Informação é coisa séria!

O cidadão que tem voz e vez

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[Retomando a publicação de reflexões elaboradas por estudantes de Jornalismo do Ielusc, vai a da Priscila Farias Carvalho, a partir do conteúdo do artigo "O Cidadão em primeiro Lugar", que abre o livro de Francisco Viana, "De Cara com a Mídia"]

O autor Francisco Viana faz um recorte do contexto em que se estruturou a Assessoria de Comunicação no Brasil para analisar o cenário atual no país. Segundo Viana, por volta da década de 1930, ocorreu a multiplicação das empresas industriais e de serviços, que mantinham posições ideológicas voltadas para o comunismo ou para o capitalismo. Não havia preocupação com a opinião pública naquele instante.

Porém, a partir do século 21, o cidadão passa a ter voz e poderes sobre o mercado. Aos poucos, a oferta de produtos e serviços cresce. E, com tanta variedade, a intensa concorrência foi inevitável. Ao mesmo tempo, a legislação que protege o consumidor evoluiu, mas não alterou a falta de interesse das empresas com o cidadão.

Nos tempos atuais, para que “sobreviva” no mercado, uma empresa precisa dialogar com a sociedade. E o elo para essa trama é a comunicação. É um imperativo ter uma estrutura de comunicação funcional e ativa, que mantenha a coerência entre cidadão, mercado e sociedade.

Para Viana, uma Assessoria de Comunicação precisa de uma estratégia de ação focada na dinâmica do mundo atual. O fluxo de informações tornou-se maior e mais ágil em detrimento da evolução tecnológica. Com isso, a sociedade deixou de ser apenas uma espectadora para tornar-se participante e, consequentemente, cada vez mais criteriosa.

Hoje, o consumidor opina, influi e decide. As empresas e consultorias de comunicação terão que se adaptar a essa nova realidade. É fundamental que a Assessoria tenha uma visão ampla sobre si, seus concorrentes e o contexto em que atua, para traçar uma estratégia de ação e consolidar o assessorado no mercado. Nesse sentido, um bom Plano de Comunicação desperta mais interesse do público-alvo, que se torna cativo pelo gosto.

Credibilidade é um fator imprescindível para a boa comunicação. Mas não é só ela que garante o sucesso de um Plano de Comunicação. Por exemplo, não adianta enviar uma montanha de releases para o mesmo mailing. Só vai acumular nas caixas de entrada de endereços eletrônicos. Selecionar para quem e o que enviar é uma boa estratégia. Quando um recurso como esse é mal utilizado, coloca em risco a credibilidade, entendida aqui como a base que sustenta a imagem e a reputação da empresa.

Entretanto, é importante ressaltar que uma boa comunicação institucional deve ser muito forte com seu público interno, para sempre ter o que comunicar. Se o relacionamento com os colaboradores não for bom, tampouco será com o público externo. É um dos muitos fios que compõem a trama da comunicação institucional, que se torna independente se o todo estiver em harmonia.

De volta aos projetos

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Recomeçamos a disciplina de Assessoria de Comunicação no Ielusc. Momento de definir o foco dos projetos que serão desenvolvidos ao longo do semestre, estudar a realidade das empresas “clientes”, mergulhar em universos novos para os acadêmicos e, aos poucos, compreender a relevância da comunicação como instrumento que promove relacionamentos. Entre os temas já definidos, estabelecimentos de comércio, um grupo de teatro, uma igreja e uma entidade desportiva. Afinal, todas precisam se comunicar…

A arte de ser jornalista

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Ana Luiza Abdala José, estudante de Jornalismo do Ielusc, em relato a partir do filme “O Escafandro e a Borboleta”

Um jornalista pode ter talento, mas ele não exerce bem sua função se não for um bom observador e não souber usar a memória. Para escrever, não basta ter mãos. É preciso muito mais que isso. Primeiramente, é preciso observar o mundo com outros olhos, observar um mundo que os outros não conseguem ver.

