Informação é coisa séria!

Prêmio movimenta o setor literário de Joinville

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(Ana foi participar de uma aula de Redação Jornalística no Ielusc. Falou sobre o prêmio literário. Aqui, um dos textos produzidos pelos alunos a partir da conversa.)


Hassan Farias

Ivan Lemke, Melanie Peter, Clotilde Zingali, Robson Passos e Daniele Silveira. Nomes aparentemente desconhecidos, mas com algo em comum: todos foram vencedores do Prêmio Joinville de Expressão Literária. Iniciado em 2004, o concurso tem o intuito de garimpar novos talentos e valorizar os escritores joinvilenses. O prêmio, que impulsiona a produção literária da cidade, chega à 7ª edição e está aberto a contos, crônicas e poesias de autores de Joinville e região. As inscrições vão até 29 de outubro.

Promovido pela agência Mercado de Comunicação em parceria com a Univille, o evento foi idealizado pela jornalista e cronista Ana Ribas Diefenthaeler. Ela diz que sempre teve “uma relação visceral com a literatura” e se diz muito orgulhosa ao constatar que sua iniciativa contribuiu para o surgimento de muitos nomes na literatura joinvilense. Ana conta que pessoas que se inscreveram no concurso sem maiores pretensões “acabaram se descobrindo na literatura”. Clotilde Zingali é um exemplo. A escritora paulista, que já lançou três livros, concorreu em 2005, quando ganhou o 1º lugar na categoria poesias com “Anamnese”. Na terceira edição, em 2006, recebeu menção honrosa na categoria contos.

A coordenadora entende que a dificuldade de motivar mais escritores e grandes nomes surge de um problema histórico do Brasil. A população não lê e, consequentemente, não escreve. Para ela, Joinville passou por mudanças significativas em seu próprio perfil e vem aumentando aos poucos a oferta de opções culturais, mas a dificuldade em encontrar patrocínio ainda é grande. As empresas que apoiam esse tipo de projeto podem, em alguns casos, abater o investimento em impostos, mas, na opinião da jornalista, em Joinville elas continuam visando unicamente ao lucro. Porém, Ana defende que os artistas não podem depender apenas de empresas. “A classe artística não pode se acomodar e tem que encontrar outras formas de arrecadar dinheiro”, defende.

Além de revelar novos nomes e premiar os melhores textos, o concurso também prevê o lançamento de um livro a cada dois anos com os melhores trabalhos. No ano passado, houve o recorde de participações, com cerca de 400 textos inscritos. A meta para este ano é de 300 trabalhos, o que corresponde à média anual. Até 2008, o prêmio contava também com a categoria escolar, mas, com a perda de patrocínio, ela foi extinta. Neste ano, o limite de idade caiu de 16 para 12 anos, justamente para contemplar esses autores prejudicados com a saída da categoria. Qualquer pessoa de Joinville e região pode participar. O primeiro colocado receberá R$ 1.100, o segundo, R$ 550, e o terceiro, R$ 330. Além disso, serão entregues menções honrosas aos trabalhos que se destacarem em todas as categorias.

Para participar, serão aceitos no máximo três trabalhos por pessoa. Os textos devem ser entregues na Univille ou na Mercado de Comunicação, rua Uruguai, 253, no bairro Floresta, em envelopes fechados. Inscrições por e-mail não serão aceitas.

Quando a comunicação se torna estratégia do outro lado

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Reflexões produzidas para a disciplina de Assessoria de Comunicação, no Ielusc, pela acadêmica Jaqueline Mello.

Médicos têm fama de desejar ser Deus, jornalistas constroem a fama de ser Jesus Cristo. Alguns dizem ser martirizados, sofrer com a profissão, ter que adivinhar futuras armações contra seu trabalho ou boicotes às suas matérias. Dizem que passam horas nas ruas correndo atrás de informação, conversando com as fontes e, algumas vezes, tentando convencê-las a dizer algo que não querem, ou a liberar uma informação que gostariam de conter. Mas o pedantismo está em todas as profissões e o deixaremos de lado porque o que nos interessa nesse momento é discutir a relação dos jornalistas com as fontes.

