Informação é coisa séria!

Criamos nossos escafandros

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[Texto da estudante de jornalismo Emanoele Girardi, comentando o filme "O Escafandro e a Borboleta"]

“A imaginação e a memória são as únicas maneiras de escapar do escafandro”, foi o que disse Jean-Dominique Bauby. Nunca sabemos o que pode acontecer conosco. O destino é tão incerto que gosto de pontuar como “um passo em falso em que somos obrigados a pisar”. Em um dia estamos bem, de todas as formas, física e psicologicamente, e, depois de uma noite bem ou mal dormida, acordamos dentro do escafandro, num mar particular em que quase não conseguimos nadar.

O escafandro pode representar uma indisponibilidade física, mas também pode vir de dentro. De certa forma, todos estamos presos num grande escafandro que se chama sociedade, na qual podem se fazer certas coisas até um determinado grau. Nós criamos nossos próprios escafandros, mantendo-nos presos a costumes, às leis e normas que impomos. Quanto a esse, a imaginação, é fundamental para burlar, para criar asas, para não afogar-se num mar de desilusão (ou ilusão).

Para tudo na vida há o lado positivo e negativo. E todos os dias pessoas acordam num escafandro ou libertam-se dele. Basta dar-se asas e encontrar a liberdade. Superar-se.

Palavras são importantes, elas constroem pensamentos e tem poder de acrescer ou destruir relações, elogiar ou criticar, ferir ou acalentar… E o que dizer sobre a beleza e a sutileza do olhar? Os olhos podem falar muito mais que os lábios. Podem ser gentis, ou duros, podem sentir compaixão, podem amar, podem estar distraídos e podem muito bem – por que não? – informar. Contar histórias.

A superação e a sutileza do olhar fizeram de Jean-Dominique um vencedor, muito mais do que ele já havia conquistado sendo editor da Revista Elle. Não é preciso mãos para escrever ou boca para falar, o importante é não deixar-se prender no escafandro, ou deixar-se, mas aprender que para sair dele só é preciso criar asas, libertar-se, e isso só depende de cada um.

Saia do seu escafandro

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Quem escreve, por dever de ofício ou diletantismo, não pode deixar de assistir ao filme “O Escafandro e a Borboleta”. Trata-se da história (real) de um jornalista francês acometido de derrame cerebral que, mesmo tendo perdido a fala e os movimentos de todo o corpo, à exceção de um dos olhos, continua se expressando por meio de um método criado pela fisioterapeuta que cuida dele, no hospital, e desse modo “escreve” um livro. A escrita, no caso, tira a borboleta de dentro do escafandro, para usar a imagem que dá título ao filme (e ao livro). Diz o personagem que só lhe restaram “a imaginação, a memória e o olhar”. Assim, ele mantém ativa a comunicação. Na aula de Redação Jornalística, assistimos ao filme logo na abertura do semestre, na tentativa de desafiar aos futuros jornalistas a sair do escafandro, não perder o pique diante dos obstáculos que virão. Depois, a turma escreveu o que sentiu. Abaixo, o primeiro relato, da Francine Ribeiro. (Guilherme)

“O que a vida pode nos reservar? E quando o olhar atento de um jornalista passa a ser o transmissor de todas as informações que antes eram contadas pelas palavras escritas pelas mãos, ou ditas pela voz? A vontade de contar as coisas permanece, porém com alguns obstáculos. Ou muitos obstáculos, que devem ser superados. Superação. Palavra forte, com importante significado e difícil de ser colocada em prática. Porém possível, quando contamos com o apoio de quem amamos. Muitas vezes, deixamos passar em nossas vidas oportunidades. Fazer uma viagem, dançar uma música, escrever coisas simples que estamos sentindo no momento…expor nossos sentimentos! Usando algumas palavras, um papel e uma caneta ou apenas nossas lembranças,que podem ser transmitidas pelo silêncio do nosso olhar.”

