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Zigmunt Bauman e as favelas brasileiras

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ENTREVISTA ESPECIAL: ZYGMUNT BAUMAN (SEGUNDA PARTE)

(Entrevista retirada da Agência Notisa – science journalism, jornalismo científico)

Notisa: A população das áreas das favelas está sendo tratada como ‘o outro’, de acordo com o seu conceito sobre aquele que é estranho, indesejável, estrangeiro etc.?

ZYGMUNT BAUMAN – Sim, os residentes das favelas estão configurados na variação brasileira de um problema muito mais universal da vida urbana: a criação da imagem do ‘outro’ na forma do estranho, ou desconhecido. Não importa o que aconteça com as cidades em sua história, uma característica permanece constante: as cidades são espaços onde estranhos se movem ou permanecem em lugares próximos uns dos outros. Esta presença de estranhos em todos os espaços, constantemente dentro do alcance e da linha de visão, insere uma grande dose de ‘incerteza perpétua’ para todos objetivos dos habitantes; essa presença é uma fonte de ansiedade prolífica e inesgotável, e de uma agressividade que normalmente permanece dormente, mas que de tempos em tempos entra em erupção.

O ‘outro’ também fornece uma saída conveniente – e prática – para o medo inato do desconhecido, do incerto e do imprevisível. Afastando os ‘estranhos’ para longe de nossas casas e ruas, o apavorante fantasma da incerteza é, mesmo que por apenas um momento, exorcizado: o horrível monstro da insegurança é queimado em efígie. Mas, apesar desses exorcismos, nossa moderna vida líquida permanece teimosamente incerta, errante e caprichosa; o alívio tem vida curta, e esperanças ligadas aos mais firmes alicerces são derrubadas assim que surgem.

O ‘estranho’ é, por definição, um agente movido por intenções que podem ser, na melhor das hipóteses, adivinhadas – mas das quais nunca se pode ter certeza. Em todas as equações que compomos quando estamos deliberando o que fazer e como se comportar, o estranho é uma variável desconhecida. O estranho é, afinal, ‘estranho’, um ser bizarro, cujas intenções e reações podem ser radicalmente diferentes daquelas das pessoas ordinárias (comuns, familiares). E então, mesmo quando não se comportam agressivamente ou ressentidos de forma explícita, estranhos provocam desconforto: sua mera presença torna torturante a tarefa que já é desanimadora, de prever efeitos de uma ação e suas chances de sucesso. E mesmo o dividir espaço com estranhos, viver na proximidade de estranhos (que via de regra não são convidados ou bem-vindos), é a condição que os habitantes das cidades sentem como difícil, e mesmo impossível de se esquivar.

Como a proximidade dos desconhecidos é o destino não-negociável dos citadinos, alguns modus vivendi capazes de tornar a coabitação palatável e a vida desfrutável precisam ser desenhados e testados. A maneira pela qual gratificamos essa necessidade é, todavia, uma questão de escolha. E as escolhas nós as fazemos cotidianamente: sejam por ação ou omissão, por projeto ou padrão, por decisão consciente ou apenas por seguir, cega e mecanicamente, os moldes costumeiros; por discussão e deliberação ampla, ou apenas por seguir o confiável, porque é um meio na moda. Abandonar a busca de uma convivência (modus co-vivendi) é uma das decisões possíveis.

Sobre São Paulo, por exemplo – a maior, mais movimentada e rápida das cidades brasileiras em expansão – Teresa Caldeira escreve: “São Paulo é hoje uma cidade de muros. Barreiras físicas foram construídas por toda a parte – ao redor das casas, apartamentos, parques, praças, locais de trabalho e escolas… Uma nova estética da segurança modela todos os tipos de construções e impõe nova lógica de vigilância e distância…” Quem pode pagar, compra para si uma residência em um “condomínio”, em sua essência uma ação eremita: fisicamente dentro, mas social e espiritualmente fora da cidade. “Comunidades fechadas têm por objetivo serem mundos à parte. Suas propagandas propõem um ‘modo de vida’ total que deveria representar uma alternativa à qualidade de vida oferecida pela cidade e seu deteriorado espaço público”. Uma característica proeminente do condomínio é seu “isolamento e distância da cidade. Isolamento significa separação daqueles considerados socialmente inferiores” e, como os criadores e agentes do estado insistem, “o fator chave para garantir isso é a segurança. Isso significa cercas e muros circundando o condomínio, guardas em alerta vinte e quatro horas por dia controlando as entradas, e um leque de medidas e serviços para manter os outros do lado de fora”.

