Se a mãe chega em casa, depois do parto e da estadia no hospital, e começa a demonstrar sentimentos de incapacidade, recusando-se a cuidar do bebê, alguma coisa está errada. Esses são os principais sintomas da depressão pós-parto, uma doença que atinge de 10% a 15% das puérperas, como são chamadas as mulheres que deram à luz há pouco tempo. A condição clínica de depressão pode aparecer de 48 a 72 horas após o nascimento do bebê, mas há casos em que leva ou até três semanas para se manifestar. 

A pediatra e coordenadora da UTI Neonatal do Hospital Dona Helena, Renata Gonçalves, explica que a depressão pós-parto tem três estágios: a disforia, a depressão e a psicose, sendo o primeiro um nível mais leve e o último, o mais grave, apresentando riscos tanto para a vida do recém-nascido quanto da mãe. “Aquelas que já têm histórico de depressão precisam ser acompanhadas desde a gestação, pois 50% delas desenvolvem a doença após o parto”, justifica.

De acordo com a médica, a variação hormonal da mulher é muito grande, o que contribui para o aparecimento da doença. Os sintomas de depressão pós-parto são dificuldade para dormir, choro, tristeza, sensação de incapacidade, variação de humor, irritabilidade, agressividade e, nos casos mais graves, pensamentos suicidas e violência com o bebê. “O vínculo entre mãe e filho se altera, quando há a depressão. A mãe pode deixar de cuidar do filho se não for tratada, o que prejudicará o desenvolvimento neurológico da criança”, explica Renata. Nos casos mais leves, a mulher é acompanhada pelo obstetra, por psicólogos e psicoterapeutas. Só nos mais graves se recorre aos medicamentos e às internações, até porque, de acordo com a médica, é preciso tomar cuidado com os remédios, para que não interfiram no leite materno, prejudicando o recém-nascido. 

“A família precisa estar alerta ao comportamento da mulher, para que ela procure ajuda e possa ser diagnosticada rapidamente. Também é importante não deixá-la sozinha com o bebê”, ressalta a coordenadora da UTI Neonatal. Ela ainda explica que a maioria das puérperas não consegue diferenciar os sentimentos dos sintomas e, por isso, a atenção dos familiares é muito importante, pois a maioria das mães só é diagnosticada pelo pediatra, na primeira consulta do recém-nascido. 

Assessoria de Imprensa Hospital Dona Helena. Jornalista responsável: Guilherme Diefenthaeler (reg. prof. 6207/RS). Texto: Letícia Caroline. Tel. (47) 3025-5999.