Outros olhares

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[Aqui, o relato da Patrícia Schmauch para o exercício do Ielusc que desafiou a turma a descrever cenas cotidianas sob outros olhares]

Sobre a questão das coisas simples

Duas horas da tarde de uma típica e preguiçosa segunda-feira. Foi uma manhã gostosa, a não ser o calor terrível na volta pra casa. Sinto que ainda há em mim os resquícios do fim de semana. Finalmente cheguei em casa, depois de uma manhã de trabalho. Joguei minha bolsa num canto, tomei um banho, troquei de roupa, fui correndo ligar um ventilador qualquer. Quis descansar um pouco. Abri e fechei meus olhos bem devagar. De repente, deparei-me com lindos olhos azuis me fitando. A menininha vestia um vestido cor-de-rosa e tinha laços no cabelo. Maravilhosa! Como eu nunca havia reparado em tamanha angelicalidade e beleza? Não demorou a começar com as perguntas, frequentes logo que eu chegava em casa. Ganhei um abraço forte. Começou com suas histórias. Resolvi deixar as obrigações de lado e dar a ela merecida atenção. O brilho daquele olhar já havia me conquistado. Falamos de comida, de escola, de flores e bonecas. A pequena menininha dava risadinhas lindas. Comemos pipoca assistindo a um filme, brigadeiro e sorvete pra pular na piscina. Comecei a perceber como as coisas simples faziam bem às pessoas. Foi uma tarde muito especial. Já era fim da tarde e a vida acadêmica me chamava. Fui juntando minhas coisas e ela estava ali, próxima, colaborando. Quando tive que sair, ela me deu um beijo gostoso e um sorriso de aprovação. Até perguntou se poderíamos repetir na terça. Mas é claro que poderíamos! Até fazer mais e mais coisas! Menina boba! Caminhei até a faculdade. Pude sentir o cheiro da tempestade que estava se formando. Alguns clarões no céu e o gostinho da chuva um pouco antes de eu chegar ao meu destino. Caminhei devagar debaixo da água refrescante, sentindo as gotas refrescar minha alma.
E depois disso, o resto foi apenas o resto.

Ainda um novo olhar

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Mais um relato de estudante de Jornalismo, de uma cena urbana vista com outros olhos. O texto é de Edinei Knop.

Século 21. Uma população estressada, cansada e sem tempo. “Mas como o tempo está passando rápido!”, é o que se ouve por aí. Na verdade, é a própria população que não tem tempo para perceber que esse está passando. São tantos compromissos no dia a dia que acabamos nos esquecendo de observar, de inovar e procurar novidades. Passamos pela mesma rua, pela mesma calçada, no mesmo horário e com os mesmos objetivos, quase todos os dias, e não procuramos praticar “um olhar diferente” – aquele que nos revela cenas jamais vistas.

É através deste “novo olhar” que descobrimos muitas coisas. Como sou frequentador assíduo de transporte coletivo intermunicipal, decidi olhar para um novo ângulo. Escolhi olhar para baixo. Percebi que as pessoas, na correria diária, carregam no interior de seus automóveis objetos curiosos. Podemos citar: almofadas, envelopes amarelos, chapéu de caubói, sacolas verdes de uma loja de confecções masculinas, pastas, jornais, bolsas, pilhas de papel, sapinho de pelúcia e muito mais. Fiquei completamente abismado com tudo que vi. Eu não imaginava encontrar tantos objetos no interior dos carros. E também não imaginava que um simples direcionamento dos meus olhos pudesse revelar tantas curiosidades.

Cenas urbanas e outros olhares

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[Mais um depoimento de estudante de jornalismo, com relato de uma cena urbana vista sob outro olhar. O texto é da Francine Ribeiro]

Diariamente, caminho pelas mesmas ruas e, muitas vezes, encontro as mesmas pessoas. Umas com pressa, outras distraídas, e outras apenas caminhando. Muitas vezes, estou com pressa, distraída e caminhando. E não é que, de tão distraída, não percebi que uma construção iniciada há meses está praticamente concluída. Que uma loja com vitrines belíssimas tem um telhado caindo aos pedaços. Percebi que reparo pouco o outro lado das ruas por que caminho. Ao atravessá-las, vi pessoas diferentes. As que eu sempre encontro estavam lá, do outro lado. O lado por que sempre passo, com pressa e distraída.

