Segue, logo abaixo, um relato da presença de três profissionais de comunicação da cidade num encontro com acadêmicos de Jornalismo do Bom Jesus/Ielusc. A produção é de Jouber Castro e Rayana Borba.
Julio Franco é formado em Jornalismo pela PUC de Porto Alegre/RS, com pós-graduação em Marketing, pela FGV. Começou na profissão trabalhando na assessoria de comunicação da Procuradoria do Estado do Rio Grande do Sul. No mesmo Estado, trabalhou também na Cohab. Em 1993, veio para Joinville, onde começou a trabalhar nas assessorias de imprensa de empresas como Consul, Embraco e Café Damasco. Teve também uma experiência na Prefeitura de Londrina antes de chegar aos dois postos que ocupa desde 1996, na Tigre e na Acij. Ainda foi correspondente do jornal Indústria & Comércio, de Curitiba, em Joinville. Acabou abandonando o posto por conta do conflito ético: tinha informações privilegiadas na Acij, que, segundo ele, não permitiam que fosse repórter de um veículo de economia. Recentemente, foi convidado pelo jornal Notícias do Dia para assinar a coluna de economia, mas declinou pelo mesmo motivo. Também tem experiência em campanha eleitoral. Destaca o movimento de “especialização” pelo qual o jornalismo está passando e ressalta que a assessoria assumiu um papel importante no ciclo da informação no momento em que a imprensa passou a se mostrar ineficiente na tarefa de cobrir todos os fatos que ocorrem na sociedade. No seu juízo, os ofícios do assessor de imprensa e do repórter de redação se aproximam porque ambos têm os mesmos critérios de seleção de informações e de conduta profissional e os mesmos objetivos. “Nossa ética termina onde começa a nossa consciência”, acredita. Em relação à formação acadêmica do assessor de imprensa, Franco acha que o jornalista tem vantagem em relação aos demais profissionais, principalmente por ter largo domínio sobre o texto, habilidade necessária no exercício da função. Na questão do press-release, Julio Franco é taxativo: “A quantidade de informações do release é determinante para o seu aproveitamento nos veículos”.
Ronaldo Correa completa em maio 29 anos e 8 meses como jornalista. Trabalhou no semanário joinvilense Extra, no jornal A Notícia, no Diário Catarinense, na Rádio Cultura, na RBS TV. Em seguida, teve as primeiras experiências em assessoria na Prefeitura de Joinville, na Tupy e no Shopping Mueller. Ainda na imprensa, foi correspondente regional da Agência Estado e fez free-lances para a Editora Abril (revista Placar) na época em que o Joinville Esporte Clube ainda estava na primeira divisão do campeonato brasileiro de futebol. Em 1987, embarcou na Matriz de Comunicação, primeira empresa de comunicação institucional de Santa Catarina, até 1992. Seguiu para a Sine Qua Non, onde permaneceu até 1996. Naquele ano, fundou a Texto Livre Serviços de Imprensa, da qual é proprietário. Pela empresa, presta serviços a organizações como a Sociedade Cultural Artística de Jaraguá do Sul (Scar), a Unerj, a Associação Empresarial de Jaraguá do Sul e o Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville. Acredita que um jornalista deve valorizar sua “experiência e vivência diária”, e que o exercício da profissão deve ser algo muito sincero, sem “se enganar”. Acredita que, em uma assessoria, o jornalista tem mais condições de conseguir uma boa remuneração, e discorda dos puristas que acusam os assessores de imprensa de tirar os empregos de jornalistas de redação. Recomenda aos novos profissionais que prefiram, antes de trabalhar numa assessoria, adquirir experiência num veículo, a fim de entender melhor o funcionamento do sistema e adquirir melhores condições de fazer um bom trabalho. Relatando casos ocorridos ao longo da carreira, destaca que um assessor de imprensa deve ser flexível e sempre deve jogar limpo com os jornalistas de redação, pois isso proporciona “uma boa relação”. Tecnicamente, um assessor deve ser, na opinião de Ronaldo, ágil e ético. “Se a informação, para mim, não é atraente, eu digo ao meu cliente que ela não emplaca no veículo”, explica Ronaldo. Para ele, a regra de ouro é “respeitar para ser respeitado”, criando as mesmas condições de acesso a informações dos clientes para todos os veículos. Na questão da formação profissional do assessor de imprensa, Ronaldo Correa crê que não há necessidade de o jornalismo ser a primeira formação do profissional. Porém, acredita, uma formação complementar na área é necessária.
Ruy Ferrari completa em 2009 20 anos de profissão. Acumula exepriência em praticamente todas as mídias: jornal, fotografia, TV, rádio e assessoria de imprensa. Há 14 anos faz parte da assessoria de imprensa da prefeitura de Joinville. Ruy destaca que o bom senso é a maior arma do assessor de imprensa na hora de enviar materiais para a imprensa. Ele acredita que a divisão do poder numa instituição prejudica trabalho do assessor, já que ele não sabe a quem se reportar e qual solicitação deve atender. Acha que um bom jornalista “pensa no conjunto” da sociedade e alerta para a sua regra de ouro: “A notícia está nos detalhes”.