Como todos sabemos, cercas possuem dois lados. Cercas dividem o espaço que de outra forma seria contínuo em um “lado de dentro” e um “lado de fora”, mas o que está ‘dentro’ para aqueles que estão em um lado da cerca é o que está ‘fora’ para aqueles do outro lado. Os residentes do condomínio se cercam fora da vida truculenta e difícil da cidade em um oásis de calma e segurança. Pelo mesmo motivo, no entanto, eles cercam todos os outros fora dos locais seguros, decentes e agradáveis e em suas próprias, reconhecidamente esquálidas e miseráveis ruas. A cerca separa o ‘gueto voluntário’ dos ricos e poderosos dos guetos forçados dos pobres e infelizes. Para os indivíduos dentro dos guetos voluntários, os outros guetos são espaços aonde não se deve ir. Para os residentes da contrapartida involuntária, a área na qual estão confinados é uma área da qual não se pode sair.

Paradoxalmente: originalmente construídas para garantir segurança para todos seus habitantes, as cidades são hoje em dia mais associadas com o perigo do que com a segurança. Como Nan Elin posiciona: o “fator medo com certeza cresceu, como pode ser indicado pelo aumento no número de sistemas de trancas de portas de carros e casas, pela popularidade das comunidades ‘muradas’ e ‘seguras’ para todos os grupos etários e de renda e pela crescente vigilância de espaços públicos, para não mencionar os relatos de perigo emitidos insistentemente pela mídia de massa”.

Ameaças genuínas e presumidas para o corpo e para a propriedade individual estão se tornando considerações maiores sempre que méritos ou desvantagens de um espaço são contemplados. Ameaças também foram apontadas como a preocupação no topo das políticas imobiliárias. Incerteza do futuro, a fragilidade da posição social e a insegurança existencial, esses acompanhantes onipresentes da vida no mundo ‘líquido-moderno’, estão notoriamente enraizadas em locais remotos, ainda assim, as paixões por eles geradas tendem a ser focadas nos alvos mais próximos e canalizadas nas preocupações com a segurança individual: o tipo de preocupações que são condensadas em ímpetos segregacionistas / exclusionistas, levando inexoravelmente a guerras de espaço urbano.

Como nós podemos aprender do estudo perceptivo do jovem crítico de arquitetura e urbanística americano, Steven Flusty, dar os meios necessários para essa guerra, e, particularmente, desenhar as maneiras para negar aos adversários o acesso ao espaço reivindicado são os fins mais salientes da inovação da arquitetura e do desenvolvimento urbano nas cidades norte-americanas.

As novidades mais orgulhosamente anunciadas são os ‘espaços interditivos’ – “projetados para interceptar, repelir ou filtrar possíveis usuários”. Explicitamente, o propósito dos ‘espaços interditivos’ é dividir, segregar e excluir – não construir pontes, facilitar acessos e locais de encontro hospitaleiros; não facilitar, mas sim romper a comunicação e separar, não unir pessoas.

As invenções arquitetônicas / urbanísticas listadas e nomeadas por Flusty são os equivalentes aprimorados das torres, fossos e ameias das paredes das cidades; com apenas a ressalva de que ao invés de defender a cidade e seus habitantes contra os inimigos de fora, são construídas para manter os residentes da cidade do lado de fora. Entre as invenções citadas por Flusty, está o “espaço escorregadio” – “um área que não pode ser alcançada, porque seu acesso é contorcido, prolongado ou porque faltam caminhos para a abordagem”, o “espaço espinhoso” – “um espaço que não pode ser confortavelmente ocupado, defendido por detalhes como chuveiros automáticos para extinção de incêndios montados em paredes, para expulsar vadios, ou bordas inclinadas para impedir que pessoas se sentem”; e “espaços agitados” – “áreas que não podem ser utilizadas sem vigilância devido ao controle ativo de patrulhas móveis e / ou tecnologias remotas ligadas a estações de segurança”. Todas essas inovações e outras como elas têm somente um propósito: cortar enclaves extraterritoriais, erigir pequenas fortalezas nas quais os membros da elite supra-territorial global podem aprumar, cultivar e apreciar sua independência física e seu isolamento espiritual da localidade. Os ‘aprimoramentos’ descritos por Steven Flusty são manifestações high-tech da constante mixofobia (receio de estar na presença física de descoonhecidos), uma das reações mais comuns à incompreensível, arrepiante e enlouquecedora variação de tipos e estilos de vida humanos que esbarram em seus ombros nas ruas das cidades contemporâneas e em seus ‘ordinários’ (leia-se: não protegidos por ‘espaços interditivos’) bairros. Descarregar anseios segregacionistas pode aliviar a tensão crescente. Diferenças confusas e desconcertantes podem ser inexpugnáveis e irascíveis, mas talvez a toxina possa ser removida de suas feridas atribuindo a cada forma de vida seu espaço físico separado, isolado, bem demarcado e devidamente guardado… Talvez cada um possa garantir a segurança de si mesmo, de seus amigos e parentes e outras pessoas ‘parecidas consigo mesmo’, em um território livre da mixórdia e da sujeira que irremediavelmente envenenam as áreas urbanas…