Mais relatos de sala de aula

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Na turma de Redação Jornalística do Ielusc, o professor convidou a turma para produzir relatos sobre cenas e situações cotidianas vistas “com outros olhos”, buscando experimentar o que seria a “perspectiva do repórter” sobre os fatos narrados (sempre diversa, mais ampla, mais minuciosa). Vieram retornos interessantes, como o que segue, da Juliana Nogueira Gonçalves. Vejam aí:

O despertador toca. 7h25. Engraçado, mas o meu relógio está atrasado dez minutos, o que significa que são 7h15 e, mesmo sabendo disso, programo a opção “soneca” para dez minutos, o que volta às mesmas 7h25. Faz parecer que dormi um pouco mais. Meu trabalho não é dos melhores, mas fica a quatro minutos da minha casa e é permitido ir de chinelo. E é de Havaianas que faço sempre o mesmo caminho. Subo o morro, atravesso a rua, viro à esquerda, continuo por cem metros e bato o cartão. Passadas quatro horas de trabalho, enfim a uma hora sagrada de almoço. A fome aflora o instinto de sobrevivência das cavernas que há em nós. Chego em três minutos para o prato que espera ser ocupado com o rotineiro purê de batata. Com o estômago cheio, ou pelo menos saciado, é hora de enfrentar mais quatro horas da jornada trabalhista. E é nessa hora que a menina da bicicleta azul aparece com a cara afobada. Como se estivesse em cima da hora. Ela trabalha na papelaria da rua de baixo. Já a vi algumas vezes, não sei seu nome, nem em qual casa mora. Mas sempre cruzo com ela nesse horário. Eu, do lado direito; ela, do esquerdo. E hoje eu também do lado esquerdo, ela desvia de um carro ao meu lado. As lajotas que estão do lado direito da minha rua, bem em cima do morro, estão soltas. Na frente, a residência é habitada por um caminhoneiro, e o caminhão estacionado na frente, com o tempo, afundou e soltou as lajotas. O que me faz  desviar sempre, já que costumo tropeçar nelas. Na esquina, a construção de um prédio. E a árvore que faz uma boa sombra atrapalha as janelas do edifício, o que me faz suspeitar que logo a cortarão. Percebi porque nunca vou do lado esquerdo, é que na outra esquina tem uma verdureira, e os restos de repolho, e folhas de beterraba sempre ficam na calçada. O cheiro é ruim. Atravessando a rua, vejo o enorme e magrelo cachorro que mora com seu dono numa kitinete. Vi poucas vezes o dono, mas o cachorro todo dia, já que o espaço é muito restrito. Sinto dó dele. É um daqueles tipos de cães que servem pra ficar correndo no campo e próprios para praticar atividades físicas. E o que ele tem é uma casinha, com um pote de ração, água e o que parece um pato de brinquedo, com metade do bico. Sem afeto, sem atenção, ele segue com o focinho encostado no portão, cheirando qualquer movimentação humana. Nos cem metros finais, as mesmas crianças andando de bicicletas e gritando palavrões que eu fui aprender só no ensino médio. Na frente do estabelecimento comercial em que ganho o meu dinheiro, a pracinha do bairro, com os idosos na academia da “terceira idade”, e os usuários de drogas nos bancos, à espreita do traficante que vai trazer o consumo diário. Embora, com “outros olhos”, o que infelizmente vejo é sempre a mesma coisa, uma vida medíocre. A minha rotina também não surpreende, mas de vários ângulos vejo outras árvores.

Ilações

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Revirando arquivos antigos, reencontro uma carta escrita por meu irmão há, talvez, 10, 12 anos. Meu único irmão menino – somos 5 mulheres – ,  em resposta a algo que eu lhe teria falado, me escreveu, entre outras coisas bonitas, que a vida é uma sequência nem sempre lógica, nem sempre  cronológica, de fatos e fases, que precisam ser “amarrados” por nossa intervenção. Ou seja, apenas de nós depende se esses elos serão de amor, de mágoas, de ressentimentos, de otimismo, de vida ou desvão.