Para escrever, são necessários dedicação e inspiração. Inspiração essa que alguns têm ao ouvir música, ao ler um livro ou um jornal, ao ver um filme. Para alguns, é preciso passar por uma situação difícil para querer colocar as emoções no papel.

Como no filme, algumas pessoas só passam a enxergar um mundo diferente quando não podem mais fazer parte de seu próprio mundo. É a partir daí que podem surgir muitas novas ideias. Mas, como dito no filme, “um texto não existe até que seja lido”. Não adianta escrever ótimos textos e mantê-los em segredo. A magia da escrita está justamente nessa conexão com o leitor.

Emoções podem ser transformadas em palavras, fatos do cotidiano podem virar textos, mas se não forem lidos será como se não existissem, como se fossem relatos seus para você mesmo. Seria o mesmo que escrever uma música e não ter ninguém para ouvi-la, produzir um filme e não ter ninguém para vê-lo.

Um jornalista quer escrever tudo o que vê, sempre que puder. E, para ser um jornalista completo, precisa de alguém para ler o que escreve. E o jornalista tem que fazer o possível para se conectar com o leitor. Até porque, o que seriam dos jornalistas sem os leitores?

Em busca da humanização

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Emanoele Girardi, estudante de Jornalismo do Ielusc

O jornalismo impresso ainda tem esperanças de sobreviver numa época em que a internet está muito à frente quanto à instantaneidade. Um dos grandes problemas do jornalismo diário reside no fato de que muitos desses veículos de informação têm uma ideia fechada e errônea sobre a profissão. No Brasil, por exemplo, dificilmente são vistos jornais que façam matérias mais elaboradas, com profundidade e humanização. A preocupação principal é o factual. Tudo porque não se percebe que matérias humanizadas conquistam mais leitores do que simplesmente a narrativa dos fatos que já foram explorados por outras mídias.

Os jornais têm que desenvolver cada vez mais habilidades para que os jornalistas mereçam esse nome, honrem a profissão. Se for para reunir informações que a internet publicou no mesmo minuto do ocorrido, realmente não é preciso ser um jornalista. É necessário olhar para frente e para dentro, buscar sempre instigar o leitor, encorajá-lo a ler.

Ainda é pouco, mas o novo jornalismo está buscando a humanização, o envolvimento dos leitores, as “histórias bem-contadas”, essas que realmente fazem a diferença na vida de quem as lê e na de quem as escreve. A tentativa de acrescentar reportagens mais longas nas publicações diárias é, além de uma forma de valorizar boas histórias, entender que o que o jornal precisa são boas leituras, aquelas que o jornalista tem que correr atrás das pessoas, como diria Gay Talese, “sujar os sapatos” para descobrir, entender, aprender e repassar. O mundo está cheio de boas histórias para ser descobertas ou desenvolvidas.

Reflexões sobre fontes e assessorias

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[Texto da estudante de jornalismo Patrícia de Melo, do Ielusc]

Algumas questões perturbadoras me fizeram pensar sobre os inúmeros releases que abarrotam minha caixa de entrada de e-mails todos os dias, inclusive nos finais de semana: o que, em todo este conteúdo, é material de qualidade? Quem são estas fontes? O que faz com que acreditem que eu me interesso pelo que elas têm a me dizer?

Confesso que, por diversas vezes, recorri desesperadamente a esses desconhecidos e nesses momentos percebi, com certo desconsolo, que nem sempre eles supriam a minha carência de informações. Não que eu quisesse publicá-las do modo como recebi, sei bem que elas devem atender a mim e não ao leitor final, mas em certas ocasiões não encontrei naquelas linhas subsídio suficiente nem ao menos para defender a ideia de que aquilo poderia, como se costuma dizer, “render”. Mas o estalo para pensar sobre esses intermediadores de conteúdo veio com a palestra de Aldo Schmitz, um jornalista formado em administração e que dedica seu tempo a pensar a questão da profissionalização das fontes.

