Informação é coisa séria!

Um novo “olhar” nas pistas

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[Perfil jornalístico da corredora Ádria Santos, produzido pelos estudantes de Jornalismo Sandro Gomes e Daniela Canto]

Chamá-la de vencedora seria o mínimo. Ádria Santos, 36 anos, já nasceu com sérios problemas de visão. Aos 18, parou de enxergar, ao menos como os ditos “normais”. A partir dessa época, em 1992, ela vislumbrou novos horizontes, como jamais tinha visto antes . A deficiência visual, que poderia ser motivo de tristeza ou depressão, serviu de mola para impulsionar seus passos. E, desde que decidiu se tornar corredora, impulsão e vitórias não faltam à sua carreira.

Na galeria, a atleta acumula centenas de medalhas. Até 2009, eram 149 nacionais e 52 internacionais. Dessas, 13 ela guarda com carinho maior. São as conquistadas em seis Paraolimpíadas: Seul (1988), Barcelona (1992), Atlanta (1996), Sidney (2000), Atenas (2004) e Pequim (2008). Não satisfeita, Ádria prepara-se para a sétima, em Londres, e a oitava, em 2016, no Rio de Janeiro. Aliás, a atleta nasceu na Cidade Maravilhosa, onde começou a correr, aos 13 anos. Ela espera que esse seja um bom sinal para passadas ainda mais rápidas.

Ádria Santos é recordista mundial nos 200 metros rasos. Há 10 anos, outras atletas tentam – em vão – superar sua marca de 24,99 segundos, conquistada na Austrália. Até mesmo pessoas que enxergam perfeitamente não teriam fôlego para enfrentá-la nas pistas. À boca pequena, diz-se que Ádria não corre, voa. Talvez porque correr não seja uma obrigação, mas um prazer, como tudo o que faz na vida. Dessa forma, seu único adversário nas pistas é ela mesma. Superar a si própria é seu maior objetivo. Bater seu próprio recorde, também.

Carreira marcada por preconceitos

O talento de Ádria Santos nem sempre foi compreendido. No longínquo 1988, quando estreou na Paraolimpíada de Seul, ninguém por aqui falava da competição, que teve a primeira edição em 1960, na Itália. Televisão e jornais simplesmente ignoravam as provas. Foi preciso maior divulgação para que as pessoas entendessem que Ádria era realmente campeã. A China, por exemplo, recebeu a maior delegação paraolímpica brasileira de todos os tempos. Em consequência, repercutiu com intensidade por aqui.

“Quando eu falava que era atleta, as pessoas não entendiam como eu podia correr sem enxergar. Depois que a mídia foi divulgando, ficou mais fácil, porque as pessoas começaram a acreditar que o deficiente pode praticar esporte. Isso me ajudou”, relata.

No esporte, a atleta descobriu as lesões, a falta de patrocínio e a dificuldade de apresentar seus objetivos. Até 2009, ela contava com alguns patrocinadores. Agora, corre por conta própria, às custas de seu trabalho na Fundição Tupy. “Eu sou funcionária da Tupy, uma empresa que me respeitou, acreditou em mim e no meu trabalho”, sublinha, agradecida.

Ela procura um novo patrocínio para auxiliar no custeio de sua próxima viagem, à Espanha, em maio. “Esse é meu objetivo principal”, aponta. Até o final do ano, Ádria também participa de algumas provas no Brasil. Tem fé de que não faltará dinheiro, como ocorreu no início de sua carreira. Até fome ela passou em outros países. O dinheiro era contadinho.

Mas Ádria não é do tipo que se lamenta por qualquer coisa. Procura fazer o que gosta e mantém as lições na ponta da língua. “Os deficientes têm que parar de achar que, se não enxergam, não têm condições de fazer as coisas. Se eu quero ver alguma coisa, enxergo com minhas mãos ou procuro alguém para descrever para mim. Muitas vezes, falo que vou assistir à novela e as pessoas estranham: ‘Como, se você não enxerga?’ Eu vejo do meu jeito. As pessoas têm que mudar o pensamento de achar que um deficiente é incapaz”, ensina.