Ou, simplesmente, não serão – e então passará ela, a vida, abanando para nós, nos deixando para trás. Mas uma das coisas mais bacanas que ele falou está um parágrafo adiante: “Não estou programando meu cérebro para escrever esta mensagem. Eu estou (ou sou) esta mensagem. Isto é maravilhoso, não? Você pode me ver neste monte de letrinhas.” Morava na Espanha, àquela época, este meu irmão. Sentíamos muito a falta um do outro já que sempre fomos muito ligados. O que chama a atenção, nesta frase, é exatamente esta capacidade que temos de nos “projetar” em meia dúzia de linhas, como se a alma nos escorregasse, teclinhas adentro.

“Ser” o que se escreve, mostra o quanto se busca uma verdade para nos nortear os passos. Procurar esta verdade em tudo o que se faz não é fácil. Muitas vezes, é bem mais tranqüilo “pular” essa etapa de busca e ir tocando, empurrando a vida com a barriga.

Mas, assim, deixaríamos de degustar o que existe de mais encantador nesse desafio às vezes intolerável do viver, que é justamente alguns “não-viveres” que nos assombram. Isso acontece quando nos omitimos de nós mesmos, quando deixamos passar uma chance de ser solidários, de reivindicar nossos direitos, ou mesmo de errar, tentando acertar no alvo da intolerância, do preconceito, dos dogmas e doutrinas que nos cegam e nos fazem, às vezes, reféns da ignorância. Não é fácil encontrar esse meio-tempo existencial, em que nos retemperamos da verdade, sem nos ausentar da vida. Esse estado de ânimo, se levado ao extremo, pode nos fazer desistir. Muita gente acaba desistindo. E se ausentando de si, mesmo seguindo na vida.

Ana Ribas Diefenthaeler

ana@mercadodecomunicacao.com.br

É pique…

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Texto do parceiro César Döhler, publicado no jornal A Notícia

É pique. É hora. É hora. É hora. Rá. Tim. Bum. E viva a vida. Por que só cantamos essa musiquinha na hora do parabéns, quando existem tantas oportunidades para celebrar? Os dias passam, os compromissos aumentam e dezembro está ali na porta. Quantos momentos são bons e quantos, ruins? Mas parece que as pessoas fazem questão de se lembrar mais das turbulências do que do céu azul. É preciso fazer um esforço para ladrilhar as ruas por que passamos com os tijolinhos do bem, em vez de ficar só se lamentando. A felicidade não está à venda, precisa ser conquistada, porque pode nos libertar dos remédios, do estresse e dos fantasmas que nos cercam. Que tal começar a jornada matinal dizendo “bom-dia”? Desejar bom-dia para alguém é como adubar seu próprio dia, fazendo florescer oportunidades.

As pessoas estão assoberbadas e não há tempo para pronunciar as palavras mágicas (por favor, obrigado, com licença, desculpa). Porém, com pequenos gestos, podemos mudar as coisas. Se evitar trabalho estressante é difícil, pode-se cultivar uma aptidão porque a incompetência gera incerteza e noites sem dormir. Felicidade vem depois da angústia. É uma duradoura sensação de alívio, de “graças a Deus já passei por isso”. Quando damos uma gargalhada, 14 músculos entram em ação, gerando bem-estar. A vida anda tão séria que é raro escutar uma boa piada. O dia a dia depende de nós. Quando acordamos, iniciamos uma jornada de escolhas. Se, saindo de casa, de mau-humor, dermos um chute no cachorro, imaginem como será o final do dia do coitado. E também o seu, com o corpo quebrado e a saúde, física e mental, nocauteada.

Falar é fácil, difícil é fazer. Qual é a receita de felicidade? Misture alegria com pitadas de paz de espírito, vontade de viver e um pouquinho de gelo. Pena que não é tão simples assim. A tribo dos 10 aos 90 anos tem variadas receitas para relatar. Imagine quantas ideias de como ser feliz poderiam vir à tona. Dá até para escrever um livro, que vai render boas risadas. A felicidade pode nos levar a inúmeras descobertas. Precisamos eliminar as nuvens negras que insistem em permanecer acima das nossas cabeças e olhar para um novo horizonte. Rixas, embates, finca-pés, altas pressões, estopins curtos – xô! Paz e amor. Tenham todos um “bom dia” e sejam felizes.