Não fui a primeira e, como percebo no jornal diário, também não serei a última. Uma análise, ainda que apressada em comparação com os releases enviados e as matérias produzidas, independente do veículo, mostra a forte utilização dos materiais encaminhados pela assessoria de imprensa. Esse cenário revela a situação de interdependência entre esses dois profissionais de comunicação. O jornalista precisa estar sempre amparado por informações atuais e de qualidade, conteúdo este que se torna mais próximo com a atuação do assessor de imprensa, que ao traçar estratégias eficazes de comunicação abre as portas para seu assessorado. Na rotina do jornalista, o escasso tempo de produção, e a necessidade de noticiar aquilo que a concorrência noticiará, torna imprescindível o trabalho conjunto com os assessores. Este último profissional precisa estar ciente de como funciona o ritmo de trabalho do jornalista: o horário de fechamento do jornal, o que é noticia, qual linguagem é a mais interessante, o que de fato é relevante.  Esses elementos, se bem trabalhados, aumentam as chances de todo o movimento do assessor ter sucesso. Mas então por que não se pensar em quem são estas fontes? Aldo propõe que reflitamos sobre elas.

Ora, se são elas fatores importantes do nosso cotidiano, então é preciso que saibamos o que elas entendem que, para o jornalista, é interessante. Um assessor bem orientado não disparará conteúdo indevidamente, invalidando toda a ação, mas traçará estratégias e métodos orientados segundo uma lógica que facilitará a chegada das informações aos jornais, e, por fim, ao público. Afinal, apenas por meio de muitas visões é que será possível a diversidade de discursos. E essa possibilidade se torna cada vez mais real com a capacitação dessas fontes, pois conhecendo o funcionamento da imprensa se torna mais fácil inferir nesses processos.

O assessor qualificado será capaz de elaborar bons textos e chamar a atenção para o fato que apresenta, além de prestar um atendimento atencioso e eficaz ao jornalista, inclusive indicando quem está apto para falar sobre tal tema. Abrindo novas possibilidades e não, como se fazia antigamente, dificultando o fluxo de informações.

Outro ponto que considerei muito interessante na fala de Aldo é a posição do assessor, que deve estar sempre disposto a oferecer dados, prestar auxilio, mostrar-se prestativo e agir preparado para as investidas da imprensa. A profissionalização das fontes torna mais fácil o trabalho do jornalista, pois ele entende de que modo aquele profissional se comporta e quais as urgências dele.

É importante entender que o assessor está a serviço de uma empresa, governo, instituição, e que ele não precisa trabalhar com critérios como imparcialidade e neutralidade, por exemplo, este esforço utópico cabe ao jornalista, que deve repassar as informações recebidas tratando dos diversos fatores nele envolvidos. Também não cabe ao assessor fazer propaganda para a instituição a que serve, é dever dele extrair o que é notícia daquele campo e torná-la comum a todos. Através desse diálogo entre a assessoria e a redação é possível levar à sociedade uma realidade que não está acessível a ela, contribuindo para que se torne cada vez mais  democrática. Essa relação pode ser vantajosa para todos os envolvidos: o assessor, que dará visibilidade ao assessorado, ao jornalista, que terá seu trabalho facilitado, e a sociedade que terá cada vez mais informação de qualidade. E para o sucesso deste processo não cabe ao jornalista apenas aguardar o contato, pode ele buscar um diálogo com o assessor, o que poderá render excelentes pautas.

Empresa Júnior projeta aparelho para deficientes físicos

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(Press-release divulgado esta noite pela assessoria de imprensa acadêmica da Empresa Júnior, da Udesc, formada por estudantes do sétimo período de Jornalismo do Ielusc)

Equipamento auxilia pessoas com dificuldades motoras a caminhar

26-05-2010

Melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência física é o principal objetivo do Projeto Naipe, que está sendo desenvolvido pela Empresa Júnior Joinville (EJJ), pertencente à Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Um protótipo do equipamento que auxilia o desenvolvimento da habilidade motora em deficientes físicos parciais será finalizado em cerca de um mês e seguirá para teste realizado com pacientes do Núcleo de Assistência Integral ao Paciente Especial (Naipe), em Joinville.