A mixofobia se manifesta em uma pulsão em direção a ilhas de similaridade e mesmice entre o mar de variedade e diferenças. As razões para a mixofobia são banais – fáceis de compreender, se não necessariamente fáceis de esquecer. Como Richard Sennett sugere, “o sentimento de ‘nós’, que expressa o desejo de ser similar, é uma maneira que os homens encontram de evitar a necessidade de olhar mais profundamente para dentro de cada um”. Esse sentimento promete algum conforto espiritual: a perspectiva de tornar a convivência mais fácil, fazendo redundantes os esforços para entender, negociar e se comprometer. “O desejo de evitar a participação de fato é inato ao processo de formar uma imagem coerente da comunidade. Sentir laços comuns sem experiências comuns ocorre primeiramente porque os homens têm medo de participação, têm medo dos perigos e desafios dela, têm medo da dor que ela provoca”. O impulso em direção à ‘comunidade da similaridade’ é um sinal do retrocesso não somente da alteridade externa, mas também do compromisso vívido ainda que turbulento, engajado ainda que incômodo que existe no lado de dentro.

Escolher a opção de fuga solicitada pela mixofobia tem uma consequência insidiosa e deletéria própria: quanto mais auto-perpetuante e auto-afirmada for a estratégia, mais é inefetiva. Quanto mais tempo se gasta na companhia de outros ‘como si mesmo’, com os quais é possível ‘socializar’ superficialmente e, evidentemente, sem riscos de incompreensão, e sem a onerosa necessidade de orbitar entre universos de significado distintos – mais os indivíduos que levam a cabo tais práticas tendem a ‘desaprender’ a arte de negociar significados e modus co-vivendi. Conforme falham em aprender ou esquecem as perícias necessárias para viver com as diferenças, ou simplesmente negligenciam a possibilidade de adquiri-las – eles veem com apreensão crescente a perspectiva de confrontar os estranhos cara-a-cara. Os estranhos parecem ainda mais assustadores conforme se tornam ‘alienígenas’, pouco familiares e incompreensíveis e quando a comunicação mútua que poderia finalmente assimilar a ‘estranheza’ para a sua própria vida-mundo desaparece ou nunca surge, em primeiro lugar. O ímpeto para um ambiente homogêneo e territorialmente isolado pode ser engatilhado pela mixofobia; mas, praticar a separação territorial é o cinto de segurança e a fonte de alimento dela.

Uma vasta maioria de pesquisadores concorda que o principal motivo que leva pessoas a se trancarem dentro das paredes e circuitos fechados de televisão de uma ‘comunidade murada’ é -consciente ou inconscientemente, de forma explícita ou tácita – seu desejo de manter a ‘fera longe de casa’, o que pode ser traduzido como manter os estranhos à distância… Estranhos são ‘riscos’, portanto cada desconhecido é um arauto do perigo. Ou pelo menos é nisso que aquelas pessoas acreditam. E o que elas desejam mais do que qualquer outra coisa é estar a salvo do perigo, mais precisamente, estar seguras do angustiante, assustador e incapacitante medo da insegurança. Elas esperam que as paredes os protejam do medo.

O revés, todavia, é que há mais de uma razão para se sentir inseguro. Sejam críveis ou fantasiosos, os rumores sobre os números crescentes de crimes e de assaltantes ou predadores sexuais preparando emboscadas e esperando por uma ocasião para atacar se traduzem em apenas uma dessas razões. Afinal de contas, nos sentimos inseguros porque nossos empregos, e por consequencia por nossos salários, posições sociais e dignidade, estão sob ameaça. Nós não estamos seguros contra a ameaça de sermos tornados ‘redundantes’, excluídos e despejados, perdendo a posição que amamos e acreditamos ter herdado, e que seria nossa para sempre. Tampouco as parcerias que gozamos estão infalíveis e seguras: podemos sentir tremores subterrâneos e esperar terremotos. A familiar vizinhança pode sofrer a ameaça de ser derrubada para dar lugar a novos empreendimentos. Em geral, seria evidentemente tolo acreditar que todas essas ansiedades bem ou mal-fundadas poderiam ser armazenadas e postas em animação suspensa uma vez que nos cercássemos com paredes, guardas armados e câmeras de tv.

