Em tempos de Lei Seca, os donos de bares fazem das tripas coração para segurar seus clientes. Alguns, de forma inteligente, oferecem alternativas para que as pessoas possam se divertir à vontade e não tenham de dirigir na volta à casa – oferecem táxis, vans, caronas em geral. Outros, porém, além de incentivar a bebedeira ampla, geral e irrestrita, ainda afrontam cruelmente a dignidade feminina ao oferecer entrada e bebida grátis às mulheres. “Fico facinha, facinha, ao primeiro copo de cerveja”, dizia uma amiga minha, que não costumava beber.
Que triste exemplo dá um bar da cidade que, para atrair o público de bailarinos e bailarinas do Festival de Dança, oferece um litro de vodca a cada grupo de mulheres que pagarem os 10 reais para participar de suas festas. Aliás, é extremamente ofensiva esta prática de “facilitar” a entrada das moças, oferecer drinques e quetais, para que elas fiquem à mercê da “caça” dos marmanjos. Sobretudo, porque falamos de um público extremamente jovem e inexperiente. Muitas dessas meninas, mal-saídas da adolescência, sequer têm consciência das reais intenções desses “promotores” e acham o máximo ter entrada e bebida grátis.
Houve um caso, recentemente, neste mesmo bar que teve a brilhante idéia de oferecer bebida às meninas, no Festival de Dança, em que uma moça foi literalmente “agarrada” e beijada por um desconhecido, quando saía do sanitário. Ao reclamar para a gerência, ficou frustradíssima ao perceber que nenhuma providência seria tomada porque o indecente que a agredira integrava um grupo de “habitués” da casa.
Um bar é um local de democrática e saudável convivência. Cabe a seus proprietários e empreendedores garantir aos freqüentadores o respeito, sossego e privacidade que merecem. Sobretudo às mulheres, que ainda são obrigadas a conviver em uma sociedade cruel, machista e absurdamente desigual. Quem tiver dúvidas sobre isso, pesquise junto à Delegacia da Mulher os números da violência masculina. (Ana Ribas Diefenthaeler)