Nilson Lage, professor de jornalismo na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), diz que as fontes de informação são treinadas para desempenhar seu papel. Outrora, os jornalistas ouviam funcionários públicos, diretores de empresas, gerentes ou qualquer pessoa que pudesse falar sobre eventos de interesse público. As reportagens eram feitas consultando fontes não institucionais. Os jornalistas tentavam reconstituir a realidade a partir de testemunhos pessoais. Com o tempo, os contatos com instituições passaram a ser feitos por via institucional, muitas vezes por meio de assessores de imprensa.

Mas a desconfiança começava a surgir sobre a veracidade das informações ou liberação destas para sociedade. Lage diz que o incremento das assessorias despertou o receio de que isso pudesse limitar o movimento dos jornalistas e os submeter a uma espécie de censura da informação na origem. Ao contrário, foi o que contribuiu para a profissionalização das fontes. Surgiu a necessidade de treinar as pessoas que seriam responsáveis em transmitir informações sobre empresas e demais instituições. Para, assim, fortalecer a comunicação institucional e evitar futuros problemas causados por uma informação que não deveria ser fornecida, que somente pertencesse à empresa ou que pudesse causar “caos” na sociedade.

As fontes profissionalizadas normalmente liberam apenas a informação que sabem poder liberar. Comunicam à imprensa apenas o que o assessor de imprensa as aconselhou a contar. Claro que, uma vez ou outra, podem deixar escapar alguma informação que seria apenas de interesse da empresa. Nesse momento, cabe ao jornalista balancear essa informação e ver se realmente tem importância social e o que poderia causar à sociedade se fosse publicada. Quando isso ocorre, é a vez do jornalista usar a ética.

O assessor de imprensa também tem o dever de se manter dentro dos padrões éticos do jornalismo, porque ele é também um jornalista, e assim deve primar pela veracidade das informações, a independência, a objetividade e a prestação de serviços. Citado em “As teorias e as fontes”, Adelmo Genro Filho comenta o surgimento das teorias do jornalismo, trazendo Pierre Bourdieu (1997) para a discussão e a articulação com os campos políticos e social que estavam sujeitos às relações comerciais, ações jornalísticas, pressões dos públicos e mesmo aos interesses políticos, sociais ou culturais. Assim, nascem as teorias do agendamento, da produção e da seleção de notícias e, a partir desse momento, as fontes começam a receber treinamentos para interferir no jornalismo, estando cientes do que seria noticiabilidade, questões éticas ou relacionamento com o público.

A fonte que recebe treinamento consegue se comunicar bem com o jornalista, tem desenvoltura e geralmente responde objetivamente ao que o jornalista pergunta, facilitando o trabalho e agilizando o processo de produção das matérias. Quando o jornalista precisa de uma fonte especializada, ele já sabe a quem recorrer, vai geralmente a uma fonte treinada, uma fonte capacitada. Porém, esse treinamento pode dificultar também o acesso do profissional a informações importantes.

O conhecimento da fonte pode bloquear determinadas informações que seriam de interesse público ou a fonte com conhecimento sobre as questões de noticiabilidade, objetividade e interesse público pode usar o jornalista a seu favor para a divulgação de algo de seu interesse e não necessariamente de interesse público.

Em “Jornalismo na Fonte”, Carlos Chaparro fala sobre a necessidade de se organizar e qualificar as fontes. Ele diz: “Um bom assessor de imprensa tem sempre atrás de si, na instituição, um elenco de fontes qualificadas”. Como fontes qualificadas, Chaparro classifica os executivos e especialistas em determinados assuntos. Chaparro acredita que o ideal é manter essas fontes que podem facilitar o trabalho do jornalista, pois, em uma emergência, ele saberá a quem recorrer. Para ele, essa organização não surge de um dia para outro, é preciso que o jornalista mantenha contato com a fonte e que essa esteja disponível quando necessário. Chaparro é a favor do treinamento das fontes para que facilite o trabalho da imprensa.

O jornalista Aldo Schmitz sugere uma divisão das fontes para sua melhor compreensão. Ele as classifica como primárias e secundárias. E as subdivide em oficial, empresarial, institucional, individual, testemunhal, especializada e referencial (documentos). Comenta também que as fontes são proativas, que participam da informação, sugerindo pautas, por exemplo; ativas; que interagem com o jornalista; passivas, que respondem ao que foi perguntado, sem interferir diretamente; e relativa, que não querem se envolver. Também podem ser identificadas ou anônimas. Confiáveis, fidedignas ou duvidosas.