A visão que vem das mãos

De tão adaptada à deficiência, Ádria Santos lança olhares de quem realmente enxerga o que “vê”. Da muralha da China, em um dos passeios que fez enquanto participou da Paraolimpíada mais recente, há dois anos, seus olhos viajaram pela paisagem, acompanhados de um sorriso largo, franco e verdadeiro, daqueles que brotam da alma. Parecia criança quando descobre um brilho diferente.

“Pela primeira vez, tive a oportunidade de ver as maquetes do Estádio Olímpico e do Cubo D´água com as mãos, e não tem como descrever tamanha beleza. Jamais saberia como são esses locais sem um contato tátil”, relata a corredora, que sentiu cheiro de flores na Vila Olímpica e tirou uma infinidade de fotos por onde andou.
Além disso, teve a oportunidade de conhecer a Cidade Proibida, vista por Ádria como um espaço muito extenso, marcado por vários palacetes, com um trono ou aposento do imperador em cada um deles. Além dos muitos jardins, a corredora descreve que o local tem várias esculturas de pedra. “Havia uma tartaruga dourada e o pescoço dela era como se fosse um dragão, que simboliza o imperador, mas senti o cheiro da natureza”, sinaliza.

Em uma escola de pintura, sentiu o relevo de papéis, tecidos e madeira utilizadas na escola de pintura. Também comprou duas medalhas com signos do horóscopo chinês. Uma delas com o formato de um tigre. Quando saiu nas ruas com as medalhas no peito, as pessoas a cumprimentavam, achando que havia ganho na Paraolimpíada. De fato, depois ela ganhou.

O mais curioso é saber que, além de correr velozmente e sentir o universo pelas mãos ou cheiros, Ádria chegou a pechinchar com as mãos, embalada pelo clima dos comerciantes chineses, como ocorreu no Mercado da Seda. Uma camiseta que valia 120 Yuans, ela conseguiu comprar pelo valor de 80. “Agora posso dizer que fiz um negócio da China”, brinca.

Guiada pelo amor

Para Ádria Santos, a competição mais difícil foi em Pequim, porque correu sem seu guia. Ele havia sofrido um acidente e não pôde participar. Apenas a acompanhou nos passeios, sempre explicando em detalhes o que via. O guia, no caso, também é o seu marido, Rafael Krub. Primeiro, ele foi seu treinador, e, dos treinos às alianças, a distância foi percorrida mais rápido que um percurso de 100 metros rasos.

Rafael não dá moleza para Ádria. Tanto que ela mesma admite que não pode descansar. Para manter o ritmo, precisa pegar a cordinha que a liga com Rafael, grudar nele e correr. A tática tem ajudado a atleta a melhorar ainda mais o seu tempo. “Às vezes, até sinto dificuldade em acompanhar o pique dela”, reverencia o marido-guia.

Por segurança, ter alguém de confiança ao lado é muito positivo para o desempenho nas pistas. “Na pista, ele é meu guia, em casa, meu marido. Muita gente consegue, por que não eu? A Fernanda Venturini, por exemplo, era levantadora da Seleção Brasileira, e o Bernardinho, seu marido. Isso é normal. O que tem de haver é muito profissionalismo, dedicação e disciplina. Sou feliz porque corro e corro com quem confio”, argumenta Ádria.

Das seis paraolimpíadas de que participou, a mais marcante foi a de Sidney, em 2000. Pudera, até hoje as demais corredoras estão tentando entender o que corria à sua frente. Era Ádria voando baixo para alcançar seus sonhos. “Eu sempre acreditei e acho que as pessoas têm que acreditar nos sonhos e batalhar por isso. Quando era criança, falava que queria ser uma atleta famosa, mas falava brincando, de aparecer em jornal, na TV. Nada é impossível”, proclama.

A falta de boas histórias no jornalismo

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Edinei Knop, estudante de Jornalismo do Ielusc

