Informação é coisa séria!

As empresas acordaram!

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Marjorie Caturani, aluna de Jornalismo do Ielusc

Analisando o capítulo “O cidadão em primeiro lugar”, do livro “De cara com a mídia”, de Francisco Viana, é possível perceber que o autor mostra um lado positivo da comunicação corporativa no país. Viana cita a comunicação interna, um tema que me chama atenção. Além de “falar” para os jornais, revistas, enfim, para os meios de comunicação, não se pode esquecer da comunicação interna. Ou seja, fazer-se claro para os funcionários de uma determinada empresa deixa evidente a preocupação com o conjunto, com a massa. Parece que as empresas acordaram e viram que seus colaboradores também fazem parte da população, também leem jornais, revistas etc.

Viana fala sobre a opinião pública, que hoje orienta o rumo das ações de comunicação institucional. O que antes era ignorado, agora é analisado. Isso ocorre quando a assessoria de uma empresa escreve um release sobre determinado problema ou explicação que tenha que dar aos cidadãos. As palavras têm que ser muito bem escolhidas. O público se tornou mais crítico, o que justifica essa mudança de postura nas respostas à imprensa que vemos estampados nos jornais, por exemplo.
A questão da credibilidade é outro fator importante. Viana disse: “Credibilidade é um predicado radical. Ou a empresa tem, ou não tem. Credibilidade é confiança”. Ele acerta ao declarar isso. E é exatamente por isso que as assessorias de comunicação se desdobram para explicar o que for necessário e propor soluções adequadas, sem que o público ou clientes percam a confiança na empresa atendida. Na minha opinião, a credibilidade sempre foi e sempre será “a bola de cristal” das empresas. Basta uma rachadura para perder todo o encanto.

A comunicação é o elo

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[Ariele Cardoso, estudante de jornalismo do Ielusc, sobre "O Cidadão em Primeiro Lugar", do Francisco Viana]

O texto enfoca as principais atividades da comunicação institucional, aponta contextos históricos e apresenta análises da comunicação atual. Como a empresa deve lidar com seus clientes, que importância deve dar à opinião deles, de que forma deve trabalhar para conquistar sua confiança. Enfim, um resumo prático e sucinto que conclui: “Certamente, mais do que o dinheiro, é a comunicação, e a comunicação que inspire credibilidade, o elo de todos os elos nos vínculos da empresa com o cidadão, o mercado e a sociedade”.

Essa frase, escolhida não por acaso, resume o texto. Comunicação é tudo! A empresa que não valoriza a comunicação perde espaço para outras mais preocupadas com o ponto de vista do consumidor. Afinal, é para ele (o consumidor) que ela (a empresa) trabalha, sob pena de perder espaço no mercado. “Para ser vitoriosa, a empresa, hoje, precisa levar a comunicação para o centro das atenções.” Justamente porque é a comunicação que vai levar a empresa para o centro das atenções…

A comunicação estruturou-se de tal forma que, dentro da empresa, ganha posição de destaque. No organograma de muitas organizações, abaixo do presidente, está o comunicador. A alta administração precisa contar com uma pessoa de confiança, credibilidade e competência extremas para dar esse tipo de contribuição ao futuro da empresa. Ele é quem vai transmitir aos diretores a relevância da atenção plena à opinião pública (ou do público) quanto às ações da instituição.

Para uma boa comunicação acontecer, é preciso muito mais do que uma cadeira nas reuniões do conselho. É preciso que esse mesmo conselho confie na tarefa do comunicador e aceite suas “verdades”. O comunicador não pode transmitir uma imagem que a empresa não tem. O autor cita que “a comunicação passa a exigir coerência entre o que a empresa diz e o que ela faz”. Não adianta dizer que é responsável socialmente, por exemplo. Os resultados dessa responsabilidade social devem estar expostos e muito claros para a população. As pessoas precisam acreditar naquelas ações. Se a empresa diz que faz uma coisa que não faz, perde credibilidade.

