Edemilson Camilo, estudante de Jornalismo do Ielusc
Um dia nublado, sem cor de amor. Um dia pálido, sem sabor de amor. Um dia escuro de um futuro incerto. Uma cidade eufórica, mas deserta! Um movimento contido repentinamente, e tudo parou… Alguém pisaria em alguém espalhado na calçada com um salto agulha. Ninguém queria ceder – que desvie você! Olhava pro chão, encarava e se voltava para trás. Olhava o rebolado da morena, da loira ou da ruiva, olhava todas, tarado por bundas. Ela também olha, e vê o corpo sarado, já suado. Tinha outros aspectos, alguém estuda as vitrinas, um gracejo rompe o limite da etiqueta, ou alguém que viaja num beijo, param, começam, trocam tapinhas, beijo pequeno, prolongado, pensa que ninguém vê, e a mão faz uma carícia abaixo da bunda. Num frenesi, alguém ali tinha a percepção de tudo o que acontecia. Agora tinha o controle, mas se conteve. Alguém ali pensou no isolamento, e já congelava com falta do calor humano. Explorar a face das pessoas com gestos angustiantes, de uma rotina que mal começou. Tinha o ar de preocupado, cansado, irônico, felicidade, de dor, denotava tristeza, não via nada a não ser beleza e um belo vazio. Olhos arregalados, puxados, esbulhados, quentes, solitários e alguns tinham o mesmo vazio. Belos, mas vazios! Um vazio de um dia! Sentiu-se culpado e apertou o botão e tudo começou de volta, de volta, de volta… Ninguém se ateve nem se deteve a detalhes. Se as horas passassem, ninguém teria percebido, apenas diria que o tempo voa.
Quem gosta dos dramas, melodramas da vida? Os carros aguardavam o sinal. Abriu o sinal e se foi, ficou o vento que se passava por onde passava, era o único vento que cortava, mas predominava o ar pesado. O zunido faz parte da sonoridade, mas alguém harmoniza com fones de ouvido. Um aparelho que fica escondido entre as calças, pele, desfila na mão. Ainda livre dos arrastões! Levam tudo! Alguém precavido tarde leva a mão ao bolso e nada encontra. Dois guardas, que sejam policias, encostam uns no muro enquanto outros esmurram um. Adiante, distante do interesse, alguém grita pega ladrão. Em vez de conter da passagem e pensa – que tenho a ver com isso.
E alguém é incompreendido quando tenta compreender. Ama as pessoas, mas os gestos o incomodam! Que guarda pra si seus anseios, que vive pra si seus sonhos. Idealiza um mundo faz um convite e ninguém aceita. Busca a natureza, cavalgar em campos, passeios noturnos, vagas manhãs e tardes litorâneas, longe do afago da presença frenética, que vêm e vão ao mesmo ritmo, que confortam tantos, mas que transportam em nada ser. Ser mais um! Mais um… Vidas que vêm e que vão! Vidas que vêm e que vão! Vidas que vêm e que vão… em vão… (cantando) também nada fará, apenas dirá.