(Resenha escrita pelo estudante de Jornalismo Charles França, do Ielusc, sobre o texto “Assessoria de Imprensa: O Caso Brasileiro”, de Jorge Duarte)

As assessorias de imprensa começaram a ser implantadas no Brasil no final dos anos 50, quando da chegada de multinacionais automobilísticas. Poucos anos depois, a ditadura militar tomou o poder e se serviu dos meios de comunicação – incluindo as assessorias – como lhe convinha. É bom lembrar que já no governo Getúlio Vargas a imprensa já sofria censuras com o Departamento de Imprensa e Propaganda.

Só nos anos 80, quando a democracia voltou a tomar forma no país e as grandes empresas passaram a perceber que o público é, de certa maneira, fiscalizador dos produtos e serviços que lhe são oferecidos, as assessorias de imprensa se consolidaram. Os profissionais se viram obrigados a se especializar para dar conta não apenas do atendimento à imprensa, mas também pensar estrategicamente a comunicação organizacional. Já não basta responder às solicitações do público, dos jornalistas ou de qualquer outro segmento. Hoje, é necessário imaginar os cenários possíveis para a recepção dessas informações. Sociedade e assessores de imprensa convivem pacífica e ativamente, um recebendo informações do outro.

E é justamente nessa nova exigência que se faz ao profissional de comunicação institucional que sobrevive a dúvida: assessoria de imprensa é jornalismo? O autor, Jorge Antonio Menna Duarte, parafraseando Chaparro, diz que “como atividade jornalística, a assessoria de imprensa deve assumir as funções, os critérios e os valores do jornalismo – não apenas os técnicos, mas também os éticos” (CHAPARRO, 1989, p. 45). Se Nucci crê que o “jornalista representa e defende os interesses dos seus leitores” (NUCCI, 1992, p. 1-3), escutando a comunidade, investigando, confrontando, analisando e publicando, enquanto “o assessor de imprensa trabalha os interesses dos clientes” (id.ibdem), Cheida postula que, se o jornalista trabalha numa empresa não-jornalística, não significa que ele está necessariamente aderindo a uma versão única dos fatos, mas se especializando nos “assuntos pertinentes à instituição pesquisada” (CHEIDA, 1993, p. 116).

De fato, a preocupação do jornalista deve ser para com seu leitor, mas por que não pode um jornalista desempenhar a função de assessor de imprensa? Vale lembrar que a grande maioria dos jornalistas, por assim dizer, trabalha em veículos com posições político-ideológicas muito bem definidas, talvez não assumidas, mas bastante claras a quem tem embasamento para analisar a produção jornalística. O simples fato de se assumir um compromisso para com a sociedade já caracteriza um posicionamento.

E o que dizer dos vários veículos de imprensa que dizem ter esse mesmo compromisso com a população quando, na prática, servem aos mais variados interesses, quase nenhum deles realmente social. Assumir trabalhar numa assessoria de imprensa é, no mínimo, distanciar-se da hipocrisia, já que é óbvia a suposição de que o compromisso é, primeiramente, com os interesses de uma determinada empresa, instituição ou personalidade a que se serve.

Talvez mais importante do que se definir quem é o quê, seja continuamente buscar uma reflexão ética sobre o desenvolvimento dessas atividades. Se ainda existe uma rixa entre jornalistas e assessores, como se a função de um fosse superior a do outro, basta lembrar que nenhuma das duas profissões está em vias de ser extinta e que, num mundo cada vez mais soterrado pelo imediatismo informacional, ambos dependem um do outro. Cabe a cada um desenvolver critérios para que seus trabalhos não se confundam. Porque aí assim, haverá de fato um problema: a sociedade não conseguir mais saber o que é de seu interesse e o que é de interesse privado.