A “fome” de noticiar mais assuntos, de obter e transmitir o maior número de informações está inferiorizando a atividade jornalística. Não se dedica tempo, atenção ou dinheiro às coberturas, falta tudo isso. É a concorrência. Precisamos publicar de tudo, ou o concorrente publicará. E a população acabou se acostumando a ler pequenas notícias, notas e resumos informativos. Talvez os veículos de comunicação estejam preocupados com o tempo que os leitores dispõem para ler. É fato. O tempo reservado à leitura está diminuindo. A correria do dia a dia sufoca o prazer da leitura (daqueles que têm prazer pela leitura). Mas, por outro lado, os jornais deveriam se opor ao modo jornalístico on-line. Tudo em tempo real. As notícias estão disponíveis ao mundo em questão de minutos, segundos, até. E exaltam cada vez mais os fatos. Uma boa notícia, segundo Francisco José Karam, em seu livro “Jornalismo, Ética e Liberdade”, deve se basear em três verbos: sintetizar, analisar a agir. É das três ações juntas que nasce uma boa notícia, segundo o autor. Isoladamente, aquelas atitudes não se transformariam em verdadeiros relatos jornalísticos, e sim, nas noticias que vemos atualmente. Podemos ainda perceber uma atmosfera favorável às noticias humanas, que envolvam pessoas “normais” de “carne, osso e alma”. Pessoas com realidades comuns às nossas, que nos interessam. É de boas histórias que o jornalismo diário precisa. É sobre histórias humanas e bem trabalhadas que os jornais precisam se debruçar.

Trajetória da assessoria de imprensa no Brasil: da simpatia à profissionalização

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[Leitura da acadêmica Luiza Martin da Rosa, do curso de jornalismo do Ielusc, do texto "Assessoria de Imprensa: O Caso Brasileiro, de Jorge Duarte]

A trajetória política brasileira marcou o desenvolvimento da imprensa e, consequentemente, da assessoria de comunicação. Essa relação se deu de tal forma que, ao se acompanhar a passagem da ditadura para a democracia, percebe-se a presença de dois profissionais distintos, quase que totalmente opostos. O da ditadura é encarnado pelo sujeito comunicativo. Já o da democracia surge como profissional da comunicação.

Embora o mundo experiencie a globalização e a relação aberta com a imprensa tenha se tornado crucial para o sucesso das organizações, nem todas as assessorias contam com profissionais dispostos a abrir as portas. O “assessor da ditadura” ainda se faz presente, principalmente em órgão públicos, como se o regime que sufoca a informação não tivesse sido suplantado pela democracia.

Manter uma boa relação com a imprensa é salutar para empresas públicas, privadas e de capital misto. Independentemente dos interesses econômicos e políticos das instituições em que atuem, as assessorias sempre exerceram papel estratégico. No período de transição entre ditadura e democracia, pode-se dizer que a função maior do comunicador era redigir releases. Durante a ditadura, o comunicador era a barreira, ou seja, o anti-comunicação; na democracia, começa a ser definido o perfil de uma assessoria aberta, que deseja a imprensa sempre por perto. E é a partir dessa aproximação entre assessoria e meios de comunicação que o jornalista passou a desempenhar função exclusiva, sendo o elo no estreitamento de laços com a imprensa, a qual, por sua vez, consiste na ponte com a opinião pública. Portanto, o jornalista oferece mais do que a credibilidade proporcionada pelas técnicas. Dessa maneira, quanto maior é a experiência do jornalista na atuação em meios de comunicação, mais oportunidades surgem nas assessorias de imprensa.

O jornalista como assessor se torna um defensor dos interesses da empresa ou das pessoas públicas (não se pode esquecer que artistas e políticos, por exemplo, contam com assessorias) para as quais trabalha, em detrimento da criticidade e da apuração plural dos fatos. No contexto da assessoria, o jornalista tem um posicionamento definido e declarado, mesmo que camuflado por técnicas textuais, com o acréscimo da visão global de um determinado contexto.

Muito embora tenha surgido a definição “comunicação estratégica”, conforme cita Jorge Antônio Menna Duarte em seu texto “Assessoria de Imprensa: O caso brasileiro”, após a consolidação da democracia e da globalização, a assessoria sempre teve função estratégica, tanto para reter a informação e corroborar com o status quo de um governo ditatorial, quanto para, na contemporaneidade, desnudar as empresas perante a clientela (leia-se investidores e clientes).

Estratégias de comunicação da Coca-Cola

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O relato do grupo que discutiu a experiência de comunicação corporativa da Coca-Cola: Ariele Cardoso, Carolina Veiga, Jacqueline Rauter, Juliano Reinert, Patricia de Melo.

