eventos / Cerimonial”. A assessoria de imprensa deve, por sua vez, dar visibilidade, em todos os canais e veículos públicos, às ações da prefeitura, não deixando o contribuinte ou a imprensa sem resposta.

O item destacado da função da publicidade deixa claro que a comunicação institucional da prefeitura deve ser integrada para chegar aos resultados almejados, ao “fortalecimento de seu conceito institucional, mercadológico e corporativo perante todos os seus públicos, a opinião pública e a sociedade” (p. 181).

Referências bibliográficas

KUNSCH, Margarida. Relações públicas e a filosofia da comunicação integrada. In: _______. Planejamento de relações públicas na comunicação integrada. São Paulo: Summus Editorial, 2002.

Os trechos atribuídos à secretaria de comunicação da prefeitura de Joinville foram extraídos de uma apresentação feita aos alunos do curso de jornalismo do Bom Jesus / Ielusc.

Falhas na comunicação são principal motivo de fracasso nos projetos das empresas

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Pequenas Empresas & Grandes Negócios – 5/5/2010

Pesquisa mostra que em 76% das empresas os projetos não dão certo porque os profissionais não sabem escrever bem, falar bem e se relacionar adequadamente com diferentes tipos de pessoas – Marcus Vinicius Pilleggi

Um recente estudo organizado pelo Project Management Institute Brasil (PMI) constatou que, para 76% das empresas o principal motivo para seus projetos fracassarem são falhas na comunicação. O problema é antigo, segundo o diretor do PMI-Rio Walther Krause: “não sabemos escrever bem, não falamos bem o que queremos e não nos relacionamos bem com todos os perfis existentes em um ambiente de projeto”. Para o também diretor do PMI-Rio e coordenador do estudo Américo Pinto, o que ajuda a integrar a equipe e reduzir essas falhas é a figura do gestor de projetos. Ainda de acordo com a pesquisa, 78% das organizações que montaram um setor de gerenciamento de projetos tiveram mais comprometimento da equipe com os resultados.

Entre as organizações ouvidas pelo estudo, 32% afirmam planejar sempre como farão seus projetos e 18% disseram que raramente adotam essa prática. Quase 60% não possui departamento dedicado para gerenciamento de projetos, mas 56% planejam implementar esse setor. Os segmentos que mais adotam o gerenciamento de projetos são Tecnologia da Informação (63%); Engenharia (35%); Produção e Operações (26%) e Recursos Humanos (15%). O estudo foi feito com 300 empresas de grande porte. Em entrevista exclusiva a Pequenas Empresas & Grandes Negócios, Américo Pinto diz porque o gestor de projetos é vantajoso também para os pequenos negócios.

Trajetória da assessoria de imprensa no Brasil: da simpatia à profissionalização

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[Leitura da acadêmica Luiza Martin da Rosa, do curso de jornalismo do Ielusc, do texto "Assessoria de Imprensa: O Caso Brasileiro, de Jorge Duarte]

A trajetória política brasileira marcou o desenvolvimento da imprensa e, consequentemente, da assessoria de comunicação. Essa relação se deu de tal forma que, ao se acompanhar a passagem da ditadura para a democracia, percebe-se a presença de dois profissionais distintos, quase que totalmente opostos. O da ditadura é encarnado pelo sujeito comunicativo. Já o da democracia surge como profissional da comunicação.

Embora o mundo experiencie a globalização e a relação aberta com a imprensa tenha se tornado crucial para o sucesso das organizações, nem todas as assessorias contam com profissionais dispostos a abrir as portas. O “assessor da ditadura” ainda se faz presente, principalmente em órgão públicos, como se o regime que sufoca a informação não tivesse sido suplantado pela democracia.