Mas o que dizer sobre aquela (aparentemente razoável) primeira razão para optar por uma ‘comunidade murada’ – distante dos medos de abordagens físicas, violência, assaltos, roubos de carro e mendigos importunos? Não vamos ao menos dar atenção a esse tipo de medo? Infelizmente, mesmo nesse front, os ganhos dificilmente justificam as perdas. Como é indicado pela maioria dos observadores atentos da vida urbana contemporânea, as probabilidades de ser assaltado ou roubado podem cair uma vez que se está atrás dos muros, – a persistência do medo, no entanto, não (mesmo assim, pesquisas conduzidas recentemente na Califórnia, talvez a maior guarnição da obsessão por ‘comunidades muradas’, não encontraram nenhuma diferença entre os espaços murados e não-murados). Anna Minton, a autora de um estudo aprofundado intitulado ‘Ground Control: Fear and Hapiness in the Twenty-First-Century City’, conta o caso de Mônica, uma mulher que “gasta a noite inteira acordada e muito mais assustada do que jamais esteve em 20 anos vivendo em ruas comuns” quando “uma noite, os portões eletronicamente controlados não funcionaram e tiveram de ser abertos de forma convencional”. Atrás de muros, a ansiedade cresce, ao invés de se dissipar – e o mesmo se passa com a dependência do estado mental dos residentes nos ‘novos e avançados’ dispositivos de alta tecnologia, comercializados na promessa de manter riscos, medos e perigos fora de jogo. Quanto mais um indivíduo se cerca com esses dispositivos, maior é o medo que algum deles ‘pare de funcionar’. E quanto mais esse alguém se preocupa com a ameaça espreitando em cada estranho, mais a “tolerância e apreciação pelo inesperado retrocede”, e menos esse alguém é capaz de confrontar, manusear, gozar e apreciar a vivência, variedade e vigor da vida urbana. Se trancar em uma comunidade murada para afastar os receios, é como retirar a água da piscina para ter certeza de que as crianças vão aprender a nadar em total segurança.

Por uma comunicação mais social!

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Participamos da Conferência Municipal de Comunicação, sexta e sábado, na Câmara Municipal de Joinville. A convite da prefeitura, fui um dos “interlocutores” no eixo sobre Produção de Conteúdo, um dos três grandes temas que nortearam os debates realizados no evento. E põe debate nisso! Uma das melhores coisas foi, exatamente, a oportunidade de colocar lado a lado diferentes segmentos sociais, de empresas (não foram muitas, mas mesmo assim valeu) ao poder público, de organizações não-governamentais a entidades profissionais, para debater isso que, afinal, interessa pra todo mundo, que é o desafio de construir uma comunicação mais inclusiva e democrática. Entre outros aspectos, no eixo de Produção de Conteúdo, tratou-se do necessário estímulo à produção local por parte de emissoras de rádio e TV, dos projetos de rádio e TV públicas para Joinville (a rádio virá em 2010 e será administrada pela Fundação Cultural) e, ainda, de uma bandeira igualmente relevante que é a discussão sistemática sobre a qualidade do que nos servem pela mídia local, muitas mais vezes mais deformando/desinformando do que prestando o serviço de interesse público que lhe cabe ou deveria lhe caber. Da conferência local, as conclusões seguirão para o fórum estadual e, de lá, para o nacional. Bacana. Sem querer, ajudamos a fazer história. (Guilherme)

Produção literária e perfomance artística depois de concurso

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“Fomos nos tornando um destes casais padrão, que a mídia se encarrega de produzir em linha de série, um destes casais que juram ser um só mas não compartilham a escova de dentes, que fazem sexo como se fosse amor, tão burocráticos quanto autofágicos”.

“Físsil”, conto premiado com terceiro lugar no Prêmio Literário de 2007.

O autor do trecho citado acima é Eduardo Baumann. Na edição de 2007, ele decidiu se inscrever no concurso e, embora tenha utilizado rascunhos e anotações de gaveta, produziu “Físsil” especificamente para a ocasião. “O prêmio serviu de estímulo para que eu apostasse mais na literatura e arriscasse concorrer ao edital municipal de cultura nessa área”, confessa.