A questão é: a fonte treinada pode tanto auxiliar no trabalho jornalístico quanto torná-lo cômodo, ou a favor da fonte. Caberá ao jornalista perceber quando a comunicação se torna estratégia do outro lado, ou seja, uma estratégia da fonte.

O cidadão que tem voz e vez

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[Retomando a publicação de reflexões elaboradas por estudantes de Jornalismo do Ielusc, vai a da Priscila Farias Carvalho, a partir do conteúdo do artigo "O Cidadão em primeiro Lugar", que abre o livro de Francisco Viana, "De Cara com a Mídia"]

O autor Francisco Viana faz um recorte do contexto em que se estruturou a Assessoria de Comunicação no Brasil para analisar o cenário atual no país. Segundo Viana, por volta da década de 1930, ocorreu a multiplicação das empresas industriais e de serviços, que mantinham posições ideológicas voltadas para o comunismo ou para o capitalismo. Não havia preocupação com a opinião pública naquele instante.

Porém, a partir do século 21, o cidadão passa a ter voz e poderes sobre o mercado. Aos poucos, a oferta de produtos e serviços cresce. E, com tanta variedade, a intensa concorrência foi inevitável. Ao mesmo tempo, a legislação que protege o consumidor evoluiu, mas não alterou a falta de interesse das empresas com o cidadão.

Nos tempos atuais, para que “sobreviva” no mercado, uma empresa precisa dialogar com a sociedade. E o elo para essa trama é a comunicação. É um imperativo ter uma estrutura de comunicação funcional e ativa, que mantenha a coerência entre cidadão, mercado e sociedade.

Para Viana, uma Assessoria de Comunicação precisa de uma estratégia de ação focada na dinâmica do mundo atual. O fluxo de informações tornou-se maior e mais ágil em detrimento da evolução tecnológica. Com isso, a sociedade deixou de ser apenas uma espectadora para tornar-se participante e, consequentemente, cada vez mais criteriosa.

Hoje, o consumidor opina, influi e decide. As empresas e consultorias de comunicação terão que se adaptar a essa nova realidade. É fundamental que a Assessoria tenha uma visão ampla sobre si, seus concorrentes e o contexto em que atua, para traçar uma estratégia de ação e consolidar o assessorado no mercado. Nesse sentido, um bom Plano de Comunicação desperta mais interesse do público-alvo, que se torna cativo pelo gosto.

Credibilidade é um fator imprescindível para a boa comunicação. Mas não é só ela que garante o sucesso de um Plano de Comunicação. Por exemplo, não adianta enviar uma montanha de releases para o mesmo mailing. Só vai acumular nas caixas de entrada de endereços eletrônicos. Selecionar para quem e o que enviar é uma boa estratégia. Quando um recurso como esse é mal utilizado, coloca em risco a credibilidade, entendida aqui como a base que sustenta a imagem e a reputação da empresa.

Entretanto, é importante ressaltar que uma boa comunicação institucional deve ser muito forte com seu público interno, para sempre ter o que comunicar. Se o relacionamento com os colaboradores não for bom, tampouco será com o público externo. É um dos muitos fios que compõem a trama da comunicação institucional, que se torna independente se o todo estiver em harmonia.

De volta aos projetos

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Recomeçamos a disciplina de Assessoria de Comunicação no Ielusc. Momento de definir o foco dos projetos que serão desenvolvidos ao longo do semestre, estudar a realidade das empresas “clientes”, mergulhar em universos novos para os acadêmicos e, aos poucos, compreender a relevância da comunicação como instrumento que promove relacionamentos. Entre os temas já definidos, estabelecimentos de comércio, um grupo de teatro, uma igreja e uma entidade desportiva. Afinal, todas precisam se comunicar…

A arte de ser jornalista

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Ana Luiza Abdala José, estudante de Jornalismo do Ielusc, em relato a partir do filme “O Escafandro e a Borboleta”

Um jornalista pode ter talento, mas ele não exerce bem sua função se não for um bom observador e não souber usar a memória. Para escrever, não basta ter mãos. É preciso muito mais que isso. Primeiramente, é preciso observar o mundo com outros olhos, observar um mundo que os outros não conseguem ver.

Para escrever, são necessários dedicação e inspiração. Inspiração essa que alguns têm ao ouvir música, ao ler um livro ou um jornal, ao ver um filme. Para alguns, é preciso passar por uma situação difícil para querer colocar as emoções no papel.

