(Mais uma contribuição de acadêmicos do Ielusc pras reflexões do blog; desta vez, a resenha é assinada pela estudante Tabata Kadur)
“O cidadão em primeiro lugar“, capítulo do livro De cara com a mídia, de Francisco Viana, aborda de forma otimista as perspectivas da comunicação corporativa no Brasil. Sem deixar de lado as dificuldades encontradas pelos profissionais da área em implantar de forma produtiva a comunicação nas empresas, Viana pontua os principais benefícios causados por ações de comunicadores dentro de variadas instituições. Além disso, enfatiza que a comunicação, quando aplicada de forma estratégica, age como peça-chave das empresas, tornando-se tão importante quanto vender, crescer e se modernizar.
De início, o autor expõe as diferenças entre as atividades que jornalistas e comunicadores realizam no setor e distingue os dois principais vetores da comunicação: A comunicação externa, na qual há relação com a mídia, e a comunicação interna, com ações como jornal interno e newsletter, que afirma ainda ser elitizada no país.
O estilo de se comunicar de cada instituição define a forma como está lidando com mudanças no contexto em que se encontra, especialmente com a atual revolução digital, que possibilitou a intensa participação da opinião pública nas empresas, e que certamente foi pouco vivenciada no ambiente empresarial e político brasileiro até então.
O que se presencia nas corporações hoje é um momento de transição, em que a sociedade deixa de apenas assistir para também participar. É nessa perspectiva que o diálogo entre a empresa e o cidadão se torna essencial. A coerência entre as ações da empresa e o que ela diz ser é fundamental para criar credibilidade, atributo que mantém e amplia os negócios da instituição.
É esperado que agências e profissionais de comunicação sejam completos, com um conjunto de estratégias na bagagem, tornando o setor de comunicação uma grande consultoria econômica e financeira. O comunicador deve saber identificar os fatos e acontecimentos e agir em tempo real, utilizando-se das principais características do jornalismo. “Quanto maior a comunicação, maior interesse desperta”, tanto aos colaboradores quanto aos clientes e parceiros da empresa.
Francisco Viana também defende em vários pontos do texto o retorno financeiro que a comunicação resulta nas empresas, afirmando que onde surge comunicação, surge o dinheiro. Ele indica que “conhecimento, informação e comércio jamais deixaram de andar juntas”.
Contudo, ao mesmo tempo em que o mercado de comunicação se encontra em alta, a rivalidade entre as diferentes mídias nunca foi tão intensa. Os veículos nunca estiveram tão preocupados em atingir os interesses do cidadão, e nesse ambiente as instituições não podem se isolar, levando em conta apenas objetivos próprios. É preciso interagir com a sociedade e demonstrar simpatia através da mídia, atraindo o interesse do público.
Através desta análise de Viana fica evidente que o autor pretende alertar empresários e profissionais de comunicação sobre a transição do momento presente e a importância de, mais que nunca, instalar no ambiente institucional múltiplas dimensões da comunicação. Atravessa-se um período de bombardeio de informasses à disposição de todos.
É essencial que as empresas estejam preparadas para esse momento, munindo-se com um plano de comunicação que permitirá trilhar sua relação com a mídia e fará com que a equipe de trabalho produza mais e melhor. Tendo sempre em vista a comunicação estratégica, que inspire credibilidade, o elo forte no relacionamento com a sociedade e nas negociações da empresa.