Com o incentivo do Edital de Apoio às Artes, Eduardo Baumann publicou o livro “Dois em Um”, em parceria com Fernanda Leal. Além da literatura, Baumann atua com outras linguagens artísticas, como a perfomance. “Eu creio que o Prêmio de de Expressão Literária é fundamental na consolidação da produção de literatura da região”, destaca e explica: “Podemos observar que praticamente todos os autores que recentemente tiveram obras publicadas por aqui já haviam sido revelados anteriormente pelo prêmio”.

Atualmente, Baumann trabalha em projetos literários, em parceria com Melanie Peter, premiada na edição do ano passado do concurso. Além disso, participou de uma oficina literária, promovida por Carlos Schroeder, no Sesc de Jaraguá, que deve resultar em uma antologia com os textos produzidos no curso. Junto com Melanie Peter, Eduardo Baumann integra o grupo de performance “Coletivo ‘?’”, que teve o projeto “Gênero e Ritual”, aprovado pelo Simdec.

É pique…

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Texto do parceiro César Döhler, publicado no jornal A Notícia

É pique. É hora. É hora. É hora. Rá. Tim. Bum. E viva a vida. Por que só cantamos essa musiquinha na hora do parabéns, quando existem tantas oportunidades para celebrar? Os dias passam, os compromissos aumentam e dezembro está ali na porta. Quantos momentos são bons e quantos, ruins? Mas parece que as pessoas fazem questão de se lembrar mais das turbulências do que do céu azul. É preciso fazer um esforço para ladrilhar as ruas por que passamos com os tijolinhos do bem, em vez de ficar só se lamentando. A felicidade não está à venda, precisa ser conquistada, porque pode nos libertar dos remédios, do estresse e dos fantasmas que nos cercam. Que tal começar a jornada matinal dizendo “bom-dia”? Desejar bom-dia para alguém é como adubar seu próprio dia, fazendo florescer oportunidades.

As pessoas estão assoberbadas e não há tempo para pronunciar as palavras mágicas (por favor, obrigado, com licença, desculpa). Porém, com pequenos gestos, podemos mudar as coisas. Se evitar trabalho estressante é difícil, pode-se cultivar uma aptidão porque a incompetência gera incerteza e noites sem dormir. Felicidade vem depois da angústia. É uma duradoura sensação de alívio, de “graças a Deus já passei por isso”. Quando damos uma gargalhada, 14 músculos entram em ação, gerando bem-estar. A vida anda tão séria que é raro escutar uma boa piada. O dia a dia depende de nós. Quando acordamos, iniciamos uma jornada de escolhas. Se, saindo de casa, de mau-humor, dermos um chute no cachorro, imaginem como será o final do dia do coitado. E também o seu, com o corpo quebrado e a saúde, física e mental, nocauteada.

Falar é fácil, difícil é fazer. Qual é a receita de felicidade? Misture alegria com pitadas de paz de espírito, vontade de viver e um pouquinho de gelo. Pena que não é tão simples assim. A tribo dos 10 aos 90 anos tem variadas receitas para relatar. Imagine quantas ideias de como ser feliz poderiam vir à tona. Dá até para escrever um livro, que vai render boas risadas. A felicidade pode nos levar a inúmeras descobertas. Precisamos eliminar as nuvens negras que insistem em permanecer acima das nossas cabeças e olhar para um novo horizonte. Rixas, embates, finca-pés, altas pressões, estopins curtos – xô! Paz e amor. Tenham todos um “bom dia” e sejam felizes.

Zigmunt Bauman fala sobre as favelas brasileiras

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ENTREVISTA ESPECIAL: ZYGMUNT BAUMAN (PRIMEIRA PARTE)

(Entrevista retirada da Agência Notisa – science journalism, jornalismo científico)

A matéria de hoje inaugura uma série de três que compõem a entrevista que o professor Zigmunt Bauman concedeu à Agência Notisa, na qual trata da questão das favelas do Rio de Janeiro. Nossa intenção foi interrogar se, para o sociólogo polonês, haveria ligações entre os conceitos que descreve no seu livro Modernidade e Holocausto e o contexto da cidade. Basicamente, Bauman mostra no livro que o Holocausto, tal como outros genocídios levados a cabo no mundo contemporâneo, não é uma deformidade da História, mas sim um mecanismo inerente à Modernidade, especialmente organizado de forma fabril para dar conta de “limpezas” consideradas necessárias e organizadas pelos Estados. Vale aqui uma explicação sobre as rotinas de produção desta entrevista: enviamos o pedido, acompanhado de três perguntas, e o professor nos solicitou um tempo para estudar o assunto. O resultado foram três artigos, respectivamente elaborados para cada uma delas. Optamos pela tradução e publicação na íntegra, inclusive com a bibliografia que segue, no último envio, próxima terça feira. É nossa intenção também disponibilizar as respostas originais em inglês, que poderão ser pedidas a nós por e-mail, ao término da publicação completa.

