Professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e diretor-geral da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), Paulo Nassar ressalta, no Anuário Brasileiro das Agências de Comunicação e da Comunicação Corporativa, que vivemos um “admirável mundo novo” da comunicação organizacional. Não somente pelo mais óbvio, a profusão de “maravilhas tecnológicas” à disposição dos profissionais, mas por conta do que ele chama de “mudança de paradigma”. Se os ícones do velho paradigma seriam nomes como Adam Smith, Taylor e Ivy Lee, com a ênfase na “busca pela eficiência na construção de marcas e de relacionamentos que garantissem a segurança das organizações”, para o autor, os controles vigentes até então chegaram ao limite e “a velha fórmula em breve não funcionará mais”. Se, diz ele, essa pode parecer uma má notícia, a boa é que seriam precisamente os comunicadores que passariam a estar na vanguarda das empresas, nestes novos tempos. “De disciplinadores, [os comunicadores] passarão a guardiões da criatividade. De controladores, passarão a incentivadores do descontrole. Em outras palavras, serão os gerentes dos espaços de liberdade nas organizações.” Para entender o alcance desse processo, na opinião de Nassar, é preciso “mudar de lentes” e se aperceber de que, no cenário atual, as marcas corporativas deixam de ser construção exclusiva de um departamento ou agência, “sob a inspiração de gênios ou estrategistas”, para se tornar “construções interativas entre os diversos públicos de uma organização”. Um problema para chegar lá, mencionado pelo autor, é a constatação feita em pesquisa da Aberje de que 21% dos CEOs das empresas acreditam que o engajamento de suas diretorias com a comunicação está abaixo do esperado. “Em outras palavras, esses líderes devotam pouca atenção ao relacionamento com o público.”

(Segue, neste bat-canal, a leitura cruzada do anuário, destacando ideias e dados que percebemos relevantes. Até)