Informação é coisa séria!

Uma breve parada

Da Redação, Sobre nós Seja o primeiro a comentar »

A Mercado de Comunicação vai fazer uma breve parada para recuperar o fôlego e voltar com tudo em 2011. Hoje, 20 de dezembro, é nosso último dia de atividades em 2010. Mas dia 5 de janeiro estaremos de volta para encarar todos os desafios do novo ano. Desejamos um Natal repleto de coisas boas e um 2011 de prosperidade, sucesso, saúde e alegria.

Registros do 7º Prêmio Joinville de Expressão Literária

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Fotos de Marcus Bohn

Em momento descontraído, Ana Ribas Diefenthaeler, da Mercado de Comunicação, com Geraldo Lion e a esposa Cátia, com o filho Valentino no colo. Além de cerimonialista do evento, Geraldo é proprietário da ExpecTV, empresa apoiadora do 7º Prêmio Joinville de Expressão Literária.

Alcione Pauli, coordenadora da Biblioteca Municipal, cumprimenta Marinaldo de Silva e Silva, que conquistou o primeiro na categoria Conto/Crônica.


O coral da Univille, regido por Mario Klemann, também marcou presença na entrega do 7º Prêmio Joinville de Expressão.

7º Prêmio Joinville de Expressão Literária

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Confira alguns momentos registrados na entrega do 7º Prêmio. As fotos são de Marcus Bohn.

Sandro Erzinger recebe o troféu das mãos de Nielson Modro, um dos jurados do Prêmio. Sandro foi o terceiro colocado na categoria Poesia.


Helena Máximo recebe da jornalista Vanessa Bencz a Menção Honrosa pelo texto 23:27:49.


Marlise Groth, assessora de imprensa da Fundação Cultural ao lado do Secretário de Educação Marquinhos. Nas mãos do Secretário a coletânea de textos das edições 2008 e 2009 do Prêmio de Expressão Literária. A publicação do livro teve patrocínio do Simdec.


Rita de Cássia Alves no instante em que recebeu a notícia do primeiro lugar na categoria Poesia do 7ª Prêmio Joinville de Expressão Literária.

Sem título (Carta pra ti)

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Texto de Eduardo Silveira, terceiro lugar na categoria Conto/Crônica do 7º Prêmio Joinville de Expressão Literária

Carta pra ti é uma coisa engraçada, porque o cotidiano, nossos pequenos safáris diários, reservamos pra fala, esse intervalo entre respiração e beijo que tanto gostamos de curtir e assim na hora da carta me vêm à mente coisas esdrúxulas, que porsissó não explicariam remeter uma carta que nada mais é do que meter e meter de novo palavras no papel, e aguardar cheio de ansiedade pra ver se as palavras não se perderam ou trocaram de lugar enquanto transitavam entre as agências. mas onde eu estava? Ah, sim, eu dizia que por reservar assuntos pra isso, esses pros e-mails, esses pra quando se está bêbada ou sem fôlego, ou aquele pra quando o assunto faltar, me senti sem base pra escrever, sem um mote, e foi bom porque desmotevada a cabeça fica limpa de tudo (repare que os assuntos da vida são sujos) e assim deixar o inconsciente dizer alguma coisa, e meu inconsciente tem um jeito de criança doida, por isso eu pensei em abrir essa carta já te dizendo “beijo na boca”, “viva la revolución!” ou com um verso d’uma cantiga popular qualquer só pra tentar imaginar o que vc iria pensar, o teu consciente e o teu inconsciente que, diferente da minha criança doida, deve ser um velho lógico e safado mas não vou longe nisso, que é capaz de vc escrever duas cartas, uma pra responder essa aqui toda, e outra só pra responder aquela frase, pois sei bem que você gosta de colher uns narcisos no campo das nossas savanas. Mas onde eu estava mesmo? Ah, sim, na tua casa, até semana passada, pois agora mudamos a geografia – algo que não mudará a paisagem (Este será nosso primeiro paradoxo, dará até pra se orgulhar e inclusive botar no nosso álbum de divórcio.). E como eu dizia, por dúvida de assunto e espaço para o inconsciente, acabei pensando muito e o que saiu foi só-mente esta carta metalinguística (repare como uma carta óbvia diria mais coisas, ou seja, a sinceridade/originalidade monta na burrice e sai num gostoso trote) E eu acho que vai ficar por isso mesmo, até segunda ordem da criança doida. aguardo tua resposta e essa carta vai sem assinatura pois sinto que meti e remeti meu nome várias vezes ao longo dela. creio ser desnecessário dizer (e por isso que vou dizer) que essa epístola está carregada da minha sinceridade; se nada disse de jornalístico é porque de bula não tenho nada mesmo, e você sabe que não minto, porque a mentira tem a perninha curta e magra, e bem sabe que isso não faz o meu tipo, acho que bunda firme e perna grossa é fundamental. Espero, ainda, que vc tenha cumprido o pedido que fiz na parte exterior do envelope para agitar bem antes de abrir a carta. E se, por acaso ou descaso, não o fez, não tem problema. Não seria a primeira vez.

