[Leitura da acadêmica Luiza Martin da Rosa, do curso de jornalismo do Ielusc, do texto "Assessoria de Imprensa: O Caso Brasileiro, de Jorge Duarte]
A trajetória política brasileira marcou o desenvolvimento da imprensa e, consequentemente, da assessoria de comunicação. Essa relação se deu de tal forma que, ao se acompanhar a passagem da ditadura para a democracia, percebe-se a presença de dois profissionais distintos, quase que totalmente opostos. O da ditadura é encarnado pelo sujeito comunicativo. Já o da democracia surge como profissional da comunicação.
Embora o mundo experiencie a globalização e a relação aberta com a imprensa tenha se tornado crucial para o sucesso das organizações, nem todas as assessorias contam com profissionais dispostos a abrir as portas. O “assessor da ditadura” ainda se faz presente, principalmente em órgão públicos, como se o regime que sufoca a informação não tivesse sido suplantado pela democracia.
Manter uma boa relação com a imprensa é salutar para empresas públicas, privadas e de capital misto. Independentemente dos interesses econômicos e políticos das instituições em que atuem, as assessorias sempre exerceram papel estratégico. No período de transição entre ditadura e democracia, pode-se dizer que a função maior do comunicador era redigir releases. Durante a ditadura, o comunicador era a barreira, ou seja, o anti-comunicação; na democracia, começa a ser definido o perfil de uma assessoria aberta, que deseja a imprensa sempre por perto. E é a partir dessa aproximação entre assessoria e meios de comunicação que o jornalista passou a desempenhar função exclusiva, sendo o elo no estreitamento de laços com a imprensa, a qual, por sua vez, consiste na ponte com a opinião pública. Portanto, o jornalista oferece mais do que a credibilidade proporcionada pelas técnicas. Dessa maneira, quanto maior é a experiência do jornalista na atuação em meios de comunicação, mais oportunidades surgem nas assessorias de imprensa.
O jornalista como assessor se torna um defensor dos interesses da empresa ou das pessoas públicas (não se pode esquecer que artistas e políticos, por exemplo, contam com assessorias) para as quais trabalha, em detrimento da criticidade e da apuração plural dos fatos. No contexto da assessoria, o jornalista tem um posicionamento definido e declarado, mesmo que camuflado por técnicas textuais, com o acréscimo da visão global de um determinado contexto.
Muito embora tenha surgido a definição “comunicação estratégica”, conforme cita Jorge Antônio Menna Duarte em seu texto “Assessoria de Imprensa: O caso brasileiro”, após a consolidação da democracia e da globalização, a assessoria sempre teve função estratégica, tanto para reter a informação e corroborar com o status quo de um governo ditatorial, quanto para, na contemporaneidade, desnudar as empresas perante a clientela (leia-se investidores e clientes).