O núcleo de assistência solicitou a execução do projeto, desenvolvido por alunos da universidade que integram a Empresa Júnior. O estudante Thago Baur, líder do núcleo de engenharia mecânica da empresa, afirma que “o projeto está em fase de dimensionamento de produto”, na qual são realizados cálculos para execução do equipamento. Além de Thiago, Augusto Moratelli também é responsável pelo desenvolvimento do aparelho, assim como demais alunos e integrantes da EJJ, orientados pelo professor Fernando Lafratta.

A iniciativa ainda não tem patrocínio. Algumas das peças que serão utilizadas na montagem do equipamento devem ser doadas pela Fundição Tupy . O aparelho será totalmente desenvolvido pelos voluntários da EJJ e não deve gerar despesas para o Naipe, já que seu sistema é todo mecânico.

Sobre a EJJ

A Empresa Júnior é uma associação sem fins lucrativos gerenciada por alunos de instituições de ensino superior, ligada a um projeto surgido na França. Em Joinville, o objetivo da empresa é complementar a formação dos estudantes por meio da aplicação do que é ensinado em sala de aula e estimular o empreendedorismo no ambiente acadêmico.

A Empresa Júnior Joinville (EJJ) existe desde 1996, realizando projetos e consultorias nas áreas de Engenharia Mecânica, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia de Produção e Ciências da Computação, todos os cursos da Udesc de Joinville. Os serviços são orientados pelos professores da universidade.

IMPRENSA

Thiago Baur, líder do núcleo de engenharia mecânica
Telefone: (47) 9932-7758
E-mail: thiagobaur@gmail.com

Assessoria de Comunicação Acadêmica
Débora Kellner – (47) 9932 -7758

Professor responsável: Guilherme Diefenthaeler

O olhar atento de um jornalista

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(Comentário do estudante de Jornalismo Sandro Gomes, depois de assistir ao filme “O Escafandro e a Borboleta)

História verídica, o filme “O Escafandro e a Borboleta” narra a metamorfose vivida pelo jornalista francês Jean Dominique Bauby, um dos mais conceituados editores de moda da revista Elle Magazine. Após sofrer um AVC, ele perde os  movimentos do corpo, quase que em sua totalidade. Apenas os olhos se movimentam. Como se não bastassem toda a dor e o  sofrimento, um médico entende que o olho direito está “morto” e decide costurá-lo, ante a recusa inócua e o desespero silencioso do jornalista. Pelo olhar que lhe resta, Bauby consegue ditar um livro de rara beleza, leveza e sensibilidade.

 Com piscadelas, que se assemelham ao farfalhar das asas de uma borboleta, Dominique reaprende a se comunicar, graças à paciência e persistência de sua fisioterapeuta. Para a sorte do ex-editor, ela o usa como cobaia para desenvolver uma espécie de código morse. No lugar de acender e apagar uma luz diversas vezes, em tempos diferentes, o método consiste em piscar a pálpebra esquerda quando se alcança uma letra desejada do alfabeto. Um piscar para dizer “sim”, dois para “não”. E assim, letra a letra, nasce o livro “O Escafandro e a Borboleta”, que depois virou filme.

Dessa maneira sutil e emocionante, o jornalista consegue dar vazão a um turbilhão de sentimentos represados desde o dia em que se viu  imobilizado pelo acidente cerebral. Mergulha em seus pensamentos feito um legítimo escafandrista, solitário na imensidão de um mar de ilusões que conquistou no decorrer de sua existência, agora perceptivelmente vazia e supérflua. Como dizia, suas memórias, a alma e a imaginação eram suas últimas e verdadeiras relíquias.

