Há cerca de 20 agentes infecciosos que podem ser responsáveis pelo aparecimento das Doenças Sexualmente Transmissíveis, as DSTs. Mas as mais comuns são causadas por bactérias e podem ser completa e facilmente curadas, como a gonorreia, sífilis, cancro mole, infecção por clamídia e uretrites. À exceção da sífilis, essas doenças afetam, de um modo geral, os aparelhos genitais masculino e feminino. As causadas por vírus como herpes, condiloma, hepatite B e Aids são facilmente transmitidas e não podem ser eliminadas por medicamentos. Assim como a sífilis, podem afetar, além do aparelho genital, outras partes do corpo como fígado, olhos, boca, sistema nervoso, o reto, aparelho urinário e outros.

Pesquisas realizadas no Brasil mostram que, das mulheres com infecções não tratadas por gonorréia/clamídia, 10 a 40% desenvolvem doença inflamatória pélvica (DIP). Dessas, mais de 25% se tornarão inférteis – a estimativa da taxa de infertilidade por causas não infecciosas varia de 3 a 7 %. Entre homens, a clamídia tem-se tornado importante causa de infertilidade, quando não tratada adequadamente. Embora sejam, em sua maioria, de fácil prevenção e curáveis, as DSTs continuam, em todo o mundo, a causar sérios problemas de saúde pública, apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento. Devido aos danos físicos e complicações irreversíveis, em muitos casos são acompanhadas de sofrimento e danos psicológicos. Uma DST não tratada pode acarretar deficiência física e mental, disfunção sexual, esterilidade, aborto, malformações congênitas e câncer, entre outros problemas sérios.

Estudo comparativo dos níveis e tendências das DSTs bacterianas­ sífilis, gonorréia e clamídia­, realizado durante a última década em 16 países desenvolvidos, revelou que a incidência das três doenças é geralmente mais alta entre as mulheres adolescentes do que entre os homens da mesma idade. Isso se aplica principalmente à clamídia, que é extremamente alta entre adolescentes. No Brasil, estima-se que a cada ano, quatro milhões de jovens tornam-se sexualmente ativos e que ocorram cerca de 12 milhões de DSTs ao ano, das quais, um terço em indivíduos com menos de 25 anos. Considerando o longo período de latência da infecção pelo HIV/Aids, esses dados sugerem que a infecção ocorra, provavelmente, na adolescência. É, portanto, de fundamental importância que seja oferecida a detecção de DST/HIV a todas as mulheres com menos de trinta anos que procuram serviços de planejamento familiar ou de assistência pré-natal na rede pública de saúde.

Uma estratégia que também poderia ajudar bastante está ligada ao fato de que, em todo o mundo, a farmácia comunitária é um importante local de busca por atendimento primário de saúde. Os farmacêuticos são numerosos e são os profissionais de saúde mais acessíveis para o público em geral. A dificuldade de atendimento nos serviços de saúde, a falta de orientação para o uso racional de medicamentos ao usuário e a automedicação são uma realidade no Brasil. As farmácias devem, portanto, cada vez mais ser consideradas locais de intervenção para o estabelecimento de parcerias, no sentido de disseminar práticas educativas de prevenção de doenças como as DSTs.

Elisabeth Grubba Richter
Ginecologista e obstetra do Hospital Dona Helena