Comunicação Integrada:
A Coca-Cola realizou uma pesquisa a fim de saber o quanto os consumidores e formadores de opinião sabiam das ações sociais da empresa. O resultado foi surpreendente: do mesmo modo que a marca era conhecida pela qualidade, as ações sociais passavam em branco. Por conta desses resultados, e norteada por eles, a empresa investiu fortemente em estratégias de marketing, assessoria de imprensa, endomarketing (marketing interno), relações institucionais, responsabilidade social e eventos. Esses campos trabalham integrados para levar à comunidade as iniciativas sociais da empresa.

Desafios / Resultados
Ainda por conta do resultado da pesquisa, a Coca-Cola investiu principalmente em marketing, revelando à comunidade as questões de responsabilidade social. Como forma de complementar a pesquisa, a empresa voltou os olhos para a visão que os funcionários têm, pois eles são também grandes formadores de opinião. Baseado nesses resultados, tornou-se possível planejar ações futuras de comunicação, desta vez levando-se em consideração as impressões dos diferentes públicos que se relacionam.

De olho nas melhores práticas

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Na disciplina de Comunicação Institucional do Ielusc, estudamos alguns cases de empresas celebradas pelo modo profissional com que tratam a comunicação, tentando identificar como lidam com as perspectivas da comunicação integrada, que resultados vêm alcançando e como se dá o trabalho de relacionamento com a imprensa. Aqui, o relato da turma que estudou a Volkswagen: Ariane Pereira, Ingrid Passos, Marjorie Caturani, Pedro Leal e Ronaldo Santos.

A comunicação integrada da Volkswagen tem três frentes: comunicação de produto, que se ocupa dos automóveis fabricados; institucional, que avalia o impacto que os produtos da empresa podem causar; e interna, que mantém o público interno informado (sempre antes do externo, frisa a diretora de assuntos corporativos e imprensa da Volkswagen do Brasil, Junia Nogueira de Sá). Dentro dessa perspectiva, a fabricante de carros mantém diretrizes globais e organiza um encontro todo ano para que seus profissionais, atuantes em diversos países, troquem ideias e estabeleçam prioridades de ação. Um dos desafios é evitar o desencontro de informações e alinhar toda essa gente (mais de 400 funcionários só de comunicação).

Uma característica das multinacionais como a Volkswagen é respeitar a cultura de cada país. Seja nas cerimônias onde pessoas importantes aparecem, seja no relacionamento com os funcionários, a cultura é sempre respeitada, afirma o texto. O texto sobre a Volkswagen não tratava muito de assessoria de imprensa, mas um ponto levantado por Junia foi a importância do estudo de mercado para antever o impacto que cada ação da companhia vai causar no ambiente em que acontece a ação. Ela também comenta que a imprensa estrangeira se surpreendeu no caso do lançamento do Fox, um carro totalmente fabricado no Brasil, na Europa. Pelo visto, não confiam muito em nosso taco.

Para terminar, é óbvio que uma empresa desse porte conta com profissionais qualificadíssimos. Junia passou pelas grandes redações do País (Folha de São Paulo, Veja, Exame) e cuidou da comunicação de grandes empresas (Telefônica, Editora Abril).

Necessidade de comunicação

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[Mayara Francine Silva, estudante do Ielusc, descreve o que sentiu ao assistir ao filme "O Escafandro e a Borboleta"]

Incrível como temos necessidade de comunicação. A simplicidade de um gesto comunica. Palavras comunicam. Até um silêncio acompanhado de uma expressão facial comunica. Mas, e se algo o privasse de usar artifícios gestuais, de pronunciar palavras, de ter alguma expressão? Eu tentaria me comunicar de qualquer jeito. E foi exatamente isso que fez Bauby, com seu incrível meio de comunicação, o olho esquerdo. Imaginação, memória, espírito criativo e vontade de escrever sobre o cotidiano, permeiam a vida de um jornalista, e, quando nada disso pode ser realizado, a metáfora “escafandro” cabe como uma luva. Debater-se dentro de si, gritar, espernear e os outros só enxergarem o seu olho mexer, é assustador e nos faz refletir se estamos fazendo o possível para transmitir o que pensamos, ou o que desejamos que os outros saibam. A capacidade de percepção, a paciência, e a sensibilidade mostradas pelo editor, trazem à tona os atributos para se tornar um bom jornalista, o que não acontece com muitos dos que hoje atuam nas redações de todos os lugares. Os olhos se tornaram a única janela que mantinha Bauby em contato com o mundo, e foram os olhos que o mantiveram vivo, pela capacidade que tinham de substituir qualquer palavra que pudesse ser dita. Aprender a observar, notar, analisar, prestar atenção em todos os detalhes fazem parte da construção dessa profissão, e quem não conseguir perceber isso, poderá ficar preso dentro do escafandro, sem poder sequer encontrar um meio de dizer ao mundo que está aqui.