Como no filme, algumas pessoas só passam a enxergar um mundo diferente quando não podem mais fazer parte de seu próprio mundo. É a partir daí que podem surgir muitas novas ideias. Mas, como dito no filme, “um texto não existe até que seja lido”. Não adianta escrever ótimos textos e mantê-los em segredo. A magia da escrita está justamente nessa conexão com o leitor.

Emoções podem ser transformadas em palavras, fatos do cotidiano podem virar textos, mas se não forem lidos será como se não existissem, como se fossem relatos seus para você mesmo. Seria o mesmo que escrever uma música e não ter ninguém para ouvi-la, produzir um filme e não ter ninguém para vê-lo.

Um jornalista quer escrever tudo o que vê, sempre que puder. E, para ser um jornalista completo, precisa de alguém para ler o que escreve. E o jornalista tem que fazer o possível para se conectar com o leitor. Até porque, o que seriam dos jornalistas sem os leitores?

Em busca da humanização

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Emanoele Girardi, estudante de Jornalismo do Ielusc

O jornalismo impresso ainda tem esperanças de sobreviver numa época em que a internet está muito à frente quanto à instantaneidade. Um dos grandes problemas do jornalismo diário reside no fato de que muitos desses veículos de informação têm uma ideia fechada e errônea sobre a profissão. No Brasil, por exemplo, dificilmente são vistos jornais que façam matérias mais elaboradas, com profundidade e humanização. A preocupação principal é o factual. Tudo porque não se percebe que matérias humanizadas conquistam mais leitores do que simplesmente a narrativa dos fatos que já foram explorados por outras mídias.

Os jornais têm que desenvolver cada vez mais habilidades para que os jornalistas mereçam esse nome, honrem a profissão. Se for para reunir informações que a internet publicou no mesmo minuto do ocorrido, realmente não é preciso ser um jornalista. É necessário olhar para frente e para dentro, buscar sempre instigar o leitor, encorajá-lo a ler.

Ainda é pouco, mas o novo jornalismo está buscando a humanização, o envolvimento dos leitores, as “histórias bem-contadas”, essas que realmente fazem a diferença na vida de quem as lê e na de quem as escreve. A tentativa de acrescentar reportagens mais longas nas publicações diárias é, além de uma forma de valorizar boas histórias, entender que o que o jornal precisa são boas leituras, aquelas que o jornalista tem que correr atrás das pessoas, como diria Gay Talese, “sujar os sapatos” para descobrir, entender, aprender e repassar. O mundo está cheio de boas histórias para ser descobertas ou desenvolvidas.

Reflexões sobre fontes e assessorias

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[Texto da estudante de jornalismo Patrícia de Melo, do Ielusc]

Algumas questões perturbadoras me fizeram pensar sobre os inúmeros releases que abarrotam minha caixa de entrada de e-mails todos os dias, inclusive nos finais de semana: o que, em todo este conteúdo, é material de qualidade? Quem são estas fontes? O que faz com que acreditem que eu me interesso pelo que elas têm a me dizer?

Confesso que, por diversas vezes, recorri desesperadamente a esses desconhecidos e nesses momentos percebi, com certo desconsolo, que nem sempre eles supriam a minha carência de informações. Não que eu quisesse publicá-las do modo como recebi, sei bem que elas devem atender a mim e não ao leitor final, mas em certas ocasiões não encontrei naquelas linhas subsídio suficiente nem ao menos para defender a ideia de que aquilo poderia, como se costuma dizer, “render”. Mas o estalo para pensar sobre esses intermediadores de conteúdo veio com a palestra de Aldo Schmitz, um jornalista formado em administração e que dedica seu tempo a pensar a questão da profissionalização das fontes.

Não fui a primeira e, como percebo no jornal diário, também não serei a última. Uma análise, ainda que apressada em comparação com os releases enviados e as matérias produzidas, independente do veículo, mostra a forte utilização dos materiais encaminhados pela assessoria de imprensa. Esse cenário revela a situação de interdependência entre esses dois profissionais de comunicação. O jornalista precisa estar sempre amparado por informações atuais e de qualidade, conteúdo este que se torna mais próximo com a atuação do assessor de imprensa, que ao traçar estratégias eficazes de comunicação abre as portas para seu assessorado. Na rotina do jornalista, o escasso tempo de produção, e a necessidade de noticiar aquilo que a concorrência noticiará, torna imprescindível o trabalho conjunto com os assessores. Este último profissional precisa estar ciente de como funciona o ritmo de trabalho do jornalista: o horário de fechamento do jornal, o que é noticia, qual linguagem é a mais interessante, o que de fato é relevante.  Esses elementos, se bem trabalhados, aumentam as chances de todo o movimento do assessor ter sucesso. Mas então por que não se pensar em quem são estas fontes? Aldo propõe que reflitamos sobre elas.