Manter uma boa relação com a imprensa é salutar para empresas públicas, privadas e de capital misto. Independentemente dos interesses econômicos e políticos das instituições em que atuem, as assessorias sempre exerceram papel estratégico. No período de transição entre ditadura e democracia, pode-se dizer que a função maior do comunicador era redigir releases. Durante a ditadura, o comunicador era a barreira, ou seja, o anti-comunicação; na democracia, começa a ser definido o perfil de uma assessoria aberta, que deseja a imprensa sempre por perto. E é a partir dessa aproximação entre assessoria e meios de comunicação que o jornalista passou a desempenhar função exclusiva, sendo o elo no estreitamento de laços com a imprensa, a qual, por sua vez, consiste na ponte com a opinião pública. Portanto, o jornalista oferece mais do que a credibilidade proporcionada pelas técnicas. Dessa maneira, quanto maior é a experiência do jornalista na atuação em meios de comunicação, mais oportunidades surgem nas assessorias de imprensa.

O jornalista como assessor se torna um defensor dos interesses da empresa ou das pessoas públicas (não se pode esquecer que artistas e políticos, por exemplo, contam com assessorias) para as quais trabalha, em detrimento da criticidade e da apuração plural dos fatos. No contexto da assessoria, o jornalista tem um posicionamento definido e declarado, mesmo que camuflado por técnicas textuais, com o acréscimo da visão global de um determinado contexto.

Muito embora tenha surgido a definição “comunicação estratégica”, conforme cita Jorge Antônio Menna Duarte em seu texto “Assessoria de Imprensa: O caso brasileiro”, após a consolidação da democracia e da globalização, a assessoria sempre teve função estratégica, tanto para reter a informação e corroborar com o status quo de um governo ditatorial, quanto para, na contemporaneidade, desnudar as empresas perante a clientela (leia-se investidores e clientes).

Estratégias de comunicação da Coca-Cola

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O relato do grupo que discutiu a experiência de comunicação corporativa da Coca-Cola: Ariele Cardoso, Carolina Veiga, Jacqueline Rauter, Juliano Reinert, Patricia de Melo.

Comunicação Integrada:
A Coca-Cola realizou uma pesquisa a fim de saber o quanto os consumidores e formadores de opinião sabiam das ações sociais da empresa. O resultado foi surpreendente: do mesmo modo que a marca era conhecida pela qualidade, as ações sociais passavam em branco. Por conta desses resultados, e norteada por eles, a empresa investiu fortemente em estratégias de marketing, assessoria de imprensa, endomarketing (marketing interno), relações institucionais, responsabilidade social e eventos. Esses campos trabalham integrados para levar à comunidade as iniciativas sociais da empresa.

Desafios / Resultados
Ainda por conta do resultado da pesquisa, a Coca-Cola investiu principalmente em marketing, revelando à comunidade as questões de responsabilidade social. Como forma de complementar a pesquisa, a empresa voltou os olhos para a visão que os funcionários têm, pois eles são também grandes formadores de opinião. Baseado nesses resultados, tornou-se possível planejar ações futuras de comunicação, desta vez levando-se em consideração as impressões dos diferentes públicos que se relacionam.

De olho nas melhores práticas

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Na disciplina de Comunicação Institucional do Ielusc, estudamos alguns cases de empresas celebradas pelo modo profissional com que tratam a comunicação, tentando identificar como lidam com as perspectivas da comunicação integrada, que resultados vêm alcançando e como se dá o trabalho de relacionamento com a imprensa. Aqui, o relato da turma que estudou a Volkswagen: Ariane Pereira, Ingrid Passos, Marjorie Caturani, Pedro Leal e Ronaldo Santos.

A comunicação integrada da Volkswagen tem três frentes: comunicação de produto, que se ocupa dos automóveis fabricados; institucional, que avalia o impacto que os produtos da empresa podem causar; e interna, que mantém o público interno informado (sempre antes do externo, frisa a diretora de assuntos corporativos e imprensa da Volkswagen do Brasil, Junia Nogueira de Sá). Dentro dessa perspectiva, a fabricante de carros mantém diretrizes globais e organiza um encontro todo ano para que seus profissionais, atuantes em diversos países, troquem ideias e estabeleçam prioridades de ação. Um dos desafios é evitar o desencontro de informações e alinhar toda essa gente (mais de 400 funcionários só de comunicação).

