Neste dia e meio desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) elegeu o retrocesso, desregulamentando autocraticamente a profissão de jornalista, com base em uma linha de argumentação enviesada, ouve-se de tudo por parte de colegas que atuam na área. Uns, pessimistas, anteveem o caos – se o emprego já andava escasso, agora é que as grandes empresas de comunicação vão baixar o nível e contratar o primeiro que passar ali na frente, a salários risíveis, cada vez mais espremidos, e quem está na faculdade pensa em voltar pra casa, sem muita segurança de que o diploma fará alguma diferença prática no futuro. (Fará, claro!) Outros, otimistas, percebem que a tese esgrimida pelos magistrados para a decisão (defesa da liberdade de imprensa) não faz sentido algum (a imprensa é tanto mais livre, afinal, quanto qualificados forem os jornalistas, e já existe espaço nos veículos para abrigar profissionais com outras formações, na condição de comentaristas), e confia em uma espécie de “nivelamento por cima”, acreditando que a grande mídia vai continuar valorizando a formação superior e que os empregos para os com-faculdade não vão desaparecer de um segundo para outro. O problema maior, talvez, esteja nas cidades interioranas, nos jornais de bairro, nas pequenas emissoras de rádio e televisão ou portais de internet, que de ora em diante legitimarão o que já faziam antes, de certo modo, mantendo em seus quadros (e legalmente) gente sem qualificação, com salários minúsculos. De qualquer modo, cabe esperar por uma auto-regulamentação – torcer que não haja perdas abruptas, que leitores/espectadores habituados a um jornalismo de alto padrão como o que se consome no Brasil não aceitarão “qualquer coisa” feita por “qualquer um”. E, mais que tudo, não esmorecer, como categoria profissional. (Terminando com um parêntese pra registrar que, aqui na Mercado, continuaremos entregando funções jornalísticas – redatores, editores, repórteres – para… jornalistas. E ponto.)