Tatiana Sabatke, estudante de Jornalismo do Ielusc

Já passou a época em que as empresas se fechavam para proteger informações e evitar que determinados fatos se tornassem notícia. Cada vez mais, elas buscam desenvolver projetos comunicacionais visando informar a mídia, o público em geral e os funcionários, por exemplo. Esse tipo de informação também ganhou uma nova configuração. Não cabe mais a divulgação de informação pela metade ou confusa.

Com essa mudança, o mercado das assessorias de comunicação, que já era habitado por jornalistas, publicitários e relações públicas, passou a crescer entre essas profissões. E no jornalismo já é um dos ramos que mais emprega. A assessoria conquistou espaço dentro das empresas desenvolvendo muito mais do que antes era considerado função do jornalista. O assessor de imprensa já se torna, como cita Francisco Viana no texto “O cidadão em primeiro lugar”, um consultor dentro das corporações.

É ao jornalista que muitos empresários recorrem para sanar dúvidas com relação ao processo comunicacional e aos problemas que porventura venham a afetar de alguma forma a boa imagem que a empresa cultiva perante a sociedade.

Falando de sociedade, é esse o principal ponto discutido pelo autor. Hoje, o cidadão influencia e está consciente da “obrigação” que a empresa tem de informá-lo. Viana diz que “o impasse é cultural: as empresas terão de se adaptar a uma sociedade em que o consumidor opina, influi e decide” (VIANA, p.36). Chegamos a um ponto em que a concorrência é muito grande e não é apenas o preço que influencia o consumidor na hora de decidir por determinado produto ou empresa, mas a “postura social” da organização, digamos assim.

Questões como responsabilidade social, clareza para com o consumidor e respeito perante a sociedade fazem toda a diferença no momento da escolha. É o consumidor respondendo a todo o processo que a empresa instalou para nutrir com informação de qualidade a comunidade em que opera.

Com o desenvolvimento desses projetos comunicacionais, a empresa fica mais próxima da comunidade e garante um canal de comunicação entre ambas as partes. Isso fica visível nos informativos internos produzidos pelas empresas. Nesse material é preciso falar e saber como falar para esclarecer problemas por que o grupo esteja passando ou informar sobre questões que os patrões não gostariam que chegassem ao funcionário de forma distorcida.

Observando dessa forma, é muito melhor que o trabalhador e sua família fiquem sabendo e divulguem a informação que partiu da empresa do que multipliquem o que escutam pelos corredores do local de trabalho. Outra questão que precisa ser discutida é o fato de que qualquer tipo de informação passada pelo assessor precisa ser verdadeira. Mentir ou distorcer os fatos causa problemas futuros como falta de credibilidade, fator importantíssimo nessa lógica de mercado.

Com a velocidade em que as informações chegam ao público e com a intensidade com que os veículos de informação trabalham é quase impossível omitir ou mentir sobre determinados acontecimentos. Uma hora ou outra o fato vai aparecer e será divulgado, seja pela “rádio peão”, seja por um segurança ou vigia da empresa (funcionário que circula pelos diversos setores) ou até mesmo pela agilidade dos jornalistas que buscam coletar informações de todas as formas durante o dia a dia.

Essa informação não passou a ser difundida pela empresa por simples vontade, é que com a agilidade no processo comunicacional o cidadão passou a exigir explicações e informações que lhe dizem respeito. Agora, basta que as empresas se acostumem com essa lógica e implantem uma assessoria de comunicação cada vez mais eficaz.