Cercado por modelos e manequins, Dominique passou a maior parte da vida em meio à produção de editoriais de moda. Viveu todo o glamour que sua posição lhe permitia almejar. Festas em mansões, os melhores vinhos, champanhes, carros de luxo, belas mulheres, fama e dinheiro. Depois do AVC, viu-se sozinho, com raras aparições de seus, até então, inseparáveis amigos. “Cada qual tem sua própria cegueira”, dizia, no auge de sua nova forma de enxergar o mundo.

Jean Dominique percebe que tem sido um “cego” a vida toda. Deixa seus dias passarem sem realizar o que mais deveria, de render-se a um amor avassalador ou descobrir novos mundos. Com a limitação que lhe aplaca numa cama, primeiro quis morrer, depois decide  parar de ter pena de si próprio e descarrega sua metralhadora em rajadas de olhares. Dez dias após a publicação do livro, o jornalista morre, em 9 de março de 1997.

 Sua trajetória e exemplo de vida, servem como um pequeno alerta para a forma com que nos expressamos ou reagimos diante das pequenas dificuldades. Temos tudo e ao mesmo tempo tão pouco fazemos. Bloqueamos nossa sensibilidade, damos desculpas, sempre a falta de tempo, a dor de cabeça, a família ou o dinheiro que nos escapa feito areia escorrendo na ampulheta.

Assistindo ao “Escafandro e a Borboleta”, vi outro filme, paralelamente. Me dei conta de quantas coisas quis fazer e não as fiz. Quantas palavras quis dizer. Quantos beijos e abraços ficaram guardados, por medo ou altivez, vergonha. Ainda há tempo para escrever tudo o que propomos, fazer teatro, aprender clarinete, sair por aí, em busca de novos desafios, viver.

Comunicação integrada na prefeitura de Joinville

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[Considerações sobre o sistema organizacional da secretaria de comunicaçãoda prefeitura de Joinville à luz do texto Relações Públicas e a Filosofia da Comunicação Integrada, de Margarida Kunsch. Trabalho escrito por Sidney Azevedo, estudante de Jornalismo do Ielusc]

Margarida Kunsch descreve um sistema de comunicação que parece ser o ideal para uma grande organização, ainda que seus princípios possam valer para entidades como ONGs, empresas de médio porte, pequenos municípios e sindicatos. Kunsch considera o objeto da comunicação organizacional como “o fenômeno comunicacional dentro das organizações no âmbito da sociedade global” (p. 149). O fenômeno abarca mais de um tipo de comunicação, e inclui: a comunicação interna (referente aos fluxos informativos dentro da própria instituição), a comunicação mercadológica (com o intuito direto de persuasão) e a comunicação institucional (aquela que visa promover a instituição ante os diversos atores sociais).

A secretaria de comunicação da prefeitura de Joinville propõe a si a meta de “fortalecer a imagem institucional do governo e ampliar e qualificar os canais de comunicação com os diversos públicos de relacionamento da gestão municipal”. A proposta comunicativa é voltada para a comunicação institucional, mas para um bom funcionamento dos órgãos relacionados à prefeitura é preciso pensar em termos de comunicação integrada. Segundo Kunsch, a integração corresponde à filosofia de “convergência” das áreas de comunicação, possibilitando uma “atuação sinérgica”. A prefeitura de Joinville tem 38 órgãos, aos quais os profissionais da secretaria chamam de “empresas”.