Uma característica das multinacionais como a Volkswagen é respeitar a cultura de cada país. Seja nas cerimônias onde pessoas importantes aparecem, seja no relacionamento com os funcionários, a cultura é sempre respeitada, afirma o texto. O texto sobre a Volkswagen não tratava muito de assessoria de imprensa, mas um ponto levantado por Junia foi a importância do estudo de mercado para antever o impacto que cada ação da companhia vai causar no ambiente em que acontece a ação. Ela também comenta que a imprensa estrangeira se surpreendeu no caso do lançamento do Fox, um carro totalmente fabricado no Brasil, na Europa. Pelo visto, não confiam muito em nosso taco.

Para terminar, é óbvio que uma empresa desse porte conta com profissionais qualificadíssimos. Junia passou pelas grandes redações do País (Folha de São Paulo, Veja, Exame) e cuidou da comunicação de grandes empresas (Telefônica, Editora Abril).

Alinhar-se em torno de uma ideia

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Valmir Fernando da Silva, estudante de Jornalismo do Ielusc

O texto “O cidadão em primeiro lugar”, do livro “De cara com a mídia”, de Francisco Viana, abre a mente do leitor para os caminhos a que a comunicação institucional leva. A visão do autor revela detalhes relevantes que conduzem ao sucesso ou fracasso de uma empresa.

Se, em 1592, surgia o venerado William Shakespeare, já um sábio comunicador, que desbancava seus concorrentes e atraia a atenção do público, qual será o segredo para as pessoas, empresas, negócios atingirem resultados positivos hoje? Viana mostra em exemplos, como o do talentoso dramaturgo de outrora, o que é “fazer diferente”. Porém, não apenas se diferenciar, mas convencer a si própria (por meio da comunicação interna) que os integrantes de uma determinada organização estão alinhados em torno da mesma ideia.

As empresas vêm aumentando o diálogo com a sociedade e com os funcionários, mas a relação com a mídia tende a melhorar ainda mais. Com o advento da internet, entre outros suporte tecnológicos, torna-se vital que a empresa fale uma só língua, ou seja, transmita o que realmente é e faz, tanto na comunicação direta com os empregados quanto com a sociedade e a imprensa.

A falta de planejamento em comunicação leva muitos negócios à falência. A corda que amarra todos pontos de uma empresa é a credibilidade. E quem tem credibilidade são os líderes de mercado. Mas um detalhe importante: para que a corda funcione, é preciso utilizar fios mais finos (as formas da comunicação). E depois entrelaçá-los. Tal processo deriva na boa comunicação. Mas essa não é tarefa simples. Cada empresa deve no dia a dia interagir com o público e com seus empregados e principalmente com a mídia. Tendo o controle sobre esses três atores, o sucesso fica mais próximo. Com os fios finos (comunicação) gerando a forte corda (credibilidade), falta o um último toque, na dica de Viana, a sensibilidade.

Informação: das empresas para o público

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Tatiana Sabatke, estudante de Jornalismo do Ielusc

Já passou a época em que as empresas se fechavam para proteger informações e evitar que determinados fatos se tornassem notícia. Cada vez mais, elas buscam desenvolver projetos comunicacionais visando informar a mídia, o público em geral e os funcionários, por exemplo. Esse tipo de informação também ganhou uma nova configuração. Não cabe mais a divulgação de informação pela metade ou confusa.

Com essa mudança, o mercado das assessorias de comunicação, que já era habitado por jornalistas, publicitários e relações públicas, passou a crescer entre essas profissões. E no jornalismo já é um dos ramos que mais emprega. A assessoria conquistou espaço dentro das empresas desenvolvendo muito mais do que antes era considerado função do jornalista. O assessor de imprensa já se torna, como cita Francisco Viana no texto “O cidadão em primeiro lugar”, um consultor dentro das corporações.

É ao jornalista que muitos empresários recorrem para sanar dúvidas com relação ao processo comunicacional e aos problemas que porventura venham a afetar de alguma forma a boa imagem que a empresa cultiva perante a sociedade.