“Credibilidade é um predicado radical. Ou a empresa tem, ou não tem. Credibilidade é confiança.” É importante ressaltar, aqui, que essa credibilidade tem que vir não somente da empresa, mas do comunicador também. Em um momento de crise, por exemplo, o comunicador será o porta-voz da instituição. Nesse caso, se ele for mau caráter ou tiver fama de mentiroso (mais exemplos), não passará credibilidade nem confiança à imprensa e à comunidade. Sendo assim, infelizmente, a empresa estará jogando dinheiro no lixo, pagando um funcionário que não cumprirá sua missão principal: cuidar da imagem da empresa. Talvez até, eu diria, a ação de um mau comunicador se reflita negativamente para o consumidor. O público daquela organização poderá vincular uma imagem ruim da empresa por conta de um porta-voz mal informado ou mal intencionado. Aí, todo o trabalho será jogado fora, pois “é a credibilidade que sustenta os negócios e amplia os mercados”.

Estamos entrando em uma nova era, em que boa parte das relações (inclusive as de compra e venda – de bens ou serviços) será estruturada basicamente na comunicação. Hoje, a empresa que não dá o direito de voz ao seu cliente perde dinheiro. A ponte entre a empresa e o cliente é a comunicação. O elo de tudo, que abre portas e tem a capacidade de influenciar em todas as outras atividades da empresa. As empresas que quiserem melhorar seu relacionamento com os clientes e o público a que destinam suas atividades terão que valorizar a comunicação.

Uma visão que vá além…

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[Comentário da estudante de jornalismo Vivian Carolini Braz]

No filme o “Escafandro e a Borboleta”, percebemos a importância da comunicação. O jornalista precisou aprender uma nova forma de se comunicar com as pessoas.
Em nosso trabalho, algumas vezes, precisaremos readaptar nossa forma de nos comunicar, dependendo do público para quem escrevemos ou falamos.

Outro ponto importante é que o personagem perdeu todos os sentidos, menos a visão. Nós precisamos ter uma visão que vá além do que vivemos diariamente. Ele estava dentro do hospital, mas sua visão não se limitava ao seu quarto. O personagem não deixou que seu estado físico o impedisse de “ver além” daquelas quatro paredes.

Nós precisamos ir atrás da informação, temos que estar atentos aos acontecimentos, mas não podemos nos limitar ao que se passa somente ao nosso redor.

Criamos nossos escafandros

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[Texto da estudante de jornalismo Emanoele Girardi, comentando o filme "O Escafandro e a Borboleta"]

“A imaginação e a memória são as únicas maneiras de escapar do escafandro”, foi o que disse Jean-Dominique Bauby. Nunca sabemos o que pode acontecer conosco. O destino é tão incerto que gosto de pontuar como “um passo em falso em que somos obrigados a pisar”. Em um dia estamos bem, de todas as formas, física e psicologicamente, e, depois de uma noite bem ou mal dormida, acordamos dentro do escafandro, num mar particular em que quase não conseguimos nadar.

O escafandro pode representar uma indisponibilidade física, mas também pode vir de dentro. De certa forma, todos estamos presos num grande escafandro que se chama sociedade, na qual podem se fazer certas coisas até um determinado grau. Nós criamos nossos próprios escafandros, mantendo-nos presos a costumes, às leis e normas que impomos. Quanto a esse, a imaginação, é fundamental para burlar, para criar asas, para não afogar-se num mar de desilusão (ou ilusão).

Para tudo na vida há o lado positivo e negativo. E todos os dias pessoas acordam num escafandro ou libertam-se dele. Basta dar-se asas e encontrar a liberdade. Superar-se.

Palavras são importantes, elas constroem pensamentos e tem poder de acrescer ou destruir relações, elogiar ou criticar, ferir ou acalentar… E o que dizer sobre a beleza e a sutileza do olhar? Os olhos podem falar muito mais que os lábios. Podem ser gentis, ou duros, podem sentir compaixão, podem amar, podem estar distraídos e podem muito bem – por que não? – informar. Contar histórias.

A superação e a sutileza do olhar fizeram de Jean-Dominique um vencedor, muito mais do que ele já havia conquistado sendo editor da Revista Elle. Não é preciso mãos para escrever ou boca para falar, o importante é não deixar-se prender no escafandro, ou deixar-se, mas aprender que para sair dele só é preciso criar asas, libertar-se, e isso só depende de cada um.