Para o atendimento de uma tal estrutura, em que cada parte tem diferentes necessidades, a secretaria cumpre o papel de difusão do fluxo geral de informações. O recebimento e a busca de informações feito pela secretaria só atinge o público (entendo que o público-mor da secretaria é o cidadão joinvilense) após grande esforço de contato interno e administrativo nas diversas áreas da prefeitura. Divide-se a secretaria em seis áreas, das quais três serão consideradas: gerência de imprensa, gerência de publicidade e propaganda e gerência de eventos e relações públicas. Aqui nós temos um interessante quadro que, descrito por Kunsch, parece promover a interpenetração dessas subáreas. A autora afirma que as “subáreas [são responsáveis] pela construção da credibilidade e pela fixação de um posicionamento institucional coerente e duradouro das organizações” (p. 166). Nesse sentido, a citação que ela faz de documento da Aberp demonstra o funcionamento organizacional da secretaria de comunicação da prefeitura: “Não acreditamos que haja, na área de comunicação, um profissional ecumênico. Acreditamos na comunicação integrada, ou seja, na atuação conjugada de todos os profissionais da área. Não há conflitos entre as diversas atividades: há somatória em benefício do cliente” (p. 151).

A estrutura da prefeitura parece ser um modelo real próximo desse sistema, à medida que as atribuições de cada subárea, no conjunto da estrutura, se voltarem para o cumprimento da meta. A subárea de relações públicas deve, entre outras coisas, organizar eventos, cerimônias e agendar as ações do prefeito. A publicidade deve cuidar das agências licitadas, comunicar-se com elas para que as campanhas sejam feitas de acordo com os objetivos institucionais, e buscar “a comunicação integrada de Marketing com Assessoria de Imprensa e Relações Públicas / Eventos / Cerimonial”. A assessoria de imprensa deve, por sua vez, dar visibilidade, em todos os canais e veículos públicos, às ações da prefeitura, não deixando o contribuinte ou a imprensa sem resposta.

O item destacado da função da publicidade deixa claro que a comunicação institucional da prefeitura deve ser integrada para chegar aos resultados almejados, ao “fortalecimento de seu conceito institucional, mercadológico e corporativo perante todos os seus públicos, a opinião pública e a sociedade” (p. 181).

Referências bibliográficas

KUNSCH, Margarida. Relações públicas e a filosofia da comunicação integrada. In: _______. Planejamento de relações públicas na comunicação integrada. São Paulo: Summus Editorial, 2002.

Os trechos atribuídos à secretaria de comunicação da prefeitura de Joinville foram extraídos de uma apresentação feita aos alunos do curso de jornalismo do Bom Jesus / Ielusc.

Um novo “olhar” nas pistas

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[Perfil jornalístico da corredora Ádria Santos, produzido pelos estudantes de Jornalismo Sandro Gomes e Daniela Canto]

Chamá-la de vencedora seria o mínimo. Ádria Santos, 36 anos, já nasceu com sérios problemas de visão. Aos 18, parou de enxergar, ao menos como os ditos “normais”. A partir dessa época, em 1992, ela vislumbrou novos horizontes, como jamais tinha visto antes . A deficiência visual, que poderia ser motivo de tristeza ou depressão, serviu de mola para impulsionar seus passos. E, desde que decidiu se tornar corredora, impulsão e vitórias não faltam à sua carreira.

Na galeria, a atleta acumula centenas de medalhas. Até 2009, eram 149 nacionais e 52 internacionais. Dessas, 13 ela guarda com carinho maior. São as conquistadas em seis Paraolimpíadas: Seul (1988), Barcelona (1992), Atlanta (1996), Sidney (2000), Atenas (2004) e Pequim (2008). Não satisfeita, Ádria prepara-se para a sétima, em Londres, e a oitava, em 2016, no Rio de Janeiro. Aliás, a atleta nasceu na Cidade Maravilhosa, onde começou a correr, aos 13 anos. Ela espera que esse seja um bom sinal para passadas ainda mais rápidas.

Ádria Santos é recordista mundial nos 200 metros rasos. Há 10 anos, outras atletas tentam – em vão – superar sua marca de 24,99 segundos, conquistada na Austrália. Até mesmo pessoas que enxergam perfeitamente não teriam fôlego para enfrentá-la nas pistas. À boca pequena, diz-se que Ádria não corre, voa. Talvez porque correr não seja uma obrigação, mas um prazer, como tudo o que faz na vida. Dessa forma, seu único adversário nas pistas é ela mesma. Superar a si própria é seu maior objetivo. Bater seu próprio recorde, também.