Fuga

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Texto de Melanie Peter, segundo lugar na categoria Conto/Crônica do 7º Prêmio Joinville de Expressão Literária.

Fico parada ouvindo as gotas escorrendo pela calçada. Ouço alguém arrastando os tênis na superfície áspera e misteriosa. Faz uma semana que chove dia e noite. O barulho inesperado se aproxima. O centro da cidade enche de água, lixo e desespero. Os passos se aproximam. Eu absorvo toda a força da correnteza, vejo a água escorrer sanguínea pelo paralelepípedo, começo a saltitar por entre os desenhos do meio fio. Sei que no fim, sobrará o melancólico limo das calçadas, um cheiro estranho invadindo a mente e me fazendo perceber que o espaço onde o processo se desenrola é um caderno de esboços para uma performance. Jogo xadrez com a morte. O guarda-chuva rabiscado não é mais o mesmo. Meus pensamentos fluem mudamente ancorados nas emoções, fantasias, memórias e pressentimentos. Ajeito a haste quebrada. A chuva aumenta. Como fugir do desgaste, do que não fica, do que se esquece?

Essa mania de contemplação deseja sempre mais do que me é dado ver.  Sorvo o musgo do asfalto e deslizo a sola do pensamento voyeurístico na superfície confusa das interrogações. O descarte, as coisas que não duram, são uma ameaça. Quando meus olhos atravessam a esquina, vejo um homem, encharcado de sujeira, ajoelhado no chão. Esta cavando o lixo e minha súbita aparição o perturba. Por um momento pensa que eu sou uma ameaça. Sacolas brancas e pretas estão rasgadas. Na calçada se espalham porções de nojo. Papéis manchados de café, copos de plástico, casca de banana, caroço de maçã, um cd ROM aranhado, pequenos objetos não identificados, coisas que o tempo deletou da vida, coisas que se tornaram obsoletas rápido demais. Eu sou o lixo. E o sujeito com ar de mendigo está imerso em luxuosos descartes. Tem feridas na mão, um ar animalesco. Sinto o cheiro daquele lixo, da sujeira impregnada no cobertor cinza que recobre a sua vergonha. A minha vergonha porque ele existe.

Há uma boneca sem cabeça, uma cabeça de boneca sem corpo me fazendo lembrar dos manequins sem cabeça, dos manequins com cabeça encarando os vidros. Atrás do mendigo, uma vitrine cerrada por grades nos confunde. No fundo da cena, no fundo da vida, pessoas comprando e vendendo. Mais no fundo ainda, como o crepitar de sombras no rosto, a figura humana esboça um sorriso. Embarco, vacilante, no perigoso jogo dos olhares que suspende o tempo e me submete à vontade de seu código. Um código exaltante e aniquilador. Um código do qual somos simultaneamente donos e escravos.

Não temos tempo.

O homem foge.

Eu também.

O corpo do poeta

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Texto de Marinaldo de Silva e Silva, primeiro lugar na categoria Conto/Crônica do 7º Prêmio Joinville de Expressão Literária.

As tatuagens, todas, estão ao dentro. Derrapam em letras menores, desenham-se através delas sem lente de aumento. No começo são cimentadas, duras, mas logo ficarão maleáveis, e virarão inspiração. Escaparão pelas mãos, signos num papel, numa parede, serão redes pescando alegorias, fazendo pequenas atrofias na lembrança. Misturar-se-ão na memória, umas palavras conhecidas, outras inventadas, todas atrevidas à gloria de deixarem o rascunho para procurar o ouro, a jóia da poesia virando poema, um verso tirado dum colar de fonemas preso no pescoço de um gênio, para adentrar numa lâmpada quase nunca acesa dentro de um baú sempre incompleto.
Dado a reciclar as idéias, vai de aldeia em aldeia garimpando ensaios de comédia e drama, pretensões de luz e linho. Esmerilha a métrica da dor e o cálice do desalinho. Sobrevoa o côncavo do amor, tenta escrever um romance de velhas cartas, todas fartas de serem tortas, e mortas, e que nas mãos do poeta míngua, pena, chora, dilacera, e ginga num azul de estrelas adormecidas e acinzentadas. Então separa a superfície, imerge, tentando achar a resposta, a que veda e secreta e, quando se abre, seja discreta ao fazedor de presságios, que é o poeta.
O corpo do poeta se divide em antes e depois da escrita. Antes é o pensamento, o maremoto de instâncias, de palavras de infância e de ser velho. Depois da escrita é a comoção da dúvida, o alerta do rascunho sem arestas, sem poeiras e pontas, só tontas idéias. E esse corpo de ser corpo sente, absorve a acidez e o aroma, e ao contente desagrada, porque hipnotiza a escolha e faz da bolha de sabão, alguma coisa que intercalando o céu, estoura, oxidando o chão.
E se a poesia desaparece, o poeta vai com ela. Não adianta janela ou porta que o acoroçoe, não adianta nenhuma planta endêmica, nenhum estratagema para resgatá-lo. O corpo do poeta sem poesia some. Vira apenas um homem exercitando uma mentira, uma piada invertida, antes da risada. Quando a poesia vai embora, o olhar rejeita a imagem, e fica cego das mesmas coisas, e vendo tudo como o tudo é, enterra-se na incapacidade de dar à palma da mão o plano do pé, e o poeta vira apenas mais um bípede. E passa a ser, só o que é.

