Compartilho trechos de entrevista feita com o mestre Gaudêncio Torquato, 45 anos de jornalismo, doutor e livre-docente pela USP, consultor de comunicação, articulista do Estadão e nada menos que o primeiro intelectual a estudar (a sério) a comunicação corporativa no país. O material vai ser utilizado em monografia de pós-graduação que estou elaborando. (Guilherme)

“O jornalismo empresarial tem evoluído na esteira dos avanços e progressos alcançados no mundo das comunicações. Significa que as tecnologias da contemporaneidade – internet e suas redes sociais – começam a afetar o universo empresarial, impregnando as comunicações das empresas, para fora e para dentro – e, claro, impactando os veículos do campo jornalístico. Podemos perceber claramente um avanço no terreno da tempestividade, que torna os públicos-alvo do jornalismo empresarial mais próximos e com maior acesso às informações. Por outro lado, podemos perceber mudanças nos modelos de gestão, com indicação de que as hierarquias se tornam mais simplificadas, as estruturas mais abertas, as comunicações ascendentes mais frequentes e intensas, com fortalecimento de alguns conceitos, tais como: responsabilidade social, parcerias, participação, engajamento, interatividade, interação de propósitos, abertura dos fluxos, ética empresarial, transparência, participação nos lucros. O jornalismo empresarial, sob essa moldura, torna-se mais aberto aos inputs da modernidade social, cultural e política.”

“O jornalismo empresarial há de se inspirar na dinâmica social e, consequentemente, nos novos climas ambientais. Não pode e não deve restringir conteúdos, na perspectiva eminentemente empresarial, ortodoxa. A empresa moderna quer sentir as demandas de seus quadros e deles se aproximar ainda mais. Essa necessidade torna a esfera empresarial mais flexível e aberta. Os conteúdos, por conseguinte, devem abranger temáticas que o funcionário precisa saber e temáticas que ele deseja conhecer. Daí porque os comunicadores precisam incrementar seus mecanismos de captação das realidades internas, azeitar suas antenas e melhorar as pautas jornalísticas, de forma que satisfaçam as plenas necessidades dos públicos dos veículos. Um sistema de pesquisas pode ser montado, a partir da própria ferramenta Internet, que deve complementar as formas tradicionais de pesquisa.”