Carreira marcada por preconceitos

O talento de Ádria Santos nem sempre foi compreendido. No longínquo 1988, quando estreou na Paraolimpíada de Seul, ninguém por aqui falava da competição, que teve a primeira edição em 1960, na Itália. Televisão e jornais simplesmente ignoravam as provas. Foi preciso maior divulgação para que as pessoas entendessem que Ádria era realmente campeã. A China, por exemplo, recebeu a maior delegação paraolímpica brasileira de todos os tempos. Em consequência, repercutiu com intensidade por aqui.

“Quando eu falava que era atleta, as pessoas não entendiam como eu podia correr sem enxergar. Depois que a mídia foi divulgando, ficou mais fácil, porque as pessoas começaram a acreditar que o deficiente pode praticar esporte. Isso me ajudou”, relata.

No esporte, a atleta descobriu as lesões, a falta de patrocínio e a dificuldade de apresentar seus objetivos. Até 2009, ela contava com alguns patrocinadores. Agora, corre por conta própria, às custas de seu trabalho na Fundição Tupy. “Eu sou funcionária da Tupy, uma empresa que me respeitou, acreditou em mim e no meu trabalho”, sublinha, agradecida.

Ela procura um novo patrocínio para auxiliar no custeio de sua próxima viagem, à Espanha, em maio. “Esse é meu objetivo principal”, aponta. Até o final do ano, Ádria também participa de algumas provas no Brasil. Tem fé de que não faltará dinheiro, como ocorreu no início de sua carreira. Até fome ela passou em outros países. O dinheiro era contadinho.

Mas Ádria não é do tipo que se lamenta por qualquer coisa. Procura fazer o que gosta e mantém as lições na ponta da língua. “Os deficientes têm que parar de achar que, se não enxergam, não têm condições de fazer as coisas. Se eu quero ver alguma coisa, enxergo com minhas mãos ou procuro alguém para descrever para mim. Muitas vezes, falo que vou assistir à novela e as pessoas estranham: ‘Como, se você não enxerga?’ Eu vejo do meu jeito. As pessoas têm que mudar o pensamento de achar que um deficiente é incapaz”, ensina.

A visão que vem das mãos

De tão adaptada à deficiência, Ádria Santos lança olhares de quem realmente enxerga o que “vê”. Da muralha da China, em um dos passeios que fez enquanto participou da Paraolimpíada mais recente, há dois anos, seus olhos viajaram pela paisagem, acompanhados de um sorriso largo, franco e verdadeiro, daqueles que brotam da alma. Parecia criança quando descobre um brilho diferente.

“Pela primeira vez, tive a oportunidade de ver as maquetes do Estádio Olímpico e do Cubo D´água com as mãos, e não tem como descrever tamanha beleza. Jamais saberia como são esses locais sem um contato tátil”, relata a corredora, que sentiu cheiro de flores na Vila Olímpica e tirou uma infinidade de fotos por onde andou.
Além disso, teve a oportunidade de conhecer a Cidade Proibida, vista por Ádria como um espaço muito extenso, marcado por vários palacetes, com um trono ou aposento do imperador em cada um deles. Além dos muitos jardins, a corredora descreve que o local tem várias esculturas de pedra. “Havia uma tartaruga dourada e o pescoço dela era como se fosse um dragão, que simboliza o imperador, mas senti o cheiro da natureza”, sinaliza.

Em uma escola de pintura, sentiu o relevo de papéis, tecidos e madeira utilizadas na escola de pintura. Também comprou duas medalhas com signos do horóscopo chinês. Uma delas com o formato de um tigre. Quando saiu nas ruas com as medalhas no peito, as pessoas a cumprimentavam, achando que havia ganho na Paraolimpíada. De fato, depois ela ganhou.