A equipe Mercado de Comunicação

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Ana e Guilherme Diefenthaeler, Jouber Castro, Letícia Caroline e Keila Tyler na entrega do 7º Prêmio Joinville de Expressão Literária.  Só faltou Juliana de Medeiros para o time ficar completo.

Os vencedores e os jurados – 7º Prêmio Joinville de Expressão Literária

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Nielson Modro (comissão julgadora do Prêmio), Ana Ribas Diefenthaeler e Guilherme Diefenthaeler (Mercado de Comunicação), Geraldo Lion (ExpecTV), Marinaldo de Silva e Silva (1º lugar na categoria Conto/Crônica), Rita de Cássia Alves (1º lugar categoria Poesia), Marlise Groth (comissão julgadora), Taiza Mara Rauen Moraes (professora de Literatura Brasileira e Teoria da Literatura na Univille e coordenadora do Programa Institucional de Incentivo à Leitura Proler/Joinville), Berenice Zabbot Garcia (pró-reitora de Extensão e Assuntos Comunitários da Univille) e Sueli Cagnetti (jurada) posam para registrar a sétima edição do Prêmio Joinville de Expressão Literária.O concurso é uma iniciativa da Mercado de Comunicação e da Universidade da Região de Joinville, com apoio da Expectv.

Encontros e despedidas

Coisas da vida, Crônicas Seja o primeiro a comentar »

[Artigo-crônica do Guilherme, que saiu n´A Notícia]

Genial criação da dupla Milton Nascimento & Fernando Brant, “Encontros e Despedidas” escolhe a rica metáfora de uma estação ferroviária para falar da vida, na qual “o trem que chega é o mesmo trem da partida”. Harmonizar-se entre esses polos diametralmente opostos – de inícios e desfechos, aproximações e rompimentos, sucessos e fracassos, pessoas que vêm e outras que se vão – é, talvez, a lição mais desafiadora da existência. A gente até queria só os encontros, sem o choro das despedidas, e estar sempre com o entusiasmo das chegadas, aquele friozinho na barriga pra saber o que vem por aí, mas essa face da moeda perde o sentido se não houver o recolhimento, a parada pra reflexão, o momento áspero em que parece não ter luz no fim do túnel.

Pois saiba que tem, sim. Justamente quando tropeçamos, quando os problemas se avolumam e o baixo astral toma conta, na hora da despedida, enfim, é que aprendemos a dar valor ao encontro. E pegamos o trem outra vez, ansiosos pela próxima estação, com a convicção de que, antes, precisamos fazer a travessia. Como sugere a canção de Milton & Brant, muito do sentido de existir reside neste eterno movimento, neste vaivém, nesta sucessão infinita de ciclos. Ainda que, se o ciclo da vez for negativo, a gente prefira passar rápido por ele, virar logo o disco. Não. Melhor não apressar as coisas e entender que há um tempo certo para cada ciclo – há o tempo de plantar e o tempo de colher, como diz a Bíblia.

Claro que isso não justifica qualquer tipo de conformismo, de esperar sentados que se acabe a tempestade. Embora os ciclos sejam naturais, é preciso descobrir a razão que nos levou pro buraco e mudar, na gente mesmo, aquilo que possa estar fora do lugar, antes de desfrutar do ciclo seguinte (que esperamos virtuoso). “Sair dessa”, romper o ciclo vicioso, depende de estar com a mente em ordem e o coração aberto, tranquilo. Então, aprenda a se despedir, encare suas perdas, acene de longe para o que ficou lá atrás. Parta sem ter planos, volte quando quiser. E esteja certo de que sua viagem vai ser muito prazerosa, apesar dos pesares. “Me dê um abraço, venha me apertar, tô chegando…”

Conheça os vencedores do 7º Prêmio Joinville de Expressão Literária

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De pé:  Eduardo Silveira, Melanie Peter, Stelle Bousfield e Rita de Cássia Alves.
Agachados: Helena Máximo, Marinaldo de Silva e Silva, Sandro Erzinger.

Mercado de Comunicação

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