Entre cafés e e-books

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Em tempos de tornados reais e metafóricos, prefiro um café. Um café literal – e literário. Como os que acontecem na Bienal Internacional do Livro, que se realiza no Rio de Janeiro, neste setembro de águas e cabalas – dizem que o dia 9 foi dedicado à entrada do planeta em novas eras, ou, ainda, que significa um diabo às avessas… Creio apenas no setembro da literatura, degustada com expressos e capuccinos. E torço pelo setembro da primavera, de cores, de sol e calor.

Leio Saramago, enquanto isso, que é de milagres interiores, o que trata a vida. Aliás, as forças ocultas conspiram a favor da literatura – abro meu Orkut e a mensagem do dia diz: comece a ler um livro hoje. Tá bem, tá bem, mas o que devo ler, enquanto degusto meu autor contemporâneo preferido? Minha ligação com Saramago não é apenas com o conteúdo – mas especialmente com a forma. É espetacularmente insensata a maneira como ele escreve – não apenas nos afeta, nos invade, sangra a verve.

Espio as notícias sobre a bienal carioca, um debate sobre os chamados autores multimídias, escritores descolados, modernos, muito jovens. Muito talentosos, também. Rejeitam o rótulo de multimídias, ninguém que goste de ler lê e-books. Uma moça reclama da qualidade dos textos na internet. É tudo muito instantâneo. Quem consegue escrever três boas linhas, ao estalar os dedos? Quem pisca os olhos no tempo de produzir uma boa ideia literária? Ainda assim, há Saramago – que até há poucos dias tinha um blog.

Enquanto escolho entre prosa e verso, entre Affonso Romano de Sant’Anna e Hilda Hilst, Rubem Fonseca e meu querido Scliar, reinvento meus próprios sabores – porque me ausento de mim. Elejo a poesia. A chilena Violeta Parra, a argentina Alfonsina Storni e a portuguesa Florbela Espanca desistiram da magia da existência. São referências estéticas, são dores de vida. Escolho Florbela e seus sonetos e volto às notícias da Bienal. A literatura nos surpreende todos os dias, nos alimenta, preenche os desvãos. O destaque, nas cariocas paragens, são autores norte-americanos. Não faz mal, volto aos portugueses, certamente. Que de identidades, vive a escrita. Viva a escrita.

Ana Ribas Diefenthaeler

ana.ribas@terra.com.br

Sobre a vida e a morte

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O parceiro César Döhler escreve inspirado em uma imagem do Cemitério do Imigrante, em Joinville.

A imagem, um pouco assustadora, remete a uma interessante discussão sobre a vida e a morte. Os imigrantes “observam” os acontecimentos da nossa Joinville. E será que existe vida após a morte? Quando a nossa caminhada acabar aqui na Terra, ainda não sabemos o que vai rolar, porque ninguém voltou para contar o que aconteceu. Nossas vidas precisam estar pautadas para o bem. Todas as pegadas que deixarmos por aqui, sejam elas a favor da ética, justiça, trabalho, perseverança, apoio aos necessitados, honestidade e paz, serão seguidas e aprimoradas por aqueles que ficarem. Precisamos seguir as pegadas do bem. Elas podem descortinar futuros caminhos, para uma vida mais leve e tranquila.

A cruz também nos dá uma lição de humildade, entrega, vida e nos lembra a oportunidade que Deus nos deu, enviando Seu filho Jesus, que foi crucificado para nos libertar de nossos pecados. Nosso compromisso muitas vezes é ir para a cruz, em busca de aprendizado, fazer as coisas certas e viver a vida com limites e equilíbrio.

É sempre bom analisar o lado bom e o lado ruim. Estamos acostumados a olhar só a tragédia, na maioria dos casos. Transformar um quadro negro em oportunidade pode ser um grande desafio.

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