[Sinopse das estudantes de Jornalismo Camila Prochnow e Eva Croll, sobre o texto "Ética e Comunicação", de Mário Ernesto Humberg]
A ética se tornou pauta nas mais diversas esferas sociais. Cada atitude, cada tomada de decisão deve ser reflexo do comportamento ético do indivíduo – e essa é uma situação verificável dentro de grandes empresas, por exemplo. De acordo com Mario Ernesto Humberg, presidente da CL-A Comunicações, dois fatores foram determinantes para que o tema esteja tão em voga. Em primeiro lugar, a busca pela qualidade de vida, seguida pelo avanço tecnológico na área da informação e, especialmente, da comunicação. Quando se fala em qualidade de vida há casos exemplares citados por Humberg que caracterizam a motivação pelo debate ético: revolução dos jovens pela liberdade (anos 1960 e 1970), movimentos em defesa do meio ambiente e dos direitos do consumidor, escândalos políticos que incitavam a discussão dos valores éticos, e, por fim, proliferação de organizações não-governamentais com esse tipo de enfoque. O avanço da tecnologia e a difusão das informações de forma cada vez mais instantânea propiciaram uma opinião pública melhor e mais velozmente informada, o que pode implicar em julgamentos éticos, quando a informação em questão se refere a alguma empresa, instituição ou figura pública.
Nesse cenário, os profissionais da comunicação se veem envolvidos em questionamentos éticos por conta de sua atividade. O autor frisa que o jornalista, independentemente do veículo ou empresa em que esteja atuando, só deixa de cumprir seus compromissos éticos quando trabalha vínculo com a verdade. À primeira vista, a afirmação parece de fácil compreensão levando em conta que basta falar a verdade para ser ético. Entretanto, e quando se trata de comunicação, a delicadeza do assunto é maior; não é tão simples de detectar a ética de cada profissional. Basta saber que existem dois tipos de ética: a ética de convicção e a ética de responsabilidade. Fundada em princípios que cada um julga como certos, a ética de convicção varia de indivíduo para indivíduo. Em contrapartida, cabe àqueles que adotam a ética de responsabilidade analisar cada situação e levar em conta todos os fatores que podem levar ao melhor resultado. É por isso que cada organização tende a adotar a sua própria ética, num compêndio que reúne valores corretos que devem ser praticados pelos funcionários.
Porém, definir os padrões éticos que devem nortear o trabalho de uma empresa não é nada simples. Segundo Humberg, no Brasil essa missão é ainda mais complexa ao passo que faz parte da imagem que o próprio povo tem de seu país, com políticos corruptos, escândalos e atentados diários contra a lei. Vive-se do vale-tudo, na pátria dos espertos, em que burlar algumas práticas éticas é normal e até aceitável. Portanto, a empresa deve ter muito cuidado ao criar um código de ética para que este não seja meramente decorativo. É preciso que haja uma preocupação com o que a organização espera de seus parceiros, funcionários e fornecedores, e isso precisa estar claro não só no papel, mas também para todos os envolvidos no processo.
Os profissionais atuantes na comunicação de grandes corporações precisam estar sempre atentos, pois uma hora ou outra se pegarão envolvidos no que Humberg caracteriza como dilemas éticos. Tendo acesso a informações passadas pelo seu contratante – a empresa -, o assessor irá transmitir ao público informações que nem sempre consegue apurar da forma devida. Nesse caso, mais uma vez o autor bate na tecla da verdade: “São dezenas de dilemas éticos que o profissional de comunicação e relações públicas enfrenta em sua vida e para os quais só há um caminho a seguir: investigar, no limite do possível, a verdadeira situação e atuar na organização enquanto tiver certeza de que ela está agindo de forma correta”.