Ouço o barulho do mar

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[Relato de Mayara Francine Silva, estudante de Jornalismo do Ielusc, em atividade que desafiou a turma a descrever uma cena cotidiana vista com "outros olhos"]

O portão de alumínio quase me ensurdece. Caminho uns passos e ouço o barulho do mar. Está calmo hoje, penso. Então observo a rua de terra. Batida, poeirenta, quem sabe simpática por me deixar pisar nela todos os dias. A direção pra onde olho é o rude chão, por onde, penso, já passaram pés de todos os lugares, tamanhos e importâncias. Pés limpos, descalços, sujos de areia, de terra, calçados com um chinelo arrebentado, o tênis maneiro do rapaz, a sandália bacana da menina. Consigo imaginar também aqueles pés que parecem sérios, cheios de graxa, e tudo mais. Recordo-me daquelas cenas de filmes e novelas do moleque engraxate deixando o tênis do moço sempre belo e lustroso, e ganhando uma bela recompensa por isso. Coloco na cabeça: moços com sapatos engraxados devem ser importantes!

As marcas dos pés despertam meu interesse. Pés miúdos, que mal aprenderam a andar, marcam o chão que piso, assim como pés que caminham em passos largos: uma corrida, talvez…? Ficaria horas analisando as pegadas de sujeitos desconhecidos, não fosse a pressa de pegar um ônibus. Quase piso no resultado de uma combinação de comida, restos mortais de um rato e areia. Um cocô de cachorro, suponho. Entro no chão móvel do meu meio de transporte diário. Chicletes, copos e pacotes plásticos contextualizam o chão de ônibus. É duro não ter notado isso antes.

Pela janela, avisto aquelas pessoas simples, que passam e soltam aquele sonoro: “Boa tarde!”, é uma pena estar passando a alguns quilômetros por hora. A poeira continua, deixando a visão fosca para as fachadas das casinhas de madeira ao longo da estrada. Vejo chapéus de palha, enxadas na mão, palheiros na boca. Incrível como a simplicidade me comove! Mais adiante, mais pés miúdos, dessa vez correndo em disparada, para não perder o ônibus escolar. Um olhar distante me fita, e com o queixo apoiado na janela, presencia o acontecimento que é o ônibus passar por aquelas bandas, empoeirando os lugares por onde avança. Enfim chega o chão duro e preto traçado de amarelo. Agora só as árvores me acompanham ao longo da estrada. Tenho sono e acabo adormecendo.

Ao abrir os olhos, já é a cena urbana que se mostra pela janela. Desço do meio de transporte coletivo, e quando piso no chão, já estou em outra cidade. Pressa, correria, distanciamento. E aí já não consigo analisar os pés que se põe no meu caminho. Agora eles não deixam marcas na areia. As pessoas estão muito ocupadas para se preocupar com qualquer coisa. A poeira já não é poética, é irritante. As pessoas já não dizem um coletivo Boa tarde, sussurram entre elas sobre seu modo de vestir. Aumentam o número de sapatos engraxados, mas agora eu não os acho tão importantes. Descubro que meus olhos podem enxergar mais do que o ‘arreio’ cotidiano me permite. Mas às vezes enxergar tanta hipocrisia, falta de compaixão, descompromisso e ignorância sem poder fazer nada não faz bem pra retina. Não pra minha.

Petrobras reforça perfil ambiental

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[Na aula de Comunicação Institucional do Ielusc, os alunos foram convidados a estudar a atuação da Petrobras em diferentes aspectos da comunicação. Aqui, o relato da equipe que tratou de ações e práticas voltadas à preservação ambiental, composta pelos colegas Tiago Santos, Sidney Azevedo, José Eduardo Calcinoni e Emanuelle Carvalho]

A Petrobras é uma empresa com forte presença na questão ambiental. Atua em várias frentes relacionadas a iniciativas de preservação ambiental, incluindo uma parceria com Agenda 21, instrumento global de que as nações dispõem para formalizar e padronizar projetos ambientais locais e comunitários. A Petrobras utiliza esse recurso para mobilizar as comunidades vizinhas às bases instaladas no Brasil.