Ora, se são elas fatores importantes do nosso cotidiano, então é preciso que saibamos o que elas entendem que, para o jornalista, é interessante. Um assessor bem orientado não disparará conteúdo indevidamente, invalidando toda a ação, mas traçará estratégias e métodos orientados segundo uma lógica que facilitará a chegada das informações aos jornais, e, por fim, ao público. Afinal, apenas por meio de muitas visões é que será possível a diversidade de discursos. E essa possibilidade se torna cada vez mais real com a capacitação dessas fontes, pois conhecendo o funcionamento da imprensa se torna mais fácil inferir nesses processos.

O assessor qualificado será capaz de elaborar bons textos e chamar a atenção para o fato que apresenta, além de prestar um atendimento atencioso e eficaz ao jornalista, inclusive indicando quem está apto para falar sobre tal tema. Abrindo novas possibilidades e não, como se fazia antigamente, dificultando o fluxo de informações.

Outro ponto que considerei muito interessante na fala de Aldo é a posição do assessor, que deve estar sempre disposto a oferecer dados, prestar auxilio, mostrar-se prestativo e agir preparado para as investidas da imprensa. A profissionalização das fontes torna mais fácil o trabalho do jornalista, pois ele entende de que modo aquele profissional se comporta e quais as urgências dele.

É importante entender que o assessor está a serviço de uma empresa, governo, instituição, e que ele não precisa trabalhar com critérios como imparcialidade e neutralidade, por exemplo, este esforço utópico cabe ao jornalista, que deve repassar as informações recebidas tratando dos diversos fatores nele envolvidos. Também não cabe ao assessor fazer propaganda para a instituição a que serve, é dever dele extrair o que é notícia daquele campo e torná-la comum a todos. Através desse diálogo entre a assessoria e a redação é possível levar à sociedade uma realidade que não está acessível a ela, contribuindo para que se torne cada vez mais  democrática. Essa relação pode ser vantajosa para todos os envolvidos: o assessor, que dará visibilidade ao assessorado, ao jornalista, que terá seu trabalho facilitado, e a sociedade que terá cada vez mais informação de qualidade. E para o sucesso deste processo não cabe ao jornalista apenas aguardar o contato, pode ele buscar um diálogo com o assessor, o que poderá render excelentes pautas.

Empresa Júnior projeta aparelho para deficientes físicos

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(Press-release divulgado esta noite pela assessoria de imprensa acadêmica da Empresa Júnior, da Udesc, formada por estudantes do sétimo período de Jornalismo do Ielusc)

Equipamento auxilia pessoas com dificuldades motoras a caminhar

26-05-2010

Melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência física é o principal objetivo do Projeto Naipe, que está sendo desenvolvido pela Empresa Júnior Joinville (EJJ), pertencente à Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Um protótipo do equipamento que auxilia o desenvolvimento da habilidade motora em deficientes físicos parciais será finalizado em cerca de um mês e seguirá para teste realizado com pacientes do Núcleo de Assistência Integral ao Paciente Especial (Naipe), em Joinville.

O núcleo de assistência solicitou a execução do projeto, desenvolvido por alunos da universidade que integram a Empresa Júnior. O estudante Thago Baur, líder do núcleo de engenharia mecânica da empresa, afirma que “o projeto está em fase de dimensionamento de produto”, na qual são realizados cálculos para execução do equipamento. Além de Thiago, Augusto Moratelli também é responsável pelo desenvolvimento do aparelho, assim como demais alunos e integrantes da EJJ, orientados pelo professor Fernando Lafratta.

A iniciativa ainda não tem patrocínio. Algumas das peças que serão utilizadas na montagem do equipamento devem ser doadas pela Fundição Tupy . O aparelho será totalmente desenvolvido pelos voluntários da EJJ e não deve gerar despesas para o Naipe, já que seu sistema é todo mecânico.