Cenário mudou, mas ainda precisa evoluir

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[Comentários do acadêmico de jornalismo Ronaldo dos Santos, sobre o texto "O cidadão em primeiro lugar", de Francisco Viana]

O cenário da comunicação corporativa mudou, mas ainda precisa evoluir bastante para que diretores percebam a importância de uma assessoria de comunicação eficiente nas organizações. É uma área tão relevante que ocupa, ou deveria ocupar, um lugar estratégico no organograma das corporações, ONGs e governo.
Assim como em outras modalidades de comunicação mais tradicionais (jornais, rádios etc.), com a internet, a sociedade e grandes empresas passaram a atuar no mesmo nível. Exemplos são os constantes ataques que consumidores revoltados com produtos ou serviços que não atenderam suas expectativas colocam em sites de reclamação, difamando grandes marcas sem qualquer cerimônia. É preciso estar atento a esse movimento.

O assessor de comunicação age nesse sentido, de dar suporte à credibilidade de uma marca. Mais do que um assessor, esses profissionais são consultores e estrategistas, muitas vezes atuando em cargos executivos das corporações. Entretanto, o trabalho a ser desenvolvido precisa de um plano de ação estratégico, pois as atribuições do profissional transcendem a redação de releases. Sobretudo, acredito que este trabalho exija um bom relacionamento, tanto com sociedade, quanto com imprensa.

De qualquer modo, é preciso ainda uma mudança cultural na forma de agir das empresas. Elas precisam acompanhar o desenvolvimento dinâmico das formas de comunicação que o consumidor final utiliza. É um fenômeno relativamente recente, potencializado pela internet, mas que precisa do acompanhamento de profissionais capacitados e como visão estratégica deste cenário.

Saia do seu escafandro

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Quem escreve, por dever de ofício ou diletantismo, não pode deixar de assistir ao filme “O Escafandro e a Borboleta”. Trata-se da história (real) de um jornalista francês acometido de derrame cerebral que, mesmo tendo perdido a fala e os movimentos de todo o corpo, à exceção de um dos olhos, continua se expressando por meio de um método criado pela fisioterapeuta que cuida dele, no hospital, e desse modo “escreve” um livro. A escrita, no caso, tira a borboleta de dentro do escafandro, para usar a imagem que dá título ao filme (e ao livro). Diz o personagem que só lhe restaram “a imaginação, a memória e o olhar”. Assim, ele mantém ativa a comunicação. Na aula de Redação Jornalística, assistimos ao filme logo na abertura do semestre, na tentativa de desafiar aos futuros jornalistas a sair do escafandro, não perder o pique diante dos obstáculos que virão. Depois, a turma escreveu o que sentiu. Abaixo, o primeiro relato, da Francine Ribeiro. (Guilherme)

“O que a vida pode nos reservar? E quando o olhar atento de um jornalista passa a ser o transmissor de todas as informações que antes eram contadas pelas palavras escritas pelas mãos, ou ditas pela voz? A vontade de contar as coisas permanece, porém com alguns obstáculos. Ou muitos obstáculos, que devem ser superados. Superação. Palavra forte, com importante significado e difícil de ser colocada em prática. Porém possível, quando contamos com o apoio de quem amamos. Muitas vezes, deixamos passar em nossas vidas oportunidades. Fazer uma viagem, dançar uma música, escrever coisas simples que estamos sentindo no momento…expor nossos sentimentos! Usando algumas palavras, um papel e uma caneta ou apenas nossas lembranças,que podem ser transmitidas pelo silêncio do nosso olhar.”

Cidadão em primeiro lugar

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Além de Redação Jornalística, também tenho a oportunidade de compartilhar algum conhecimento sobre Comunicação Institucional em disciplina no Ielusc. Na abertura do semestre, convidei os alunos a refletir e produzir resenhas críticas sobre o texto “O Cidadão em Primeiro Lugar”, do Francisco Viana. No texto, o jornalista aborda este caminho-sem-volta das organizações modernas provocado pela força dos cidadãos e espelhado no espaço que a atividade de comunicação passa a ocupar, com caráter estratégico. Algumas das reflexões, vou apresentar neste blog, daqui em diante. Fiquem à vontade para comentar. (Guilherme)

Do texto à visão estratégica de mercado
Luiza Martin

A comunicação nunca foi tão valorizada quanto hoje dentro de empresas, sejam elas públicas ou privadas. Com a globalização, as mais diversas informações e produtos são difundidos pelo mundo afora. Nesse contexto de aumento das possibilidades das relações, dentre elas as de consumo, a comunicação exerce função de mediadora entre consumidores e fornecedores de produtos e serviços. No texto de Francisco Viana, intitulado “O cidadão em primeiro lugar”, nomeia-se aquele que consome e atribui-se a ele papel importante na estrutura do mercado. É o consumidor-cidadão que regula as ações de uma empresa que prima pelo sucesso no mercado, em uma relação mediada pela mídia.