NOTISA: a situação das favelas brasileiras pode ser comparada com o Holocausto, de alguma maneira?

Zygmunt Bauman – Não, colocar o fenômeno das favelas na mesma categoria do Holocausto faria sua compreensão, assim como sua profilaxia, mais ao invés de menos difícil. Holocausto (de judeus, ciganos, armênios na Turquia, tutsis em Ruanda) foi um meio desenvolvido e aplicado para aniquilar populações inteiras, homens e mulheres, idosos e jovens – grupos considerados ‘vazios’ de usos positivos, quando em interferência com o modelo de ordem social, que se presumia dever ser entranhado e reforçado. As favelas, multiplicadas e vivendo um ‘inchaço’ desde os anos 70 nas grandes cidades do Brasil – passaram de cerca de 60 favelas no Rio de Janeiro em 1940 para um número que se alega ser de 600 hoje – pelo influxo massivo de populações rurais sem terra, expropriadas ou desempregadas (predominantemente do nordeste do país), encontraram sua posição indispensável na totalidade do sistema social vigente, praticam uma série de funções sociais para as quais são, até agora, insubstituíveis, e até onde eu sei, não existem projetos que visem à exterminação de seus habitantes in totum, tampouco há um grupo poderoso o suficiente para compor e sustentar tal desígnio.

Para começar, as favelas servem como ‘lixeira’ para o grande número de indivíduos ‘redundantes’, comprimidos de outras partes do país, onde seus tradicionais modos de vida foram destruídos, que procuraram chances de reconstruir suas vidas nas cidades grandes, mas para os quais os poderes do Estado não possuem provisões sociais para oferecer, ou planos para provê-los no futuro próximo. A notória ‘informalidade’ da vida dentro desses meios, pairando constantemente à beira da ilegalidade, atua “como uma alternativa” para as agências do Estado, que não são hábeis o bastante para assumir a responsabilidade pela sobrevivência dos empobrecidos, exilados e redundantes.Mesmo sem declarar isto abertamente, agências estatais devem estar confortáveis com a capacidade de as populações das favelas de “cuidarem dos assuntos com as próprias mãos” – por exemplo, montar seus barracos com materiais instáveis, encontrados ao acaso ou roubados, na falta de projetos de habitação planejados e construídos por autoridades estaduais ou municipais para acomodá-los. Na verdade, as consequências potencialmente desastrosas da escassez de serviços médicos públicos são ao menos, em pequena parte, mitigadas pela presença de redes informais/ ilegais de patrões e clientes.

O vácuo político-social criado no interior desses meios pela saída em retirada de instituições estaduais ou municipais, sua relutância ou inabilidade de adentrar e (para todos os intentos e propósitos práticos) verdadeira suspensão aí das leis do país, assim como a incapacidade de o Estado de fazê-las obrigatórias, foi prontamente preenchido por poderosos impérios do tráfico de drogas – para os quais as favelas, na condição de que a presente situação se perpetue, se tornaram rapidamente indispensáveis: de fato, principais enclaves no país – uma vasta rede de postos avançados. Esses impérios, fazendo com que o Rio se tornasse um elo crucial na rota da circulação da maconha e da cocaína, têm agora investido na meta de preservar as favelas e seus mecanismos de auto-reprodução. Com tais objetivos em mente, o Comando Vermelho e seus competidores emergentes/alternativos, como, por exemplo, o Terceiro Comando, assumiram, mesmo que de forma deformada, a ‘lei e a ordem’ e as funções de prover serviços sociais, que as agências estatais abandonaram ou falharam em assumir.

É claro que, muitas das funções decisivas para levantar as populações das favelas acima do círculo vicioso de pobreza, exclusão e ‘invalidez’ social, como, por exemplo, a educação – 25% dos moradores jovens das favelas não possuem qualquer instrução, e somente 1% alcançou o nível superior – caíram como baixas colaterais dessa mudança de poder.