Sobre a EJJ

A Empresa Júnior é uma associação sem fins lucrativos gerenciada por alunos de instituições de ensino superior, ligada a um projeto surgido na França. Em Joinville, o objetivo da empresa é complementar a formação dos estudantes por meio da aplicação do que é ensinado em sala de aula e estimular o empreendedorismo no ambiente acadêmico.

A Empresa Júnior Joinville (EJJ) existe desde 1996, realizando projetos e consultorias nas áreas de Engenharia Mecânica, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia de Produção e Ciências da Computação, todos os cursos da Udesc de Joinville. Os serviços são orientados pelos professores da universidade.

IMPRENSA

Thiago Baur, líder do núcleo de engenharia mecânica
Telefone: (47) 9932-7758
E-mail: thiagobaur@gmail.com

Assessoria de Comunicação Acadêmica
Débora Kellner – (47) 9932 -7758

Professor responsável: Guilherme Diefenthaeler

O olhar atento de um jornalista

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(Comentário do estudante de Jornalismo Sandro Gomes, depois de assistir ao filme “O Escafandro e a Borboleta)

História verídica, o filme “O Escafandro e a Borboleta” narra a metamorfose vivida pelo jornalista francês Jean Dominique Bauby, um dos mais conceituados editores de moda da revista Elle Magazine. Após sofrer um AVC, ele perde os  movimentos do corpo, quase que em sua totalidade. Apenas os olhos se movimentam. Como se não bastassem toda a dor e o  sofrimento, um médico entende que o olho direito está “morto” e decide costurá-lo, ante a recusa inócua e o desespero silencioso do jornalista. Pelo olhar que lhe resta, Bauby consegue ditar um livro de rara beleza, leveza e sensibilidade.

 Com piscadelas, que se assemelham ao farfalhar das asas de uma borboleta, Dominique reaprende a se comunicar, graças à paciência e persistência de sua fisioterapeuta. Para a sorte do ex-editor, ela o usa como cobaia para desenvolver uma espécie de código morse. No lugar de acender e apagar uma luz diversas vezes, em tempos diferentes, o método consiste em piscar a pálpebra esquerda quando se alcança uma letra desejada do alfabeto. Um piscar para dizer “sim”, dois para “não”. E assim, letra a letra, nasce o livro “O Escafandro e a Borboleta”, que depois virou filme.

Dessa maneira sutil e emocionante, o jornalista consegue dar vazão a um turbilhão de sentimentos represados desde o dia em que se viu  imobilizado pelo acidente cerebral. Mergulha em seus pensamentos feito um legítimo escafandrista, solitário na imensidão de um mar de ilusões que conquistou no decorrer de sua existência, agora perceptivelmente vazia e supérflua. Como dizia, suas memórias, a alma e a imaginação eram suas últimas e verdadeiras relíquias.

Cercado por modelos e manequins, Dominique passou a maior parte da vida em meio à produção de editoriais de moda. Viveu todo o glamour que sua posição lhe permitia almejar. Festas em mansões, os melhores vinhos, champanhes, carros de luxo, belas mulheres, fama e dinheiro. Depois do AVC, viu-se sozinho, com raras aparições de seus, até então, inseparáveis amigos. “Cada qual tem sua própria cegueira”, dizia, no auge de sua nova forma de enxergar o mundo.

Jean Dominique percebe que tem sido um “cego” a vida toda. Deixa seus dias passarem sem realizar o que mais deveria, de render-se a um amor avassalador ou descobrir novos mundos. Com a limitação que lhe aplaca numa cama, primeiro quis morrer, depois decide  parar de ter pena de si próprio e descarrega sua metralhadora em rajadas de olhares. Dez dias após a publicação do livro, o jornalista morre, em 9 de março de 1997.

 Sua trajetória e exemplo de vida, servem como um pequeno alerta para a forma com que nos expressamos ou reagimos diante das pequenas dificuldades. Temos tudo e ao mesmo tempo tão pouco fazemos. Bloqueamos nossa sensibilidade, damos desculpas, sempre a falta de tempo, a dor de cabeça, a família ou o dinheiro que nos escapa feito areia escorrendo na ampulheta.

Assistindo ao “Escafandro e a Borboleta”, vi outro filme, paralelamente. Me dei conta de quantas coisas quis fazer e não as fiz. Quantas palavras quis dizer. Quantos beijos e abraços ficaram guardados, por medo ou altivez, vergonha. Ainda há tempo para escrever tudo o que propomos, fazer teatro, aprender clarinete, sair por aí, em busca de novos desafios, viver.