Cada vez mais, devido ao crescimento e complexidade do mercado, as relações entre consumidor e fornecedor exigem o intermédio dos veículos midiáticos. Para esclarecer e oficializar informações, o setor de comunicação de empresas se utiliza dos meios de comunicação, atingindo o público-alvo e construindo a imagem da empresa perante o consumidor.

A divulgação de atitudes positivas e o esclarecimento de fatos negativos representam manobras que a comunicação de uma empresa deve empregar para satisfazer a necessidade de seu público de se manter informado. O cidadão quer saber o que consome e usa a mídia para chegar às empresas públicas e privadas, principalmente quando tem o direito de consumidor desrespeitado. Portanto, a comunicação deve manter empresa, mídia e público-alvo em harmonia. Seria o trabalho da assessoria de comunicação semelhante ao de um diplomata, conforme interpretação das ideias de Viana, pois o assessor, “além de pensar estrategicamente, desempenha a atividade de um advogado”, ou seja, defende os interesses da empresa, mantendo coerentes suas propostas e ações. Logo, a comunicação institucional não precisará se comparar a outros ramos profissionais, como o diplomático, para se definir, porque terá sentido por si só e se tornará referência para outras atividades profissionais.

Caminha-se para a definição de um papel de relevância do comunicador dentro das empresas. As instituições que estão em sintonia com o mercado reconhecem a importância da assessoria na geração de lucros dos seus empreendimentos. Mais do que a produção de textos e conteúdos, a comunicação tem representado a visão estratégica da qual necessitam os administradores para prever suas ações de mercado. Portanto, no mundo globalizado, a comunicação institucional é fator determinante de sucesso no mercado.

Outros olhares

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[Aqui, o relato da Patrícia Schmauch para o exercício do Ielusc que desafiou a turma a descrever cenas cotidianas sob outros olhares]

Sobre a questão das coisas simples

Duas horas da tarde de uma típica e preguiçosa segunda-feira. Foi uma manhã gostosa, a não ser o calor terrível na volta pra casa. Sinto que ainda há em mim os resquícios do fim de semana. Finalmente cheguei em casa, depois de uma manhã de trabalho. Joguei minha bolsa num canto, tomei um banho, troquei de roupa, fui correndo ligar um ventilador qualquer. Quis descansar um pouco. Abri e fechei meus olhos bem devagar. De repente, deparei-me com lindos olhos azuis me fitando. A menininha vestia um vestido cor-de-rosa e tinha laços no cabelo. Maravilhosa! Como eu nunca havia reparado em tamanha angelicalidade e beleza? Não demorou a começar com as perguntas, frequentes logo que eu chegava em casa. Ganhei um abraço forte. Começou com suas histórias. Resolvi deixar as obrigações de lado e dar a ela merecida atenção. O brilho daquele olhar já havia me conquistado. Falamos de comida, de escola, de flores e bonecas. A pequena menininha dava risadinhas lindas. Comemos pipoca assistindo a um filme, brigadeiro e sorvete pra pular na piscina. Comecei a perceber como as coisas simples faziam bem às pessoas. Foi uma tarde muito especial. Já era fim da tarde e a vida acadêmica me chamava. Fui juntando minhas coisas e ela estava ali, próxima, colaborando. Quando tive que sair, ela me deu um beijo gostoso e um sorriso de aprovação. Até perguntou se poderíamos repetir na terça. Mas é claro que poderíamos! Até fazer mais e mais coisas! Menina boba! Caminhei até a faculdade. Pude sentir o cheiro da tempestade que estava se formando. Alguns clarões no céu e o gostinho da chuva um pouco antes de eu chegar ao meu destino. Caminhei devagar debaixo da água refrescante, sentindo as gotas refrescar minha alma.
E depois disso, o resto foi apenas o resto.