Na falta de todo e qualquer constrangimento legal – muito menos um controle estatal efetivo – sobre a atividade dos conglomerados do tráfico de drogas, as favelas se tornaram o palco favorito onde é encenado o ajuste de contas entre grupos concorrentes. Como resultado, a taxa de homicídios (composta de vítimas de conflitos intragangues, clientes não confiáveis e vítimas acidentais) é consideravelmente maior do que nos distritos ‘melhores’, de classe média do Rio, o que constitui a principal circunstância responsável por tornar a favela, nas mentes da classe média, um sinônimo de violência desenfreada, e que reduz ao mínimo tolerável a comunicação entre regiões pobres e afluentes da cidade, não obstante sua proximidade física.

Por último, mas não menos importante, as relações entre policiais e ‘companhias que traficam drogas’ são, na feliz expressão de Bernardo Sorj (ver seu Confronting Inequality in the Information Society, UNESCO: Brazil 2003), “nem guerra nem paz”. Por um lado, como Sorj aponta, “a polícia representa o principal inimigo do tráfico de drogas, assassinando centenas de seus membros e empregados a cada ano”. Por outro, todavia, “a polícia participa dos vastos lucros do comércio das drogas, seja pela venda de armas, libertando traficantes e ‘chefes’ mediante pagamento, ou aceitando subornos para permitir a passagem de cargas”. Esse amor e ódio entre os dois principais ‘agentes do terror’ acrescenta ao estigma a imagem de favelas como teatro de violência genocida; ao mesmo tempo, no entanto, também adiciona a ‘funcionalidade’, verdadeira indispensabilidade, para as favelas na manutenção do atual sistema de poder brasileiro. Permitam-me acrescentar, a polícia brasileira possui um longo histórico de tratamento brutal contra os pobres do país, alcançando tempos distantes, desde bem antes da relativamente nova proliferação das favelas; estas não deram origem à brutalidade – ela foi somente reforçada sobre diferentes fontes e ganhos corruptos. A brutalidade policial é concebida para ser espetacular, não para ser particularmente bem-sucedida em combater crimes e corrupção e sim para convencer a população de seu poder coercitivo potencial e atemorizá-los à obediência silenciosa.

No todo, o registro sangrento e a intensidade da violência que aparenta crescer nas áreas pobres das cidades brasileiras são fatores essencialmente conservadores, calculados para preservar e mesmo ‘entranhar’ a atual estrutura de dominação sóciopolítica (e, sobretudo, a submissão de suas principais vítimas – os redundantes, os excluídos, os pobres e os miseráveis – não para modificar ou remodelar, muito menos para revisar ou superar o presente modelo de sociedade e distribuição de poder, o que foi regra no objetivo de iniciativas como o Holocausto).

As palavras de um avaliador

Prêmio Literário Seja o primeiro a comentar »

“Fui positivamente surpreendido com a qualidade dos trabalhos apresentados e aprendi um pouco mais dessa extraordinária arte de recriar o mundo, a vida, nos campos férteis da imaginação que só a literatura oferece”, essa é a opinião de Samuel Pantoja Lima, professor e jornalista, que já participou do Prêmio Literário como avaliador.

Samuca, como é mais conhecido, é doutor em mídia e atuou como diretor do curso de comunicação social do Bom Jesus/Ielusc durante cinco anos. Para ele, a experiência foi gratificante, pois demonstrou os talentos que se tem em Joinville e região. “É fundamental estimular e incentivar a arte de novos talentos em uma área da atividade humana tão essencial que é a literatura e o prêmio literário tem esse mérito”.

Rodrigo Schwarz e Fábio Abreu, entre cobras e gatos

Outros Seja o primeiro a comentar »

Neste sábado, quem estiver em Joinville não pode perder o lançamento do livro “Ração para Cobras”, de nosso amigo, baita profissional, o jornalista Rodrigo Schwarz – com ilustrações de ninguém menos que o artista do desenho, Fábio Abreu. O livro, viabilizado por aprovação do Simdec – Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura – é para crianças dos 7 aos 107 anos, como diz o convite. E, pode parecer loucura, mas fala de gatos. A maior parte da tiragem de mil exemplares será doada para as escolas públicas da maior cidade catarinense. Posso ser suspeita para falar, mas o livro está realmente espetacular – nosso querido Fábio respondeu com muita beleza e sensibilidade ao texto do amigo Rodrigo.  E custa a bagatela de 15 pilas – imagine que delícia de presente atrasado de Dia da Criança… Um atrasinho que vale mesmo a pena. O lançamento vai ser na Estação da Memória, dia 17 de outubro, às 14h. Para quem esqueceu, a Estação da Memória fica na antiga estação ferroviária, em frente ao shopping Americanas, e tal. Rodrigo Schwarz é o único autor joinvilense publicado por uma editora nacional, a Bertrand Brasil, que colocou no mercado  ”A Ilha dos Cães”. É também um dos grandes amigos do Prêmio Joinville de Expressão Literária – onde já atuou como jurado. Muito mais sucesso a esses guris, de cães e gatos. (Ana)

