(Reflexão da publicitária Luísa Desiderá, estudante de Jornalismo do Ielusc, sobre os artigos “Empreendedorismo em Comunicação: uma Saída em Tempos de Crise”, de Geraldo Rossi, e “Assessoria de Imprensa: Mercado em Expansão”, de Roger Bittencourt)

Em seu Assessoria de imprensa: mercado em expansão (publicado no livro comemorativo dos 50 anos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina, Jornalismo em Perspectiva), Roger Bittencourt abre uma discussão acerca da interrogação comum: assessor de imprensa é jornalista? Sua abordagem parte da ideia de que “Nem todo jornalista é assessor, mas todo o assessor de imprensa é jornalista – ou pelo menos deveria ser”. Ora, que a assessoria de imprensa é uma atividade dentre as diversas que o jornalista pode exercer é bastante claro. O jornalista detém as habilidades necessárias, o domínio sobre as técnicas do diálogo e compreende o funcionamento dos veículos, conhecimentos tão valiosos para o assessor. Mas seriam essas habilidades exclusivas do profissional de Jornalismo?

Um publicitário, por exemplo, pode trabalhar como ilustrador na criação de peças em uma agência tanto quanto um designer gráfico. São profissionais de diferentes formações atuando em uma mesma função, por possuirem habilidades em comum. O que ocorre com bastante frequência, não só na área de comunicação. Tanto por isso, parece-me controversa a bandeira que muitos jornalistas levantam na defesa de que só jornalistas podem atuar em áreas que são próprias de toda a Comunicação Social. A relação entre empresa – proprietários e chefes – e a sociedade (clientes, funcionários, público etc.), no caso, pode ser entendida como um alicerce de formação social, não sendo assim jurisdição exclusiva do Jornalismo.

O papel do assessor de imprensa é trabalhar para o aperfeiçoamento da comunicação, fazer com que as notícias cheguem e caminhem pela instituição e opinião pública. Uma função que, para muitos jornalistas, fere os preceitos éticos da classe, sob a alegação de ser trabalho da assessoria manter seu cliente sempre no lado positivo da notícia, estando muitas vezes aliado ao trabalho da Publicidade e do Marketing. Por outro lado, apesar dessa tendenciosidade, para obter sucesso em seu trabalho, o assessor deve prezar pela veracidade e transparência no relacionamento com a informação, como bem frisou Bittencourt. De qualquer forma, essa polêmica dualidade acaba por sugerir que a assessoria de imprensa não é mesmo uma atividade característica, para não dizer típica, do Jornalismo.

O mercado das assessorias está em ascensão e buscando novas vertentes, agregando novos serviços para atender a demanda dos clientes; um novo formato que alguns chamam de assessorias de comunicação. E não apenas a proliferação dos meios eletrônicos e a internet fomentam essa demanda, mas o próprio mercado, ou melhor, a concorrência de mercado. Caso semelhante aconteceu às agências de propaganda, que passaram a agências de publicidade e, logo, a agências de comunicação.

É por uma questão de sobrevivência que as assessorias precisam inovar seus modelos e formatos. A profissionalização da gestão, por exemplo, é uma necessidade do setor, e talvez um jornalista não tenha formação adequada para isso (ou simplesmente não goste). O perfil do assessor no mercado de hoje, deve ser de um colaborador que veste a camisa da empresa de seu cliente, que tem o compromisso com sua imagem, que compreende a importância do trabalho de comunicação para o sucesso de qualquer negócio. É o perfil de um profissional de comunicação que tem o olhar sobre a oportunidade que é o empreendedorismo; “esse tipo de profissional é uma tendência em todo o mundo”, afirma o jornalista Geraldo Abud Rossi – Empreendedorismo em comunicação: uma saída em tempos de crise.

Concluindo, o setor precisa cada vez mais se diversificar para cumprir todas as tarefas: atendimento, administração, planejamento estratégico, mídia etc. Uma assessoria de imprensa não sobreviverá sem um jornalista, especializado na criação e execução de projetos como revistas, boletins, newsletter on line, entre outros; na relação com as redações; na busca da informação. Mas é preciso somar competências e especialidades para que seja constante o aprimoramento e a modernização do serviço. Somar ao jornalista um relações públicas, por exemplo, para a solidificação de uma marca, um conceito; um publicitário, para a produção de um vídeo institucional ou um programa de tv; um profissional do Marketing para elaboração de uma estratégia de mercado. Enfim, a assessoria de comunicação é sim também uma atividade jornalística, mas principalmente uma atividade da Comunicação.