DSTs, ainda um desafio à saúde pública

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Há cerca de 20 agentes infecciosos que podem ser responsáveis pelo aparecimento das Doenças Sexualmente Transmissíveis, as DSTs. Mas as mais comuns são causadas por bactérias e podem ser completa e facilmente curadas, como a gonorreia, sífilis, cancro mole, infecção por clamídia e uretrites. À exceção da sífilis, essas doenças afetam, de um modo geral, os aparelhos genitais masculino e feminino. As causadas por vírus como herpes, condiloma, hepatite B e Aids são facilmente transmitidas e não podem ser eliminadas por medicamentos. Assim como a sífilis, podem afetar, além do aparelho genital, outras partes do corpo como fígado, olhos, boca, sistema nervoso, o reto, aparelho urinário e outros.

Pesquisas realizadas no Brasil mostram que, das mulheres com infecções não tratadas por gonorréia/clamídia, 10 a 40% desenvolvem doença inflamatória pélvica (DIP). Dessas, mais de 25% se tornarão inférteis – a estimativa da taxa de infertilidade por causas não infecciosas varia de 3 a 7 %. Entre homens, a clamídia tem-se tornado importante causa de infertilidade, quando não tratada adequadamente. Embora sejam, em sua maioria, de fácil prevenção e curáveis, as DSTs continuam, em todo o mundo, a causar sérios problemas de saúde pública, apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento. Devido aos danos físicos e complicações irreversíveis, em muitos casos são acompanhadas de sofrimento e danos psicológicos. Uma DST não tratada pode acarretar deficiência física e mental, disfunção sexual, esterilidade, aborto, malformações congênitas e câncer, entre outros problemas sérios.

Estudo comparativo dos níveis e tendências das DSTs bacterianas­ sífilis, gonorréia e clamídia­, realizado durante a última década em 16 países desenvolvidos, revelou que a incidência das três doenças é geralmente mais alta entre as mulheres adolescentes do que entre os homens da mesma idade. Isso se aplica principalmente à clamídia, que é extremamente alta entre adolescentes. No Brasil, estima-se que a cada ano, quatro milhões de jovens tornam-se sexualmente ativos e que ocorram cerca de 12 milhões de DSTs ao ano, das quais, um terço em indivíduos com menos de 25 anos. Considerando o longo período de latência da infecção pelo HIV/Aids, esses dados sugerem que a infecção ocorra, provavelmente, na adolescência. É, portanto, de fundamental importância que seja oferecida a detecção de DST/HIV a todas as mulheres com menos de trinta anos que procuram serviços de planejamento familiar ou de assistência pré-natal na rede pública de saúde.

Uma estratégia que também poderia ajudar bastante está ligada ao fato de que, em todo o mundo, a farmácia comunitária é um importante local de busca por atendimento primário de saúde. Os farmacêuticos são numerosos e são os profissionais de saúde mais acessíveis para o público em geral. A dificuldade de atendimento nos serviços de saúde, a falta de orientação para o uso racional de medicamentos ao usuário e a automedicação são uma realidade no Brasil. As farmácias devem, portanto, cada vez mais ser consideradas locais de intervenção para o estabelecimento de parcerias, no sentido de disseminar práticas educativas de prevenção de doenças como as DSTs.

Elisabeth Grubba Richter
Ginecologista e obstetra do Hospital Dona Helena

Ainda um novo olhar

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Mais um relato de estudante de Jornalismo, de uma cena urbana vista com outros olhos. O texto é de Edinei Knop.

Século 21. Uma população estressada, cansada e sem tempo. “Mas como o tempo está passando rápido!”, é o que se ouve por aí. Na verdade, é a própria população que não tem tempo para perceber que esse está passando. São tantos compromissos no dia a dia que acabamos nos esquecendo de observar, de inovar e procurar novidades. Passamos pela mesma rua, pela mesma calçada, no mesmo horário e com os mesmos objetivos, quase todos os dias, e não procuramos praticar “um olhar diferente” – aquele que nos revela cenas jamais vistas.

É através deste “novo olhar” que descobrimos muitas coisas. Como sou frequentador assíduo de transporte coletivo intermunicipal, decidi olhar para um novo ângulo. Escolhi olhar para baixo. Percebi que as pessoas, na correria diária, carregam no interior de seus automóveis objetos curiosos. Podemos citar: almofadas, envelopes amarelos, chapéu de caubói, sacolas verdes de uma loja de confecções masculinas, pastas, jornais, bolsas, pilhas de papel, sapinho de pelúcia e muito mais. Fiquei completamente abismado com tudo que vi. Eu não imaginava encontrar tantos objetos no interior dos carros. E também não imaginava que um simples direcionamento dos meus olhos pudesse revelar tantas curiosidades.

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