Prêmio literário valoriza a cidade, diz pró-reitora

Prêmio Literário Seja o primeiro a comentar »

Este ano, uma das principais novidades do Prêmio Literário foi a entrada da Univille como organizadora do concurso, por meio da Reitoria de Extensão e Projetos Comunitários. De acordo com a pró-reitora de extensão e assuntos comunitários Berenice Garcia, o apoio ao prêmio veio da vontade de movimentar, ainda mais, as atividades literárias e culturais da cidade.

Para ela, o prêmio literário é importante, pois “abre a possibilidade de divulgar novos talentos e de poder divulgar o que já se tem na cidade”. A ideia da instituição, segundo a pró-reitora, é dar continuidade ao concurso, incentivando ainda mais os acadêmicos e a comunidade para o tema. “Queremos mostrar que com boas parcerias, muito mais ações podem ser desenvolvidas para que Joinville possa ser ainda mais reconhecida como valorizadora da arte e da cultura.

Um papo com o Torquato

Jornalismo, O papel do assessor Seja o primeiro a comentar »

Compartilho trechos de entrevista feita com o mestre Gaudêncio Torquato, 45 anos de jornalismo, doutor e livre-docente pela USP, consultor de comunicação, articulista do Estadão e nada menos que o primeiro intelectual a estudar (a sério) a comunicação corporativa no país. O material vai ser utilizado em monografia de pós-graduação que estou elaborando. (Guilherme)

“O jornalismo empresarial tem evoluído na esteira dos avanços e progressos alcançados no mundo das comunicações. Significa que as tecnologias da contemporaneidade – internet e suas redes sociais – começam a afetar o universo empresarial, impregnando as comunicações das empresas, para fora e para dentro – e, claro, impactando os veículos do campo jornalístico. Podemos perceber claramente um avanço no terreno da tempestividade, que torna os públicos-alvo do jornalismo empresarial mais próximos e com maior acesso às informações. Por outro lado, podemos perceber mudanças nos modelos de gestão, com indicação de que as hierarquias se tornam mais simplificadas, as estruturas mais abertas, as comunicações ascendentes mais frequentes e intensas, com fortalecimento de alguns conceitos, tais como: responsabilidade social, parcerias, participação, engajamento, interatividade, interação de propósitos, abertura dos fluxos, ética empresarial, transparência, participação nos lucros. O jornalismo empresarial, sob essa moldura, torna-se mais aberto aos inputs da modernidade social, cultural e política.”

“O jornalismo empresarial há de se inspirar na dinâmica social e, consequentemente, nos novos climas ambientais. Não pode e não deve restringir conteúdos, na perspectiva eminentemente empresarial, ortodoxa. A empresa moderna quer sentir as demandas de seus quadros e deles se aproximar ainda mais. Essa necessidade torna a esfera empresarial mais flexível e aberta. Os conteúdos, por conseguinte, devem abranger temáticas que o funcionário precisa saber e temáticas que ele deseja conhecer. Daí porque os comunicadores precisam incrementar seus mecanismos de captação das realidades internas, azeitar suas antenas e melhorar as pautas jornalísticas, de forma que satisfaçam as plenas necessidades dos públicos dos veículos. Um sistema de pesquisas pode ser montado, a partir da própria ferramenta Internet, que deve complementar as formas tradicionais de pesquisa.”

Do fundo do baú

Prêmio Literário Seja o primeiro a comentar »

O Livro, por Clarice Steil Siewert, poema vencedor do primeiro lugar, em 2004, na primeira edição do Prêmio Literário.

O livro se abriu

e o autor chorou nos olhos da menina.

Aí está a vida que não finda

se desmanchando no alheio

para além do corpo decomposto.

Clarice é formada em psicologia, atua como atriz do grupo Dionisos Teatro e integra o grupo de poetas Zaragata.

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