Conpet é um programa da empresa que visa à racionalização dos derivados do uso do petróleo e gás natural. Existem vários projetos dentro desse programa, o programa brasileiro de etiquetagem veicular, por exemplo, que indica dados sobre o consumo e eficiência energética nos modelos de veículos que saem de fábricas.
O programa Petrobras Ambiental patrocina projetos ambientais do Brasil inteiro engajados em uma temática específica. De 2003 a 2008, a empresa investiu 150 milhões de reais em projetos comunitários. Em 2008, investiu 3,6 milhões em projetos sobre o tema “Água e Clima: contribuições para o desenvolvimento sustentável”.

A província petrolífera do Urucu é um dos carros-chefes da empresa em se tratando de desenvolvimento sustentável respeitando os valores culturas. No site, há um link que leva a uma apresentação em flash de toda a atuação da empresa na Floresta Amazônica, na região de Urucu. Salienta-se sempre a preocupação em explorar os recursos minerais no centro da Amazônia sem, para isso, comprometer a vida natural e cultural da região.

Nossa equipe observou que um das maiores preocupações da empresa é a de transmitir a imagem de exploração sustentável, por meio da qual se usa a tecnologia para preservar culturas e meio ambientes.

Alinhar-se em torno de uma ideia

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Valmir Fernando da Silva, estudante de Jornalismo do Ielusc

O texto “O cidadão em primeiro lugar”, do livro “De cara com a mídia”, de Francisco Viana, abre a mente do leitor para os caminhos a que a comunicação institucional leva. A visão do autor revela detalhes relevantes que conduzem ao sucesso ou fracasso de uma empresa.

Se, em 1592, surgia o venerado William Shakespeare, já um sábio comunicador, que desbancava seus concorrentes e atraia a atenção do público, qual será o segredo para as pessoas, empresas, negócios atingirem resultados positivos hoje? Viana mostra em exemplos, como o do talentoso dramaturgo de outrora, o que é “fazer diferente”. Porém, não apenas se diferenciar, mas convencer a si própria (por meio da comunicação interna) que os integrantes de uma determinada organização estão alinhados em torno da mesma ideia.

As empresas vêm aumentando o diálogo com a sociedade e com os funcionários, mas a relação com a mídia tende a melhorar ainda mais. Com o advento da internet, entre outros suporte tecnológicos, torna-se vital que a empresa fale uma só língua, ou seja, transmita o que realmente é e faz, tanto na comunicação direta com os empregados quanto com a sociedade e a imprensa.

A falta de planejamento em comunicação leva muitos negócios à falência. A corda que amarra todos pontos de uma empresa é a credibilidade. E quem tem credibilidade são os líderes de mercado. Mas um detalhe importante: para que a corda funcione, é preciso utilizar fios mais finos (as formas da comunicação). E depois entrelaçá-los. Tal processo deriva na boa comunicação. Mas essa não é tarefa simples. Cada empresa deve no dia a dia interagir com o público e com seus empregados e principalmente com a mídia. Tendo o controle sobre esses três atores, o sucesso fica mais próximo. Com os fios finos (comunicação) gerando a forte corda (credibilidade), falta o um último toque, na dica de Viana, a sensibilidade.

Comunicar e se “tornar humano”

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Eduardo Schmitz, estudante de Jornalismo do Ielusc, sobre o filme “O Escafandro e a Borboleta”

A princípio, o filme traz duas grandes reflexões: a vontade do protagonista de se manter “comunicando” e a forma como ele passa a enxergar os acontecimentos à sua volta. Assim como nos relatos feitos pelos alunos, o filme mostra de certa forma a importância de escrever, de deixar registrada uma história. Além disso, a escrita se tornou o grande combustível da vida do jornalista.

E a segunda experiência, de se tornar humano, também é crucial para o personagem. Ter a capacidade de ver através dos fatos é algo que poucos conseguem. Mas, como pode ser interpretado pela história, a incapacidade do jornalista de se expressar deu a ele a possibilidade de destinar mais sua atenção a outras características que antes passavam despercebidas.

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