O mais curioso é saber que, além de correr velozmente e sentir o universo pelas mãos ou cheiros, Ádria chegou a pechinchar com as mãos, embalada pelo clima dos comerciantes chineses, como ocorreu no Mercado da Seda. Uma camiseta que valia 120 Yuans, ela conseguiu comprar pelo valor de 80. “Agora posso dizer que fiz um negócio da China”, brinca.

Guiada pelo amor

Para Ádria Santos, a competição mais difícil foi em Pequim, porque correu sem seu guia. Ele havia sofrido um acidente e não pôde participar. Apenas a acompanhou nos passeios, sempre explicando em detalhes o que via. O guia, no caso, também é o seu marido, Rafael Krub. Primeiro, ele foi seu treinador, e, dos treinos às alianças, a distância foi percorrida mais rápido que um percurso de 100 metros rasos.

Rafael não dá moleza para Ádria. Tanto que ela mesma admite que não pode descansar. Para manter o ritmo, precisa pegar a cordinha que a liga com Rafael, grudar nele e correr. A tática tem ajudado a atleta a melhorar ainda mais o seu tempo. “Às vezes, até sinto dificuldade em acompanhar o pique dela”, reverencia o marido-guia.

Por segurança, ter alguém de confiança ao lado é muito positivo para o desempenho nas pistas. “Na pista, ele é meu guia, em casa, meu marido. Muita gente consegue, por que não eu? A Fernanda Venturini, por exemplo, era levantadora da Seleção Brasileira, e o Bernardinho, seu marido. Isso é normal. O que tem de haver é muito profissionalismo, dedicação e disciplina. Sou feliz porque corro e corro com quem confio”, argumenta Ádria.

Das seis paraolimpíadas de que participou, a mais marcante foi a de Sidney, em 2000. Pudera, até hoje as demais corredoras estão tentando entender o que corria à sua frente. Era Ádria voando baixo para alcançar seus sonhos. “Eu sempre acreditei e acho que as pessoas têm que acreditar nos sonhos e batalhar por isso. Quando era criança, falava que queria ser uma atleta famosa, mas falava brincando, de aparecer em jornal, na TV. Nada é impossível”, proclama.

A falta de boas histórias no jornalismo

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Edinei Knop, estudante de Jornalismo do Ielusc

A “fome” de noticiar mais assuntos, de obter e transmitir o maior número de informações está inferiorizando a atividade jornalística. Não se dedica tempo, atenção ou dinheiro às coberturas, falta tudo isso. É a concorrência. Precisamos publicar de tudo, ou o concorrente publicará. E a população acabou se acostumando a ler pequenas notícias, notas e resumos informativos. Talvez os veículos de comunicação estejam preocupados com o tempo que os leitores dispõem para ler. É fato. O tempo reservado à leitura está diminuindo. A correria do dia a dia sufoca o prazer da leitura (daqueles que têm prazer pela leitura). Mas, por outro lado, os jornais deveriam se opor ao modo jornalístico on-line. Tudo em tempo real. As notícias estão disponíveis ao mundo em questão de minutos, segundos, até. E exaltam cada vez mais os fatos. Uma boa notícia, segundo Francisco José Karam, em seu livro “Jornalismo, Ética e Liberdade”, deve se basear em três verbos: sintetizar, analisar a agir. É das três ações juntas que nasce uma boa notícia, segundo o autor. Isoladamente, aquelas atitudes não se transformariam em verdadeiros relatos jornalísticos, e sim, nas noticias que vemos atualmente. Podemos ainda perceber uma atmosfera favorável às noticias humanas, que envolvam pessoas “normais” de “carne, osso e alma”. Pessoas com realidades comuns às nossas, que nos interessam. É de boas histórias que o jornalismo diário precisa. É sobre histórias humanas e bem trabalhadas que os jornais precisam se debruçar.

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