Falando de sociedade, é esse o principal ponto discutido pelo autor. Hoje, o cidadão influencia e está consciente da “obrigação” que a empresa tem de informá-lo. Viana diz que “o impasse é cultural: as empresas terão de se adaptar a uma sociedade em que o consumidor opina, influi e decide” (VIANA, p.36). Chegamos a um ponto em que a concorrência é muito grande e não é apenas o preço que influencia o consumidor na hora de decidir por determinado produto ou empresa, mas a “postura social” da organização, digamos assim.

Questões como responsabilidade social, clareza para com o consumidor e respeito perante a sociedade fazem toda a diferença no momento da escolha. É o consumidor respondendo a todo o processo que a empresa instalou para nutrir com informação de qualidade a comunidade em que opera.

Com o desenvolvimento desses projetos comunicacionais, a empresa fica mais próxima da comunidade e garante um canal de comunicação entre ambas as partes. Isso fica visível nos informativos internos produzidos pelas empresas. Nesse material é preciso falar e saber como falar para esclarecer problemas por que o grupo esteja passando ou informar sobre questões que os patrões não gostariam que chegassem ao funcionário de forma distorcida.

Observando dessa forma, é muito melhor que o trabalhador e sua família fiquem sabendo e divulguem a informação que partiu da empresa do que multipliquem o que escutam pelos corredores do local de trabalho. Outra questão que precisa ser discutida é o fato de que qualquer tipo de informação passada pelo assessor precisa ser verdadeira. Mentir ou distorcer os fatos causa problemas futuros como falta de credibilidade, fator importantíssimo nessa lógica de mercado.

Com a velocidade em que as informações chegam ao público e com a intensidade com que os veículos de informação trabalham é quase impossível omitir ou mentir sobre determinados acontecimentos. Uma hora ou outra o fato vai aparecer e será divulgado, seja pela “rádio peão”, seja por um segurança ou vigia da empresa (funcionário que circula pelos diversos setores) ou até mesmo pela agilidade dos jornalistas que buscam coletar informações de todas as formas durante o dia a dia.

Essa informação não passou a ser difundida pela empresa por simples vontade, é que com a agilidade no processo comunicacional o cidadão passou a exigir explicações e informações que lhe dizem respeito. Agora, basta que as empresas se acostumem com essa lógica e implantem uma assessoria de comunicação cada vez mais eficaz.

As empresas acordaram!

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Marjorie Caturani, aluna de Jornalismo do Ielusc

Analisando o capítulo “O cidadão em primeiro lugar”, do livro “De cara com a mídia”, de Francisco Viana, é possível perceber que o autor mostra um lado positivo da comunicação corporativa no país. Viana cita a comunicação interna, um tema que me chama atenção. Além de “falar” para os jornais, revistas, enfim, para os meios de comunicação, não se pode esquecer da comunicação interna. Ou seja, fazer-se claro para os funcionários de uma determinada empresa deixa evidente a preocupação com o conjunto, com a massa. Parece que as empresas acordaram e viram que seus colaboradores também fazem parte da população, também leem jornais, revistas etc.

Viana fala sobre a opinião pública, que hoje orienta o rumo das ações de comunicação institucional. O que antes era ignorado, agora é analisado. Isso ocorre quando a assessoria de uma empresa escreve um release sobre determinado problema ou explicação que tenha que dar aos cidadãos. As palavras têm que ser muito bem escolhidas. O público se tornou mais crítico, o que justifica essa mudança de postura nas respostas à imprensa que vemos estampados nos jornais, por exemplo.
A questão da credibilidade é outro fator importante. Viana disse: “Credibilidade é um predicado radical. Ou a empresa tem, ou não tem. Credibilidade é confiança”. Ele acerta ao declarar isso. E é exatamente por isso que as assessorias de comunicação se desdobram para explicar o que for necessário e propor soluções adequadas, sem que o público ou clientes percam a confiança na empresa atendida. Na minha opinião, a credibilidade sempre foi e sempre será “a bola de cristal” das empresas. Basta uma rachadura para perder todo o encanto.

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