(Depois de uma visita ao Lar Bethesda, a jovem Ana Carolina Diefenthaeler escreveu as reflexões que seguem. E os orgulhosos avós reproduzem o texto sem esconder a corujice!)
Memória do passado, lembrança do presente
Uma vida vivida, aproveitada. Lida e relida. Uma experiência atrás da outra. Um amor passou, outro ficou. Uma história escrita. Páginas de amor, ilusão, mentira, omissão. Ódio e raiva, despercebidos com o poder da ironia. Risadas alheias, sou um idoso apaixonado pela vida. Conto minhas próprias risadas a mim mesmo. Confusão na cabeça de um velho, amigo! Algumas vezes, lembro-me dos sentimentos que vivi à flor da pele. Quando mais novo, radicalmente vivi o amor. Quando mais velho, a saudade. Hoje, vivo a memória. Memória do passado, lembrança do presente. O que restará ao futuro? História.
Gosto das histórias, posso recontá-las e criá-las. Posso modificá-las, afinal, não são fatos. Posso revivê-las também. Quem disse que tudo passa? Quando encontro alguém, converso, convivo. Simpatia? talvez. Minha vida pode acabar, pois é essa nossa certeza. Não enlouqueça com essa nossa certeza. Aproveite, coragem não se esqueça. Relatos sobre a minha vida estarão disponíveis em algum lugar. E essa carta, que aqui deixei, só me leva a um lugar. Adeus, não sei onde fui parar…