Comunicação integrada na prefeitura de Joinville

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[Considerações sobre o sistema organizacional da secretaria de comunicaçãoda prefeitura de Joinville à luz do texto Relações Públicas e a Filosofia da Comunicação Integrada, de Margarida Kunsch. Trabalho escrito por Sidney Azevedo, estudante de Jornalismo do Ielusc]

Margarida Kunsch descreve um sistema de comunicação que parece ser o ideal para uma grande organização, ainda que seus princípios possam valer para entidades como ONGs, empresas de médio porte, pequenos municípios e sindicatos. Kunsch considera o objeto da comunicação organizacional como “o fenômeno comunicacional dentro das organizações no âmbito da sociedade global” (p. 149). O fenômeno abarca mais de um tipo de comunicação, e inclui: a comunicação interna (referente aos fluxos informativos dentro da própria instituição), a comunicação mercadológica (com o intuito direto de persuasão) e a comunicação institucional (aquela que visa promover a instituição ante os diversos atores sociais).

A secretaria de comunicação da prefeitura de Joinville propõe a si a meta de “fortalecer a imagem institucional do governo e ampliar e qualificar os canais de comunicação com os diversos públicos de relacionamento da gestão municipal”. A proposta comunicativa é voltada para a comunicação institucional, mas para um bom funcionamento dos órgãos relacionados à prefeitura é preciso pensar em termos de comunicação integrada. Segundo Kunsch, a integração corresponde à filosofia de “convergência” das áreas de comunicação, possibilitando uma “atuação sinérgica”. A prefeitura de Joinville tem 38 órgãos, aos quais os profissionais da secretaria chamam de “empresas”.

Para o atendimento de uma tal estrutura, em que cada parte tem diferentes necessidades, a secretaria cumpre o papel de difusão do fluxo geral de informações. O recebimento e a busca de informações feito pela secretaria só atinge o público (entendo que o público-mor da secretaria é o cidadão joinvilense) após grande esforço de contato interno e administrativo nas diversas áreas da prefeitura. Divide-se a secretaria em seis áreas, das quais três serão consideradas: gerência de imprensa, gerência de publicidade e propaganda e gerência de eventos e relações públicas. Aqui nós temos um interessante quadro que, descrito por Kunsch, parece promover a interpenetração dessas subáreas. A autora afirma que as “subáreas [são responsáveis] pela construção da credibilidade e pela fixação de um posicionamento institucional coerente e duradouro das organizações” (p. 166). Nesse sentido, a citação que ela faz de documento da Aberp demonstra o funcionamento organizacional da secretaria de comunicação da prefeitura: “Não acreditamos que haja, na área de comunicação, um profissional ecumênico. Acreditamos na comunicação integrada, ou seja, na atuação conjugada de todos os profissionais da área. Não há conflitos entre as diversas atividades: há somatória em benefício do cliente” (p. 151).

A estrutura da prefeitura parece ser um modelo real próximo desse sistema, à medida que as atribuições de cada subárea, no conjunto da estrutura, se voltarem para o cumprimento da meta. A subárea de relações públicas deve, entre outras coisas, organizar eventos, cerimônias e agendar as ações do prefeito. A publicidade deve cuidar das agências licitadas, comunicar-se com elas para que as campanhas sejam feitas de acordo com os objetivos institucionais, e buscar “a comunicação integrada de Marketing com Assessoria de Imprensa e Relações Públicas / Eventos / Cerimonial”. A assessoria de imprensa deve, por sua vez, dar visibilidade, em todos os canais e veículos públicos, às ações da prefeitura, não deixando o contribuinte ou a imprensa sem resposta.

O item destacado da função da publicidade deixa claro que a comunicação institucional da prefeitura deve ser integrada para chegar aos resultados almejados, ao “fortalecimento de seu conceito institucional, mercadológico e corporativo perante todos os seus públicos, a opinião pública e a sociedade” (p. 181).

Referências bibliográficas

KUNSCH, Margarida. Relações públicas e a filosofia da comunicação integrada. In: _______. Planejamento de relações públicas na comunicação integrada. São Paulo: Summus Editorial, 2002.

Os trechos atribuídos à secretaria de comunicação da prefeitura de Joinville foram extraídos de uma apresentação feita aos alunos do curso de jornalismo do Bom Jesus / Ielusc.

Mercado de Comunicação

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