[Aqui, o relato da Patrícia Schmauch para o exercício do Ielusc que desafiou a turma a descrever cenas cotidianas sob outros olhares]

Sobre a questão das coisas simples

Duas horas da tarde de uma típica e preguiçosa segunda-feira. Foi uma manhã gostosa, a não ser o calor terrível na volta pra casa. Sinto que ainda há em mim os resquícios do fim de semana. Finalmente cheguei em casa, depois de uma manhã de trabalho. Joguei minha bolsa num canto, tomei um banho, troquei de roupa, fui correndo ligar um ventilador qualquer. Quis descansar um pouco. Abri e fechei meus olhos bem devagar. De repente, deparei-me com lindos olhos azuis me fitando. A menininha vestia um vestido cor-de-rosa e tinha laços no cabelo. Maravilhosa! Como eu nunca havia reparado em tamanha angelicalidade e beleza? Não demorou a começar com as perguntas, frequentes logo que eu chegava em casa. Ganhei um abraço forte. Começou com suas histórias. Resolvi deixar as obrigações de lado e dar a ela merecida atenção. O brilho daquele olhar já havia me conquistado. Falamos de comida, de escola, de flores e bonecas. A pequena menininha dava risadinhas lindas. Comemos pipoca assistindo a um filme, brigadeiro e sorvete pra pular na piscina. Comecei a perceber como as coisas simples faziam bem às pessoas. Foi uma tarde muito especial. Já era fim da tarde e a vida acadêmica me chamava. Fui juntando minhas coisas e ela estava ali, próxima, colaborando. Quando tive que sair, ela me deu um beijo gostoso e um sorriso de aprovação. Até perguntou se poderíamos repetir na terça. Mas é claro que poderíamos! Até fazer mais e mais coisas! Menina boba! Caminhei até a faculdade. Pude sentir o cheiro da tempestade que estava se formando. Alguns clarões no céu e o gostinho da chuva um pouco antes de eu chegar ao meu destino. Caminhei devagar debaixo da água refrescante, sentindo as gotas refrescar minha alma.
E depois disso, o resto foi apenas o resto.