Informação é coisa séria!

“É preciso agir!”

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[Nosso parceiro, e agora colaborador do blog, César Döhler, escreve um post a partir de notícia sobre acidente de trânsito envolvendo um garoto de 19 anos, publicada recentemente nos jornais catarinenses.]

O jovem André nos faz chorar, nesta segunda-feira. É apenas um garoto, que estava começando a sua vida, no frescor de seus 19 anos. O que faz um menino e seu amigo, pilotarem um carro como se fosse um bólido, vivendo as últimas emoções? Amanhã podem ser nossos filhos, parentes ou amigos que pegarão o volante rumo a última viagem. É preciso agir diante de uma tragédia como essa. Muito diálogo, companhias educativas e persistência para ajudar a garotada na difícil tarefa de sobreviver.

O legado dos heróis

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[Contribuição do parceiro César Döhler, economista e colunista do jornal A Notícia, exclusiva para o blog da Mercado]

Onde estão os nossos heróis? Quando o brasileiro lembra do Senna, do Pelé, e hoje, quando as redes balançam com os gols do Ronaldo, o sabor da vitória e a vontade de copiar os vencedores é muito grande. Precisamos resgatar o legado dos heróis que partiram, e criar outros heróis que possam inspirar as pessoas como os citados. Mas não é preciso ter o bolso cheio de dinheiro, ser alto, forte e influente para ser herói. O herói está dentro de cada um de nós, e ele precisa se libertar das amarras para cumprir bem o seu papel. Muitas vezes esse herói interior está sufocado pela arrogância, o maior come o menor… Os tubarões não querem heróis por perto e eles aniquilam os possíveis campeões, antes de esses darem suas contribuições valiosas. No fim das contas, o Brasil é um país repleto de heróis que atuam nos bastidores, segurando o país e ajudando a cada batida do cotidiano. Não podemos ter medo de ser heróis, porque só assim assistiremos a uma vida repleta de paz, harmonia, saúde, felicidade e prosperidade e sucesso material e espiritual. Que Deus abençoe os heróis.   

Jornalismo é literatura?

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(Letícia Caroline. Artigo produzido em 2008 para a disciplina de Redação VI)

Pergunta insólita essa, não? Talvez renda uma monografia, ou quem sabe um mestrado, ou para os interessados até mesmo uma tese de doutorado. Eu, particularmente, não sei se jornalismo é literatura. A única certeza que tenho é que o jornalismo com pintadas de literatura fica muito mais interessante. E que sem esse tempero, a arte de produzir matérias e reportagens fica tediosa e sem gosto, afastando, a cada publicação, seus leitores.

O jornalismo ainda busca a verdade e a imparcialidade, em uma corrida constante para obter o fato no instante em que ele acontece. Adorno me faz pensar sobre o tema e entender da onde vem essa obsessão pelo fato “nu e cru”, desprovido de qualquer interpretação ou análise. Já em 1950, o teórico criticava o fazer científico, aquele tipo de fazer ciência que se dava através de um modo rígido e sem flexibilidade, baseado no positivismo, ou seja, em busca da objetividade, da imparcialidade e da verdade. Ora, veja só! Não temos aqui uma certa semelhança? E foi a partir daí, que Adorno começou a defesa pelo “ensaio como forma”, em favor de uma liberdade maior ao pesquisar e dissertar sobre determinado objeto.

Se cada escolha que fazemos por fontes e matérias, angulações e pontos de vista, já mudam o rumo da reportagem, por que tirar toda a emoção, por que enxugar toda e qualquer gordura que, teoricamente, serve para cansar o leitor? É o que Castro e Galeano (2002, p. 31) argumentam”: “A vocação da notícia é representar o referente, o que torna a notícia, em princípio, verificável. Ao exigir-se do jornalista o uso da terceira pessoa que garantiria formalmente a impessoalidade do discurso, tem-se como resultado um discurso esvaziado, que acaba por ocultar o processo social que possibilitou a notícia”.

Sim, sou uma apaixonada pela literatura. E como jornalista acredito ser impossível abandonarmos toda nossa carga de leitura e experiências literárias no momento da escrita. Mesmo que o editor corte, mesmo que o chefe brigue, mas sempre terá uma descrição de local ou personagem, sempre existirá uma análise mais minuciosa dessa ou daquela fonte. É claro que algumas matérias não permitirão tão luxo. Mas o que custa tentar lá de vez em quando? Neila Bianchin (1997, p. 66) explica bem a separação entre jornalismo e literatura:

Assim é que, embora o jornalismo e a literatura partam de um núcleo comum que é a narrativa e utilizem o mesmo instrumento para se constituir, a linguagem, cada discurso forma um gênero diferente. O fato de caminharem lado a lado faz com que um influencie o outro a ponto de, em alguns momentos, acontecerem mesclas de técnicas discursivas que podem enriquecer o texto. Tanto estas ‘misturas’ são verdadeiras que deram origem a outros gêneros como a crônica, por exemplo, que já consolidou seu espaço. 

 É, quem sabe um mestrado ou uma tese de doutorado. Jornalismo e literatura formam uma dupla, que gera discussão para a vida inteira. Quem sabe um dia eles se separem de vez, ou até resolvam se juntar definitivamente.

Referências:

ADORNO, Theodor. Notas de literatura I. São Paulo: 34, 2003.

SATO, Nanami. Jornalismo, literatura e representação. In. CASTRO, Gustavo de; GALEANO, Alex (org). Jornalismo e Literatura – A sedução da palavra. São Paulo: Escrituras, 2002.

BIANCHIN, Neila. Romance-Reportagem - onde a semelhança não é mera coincidência. Florianópolis:UFSC, 1997. 

Primeira Pauta tá nas ruas

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(Este press-release foi produzido pelos estudantes de Jornalismo Rayana Borba e Jouber Castro, na disciplina de Comunicação Institucional, para divulgar o lançamento do jornal Primeira Pauta, projeto acadêmico da instituição).


SUBSÍDIO PARA A IMPRENSA/ 14 de maio de 2009

Jornal experimental “Primeira Pauta”
lança edição com diagnóstico sobreJoinville

Estudantes do Bom Jesus/Ielusc comparam qualidades e mazelas de regiões da cidade

Recolher, em todos os cantos do município, a mistura de culturas, problemas, peculiaridades e méritos que, misturados, formam a identidade de Joinville. Essa é a intenção da edição 74 do jornal-laboratório Primeira Pauta, dos estudantes de Jornalismo do Bom Jesus/Ielusc, que está em fase de distribuição. Para isso, a redação se dividiu em equipes, que foram aos confins das quatro grandes regiões da cidade. Lá, colheram dados, imagens e impressões, e produziram reportagens de fôlego, distribuídas nas 12 páginas do jornal.

Juliano Reinert, Rafaela Mazzaro e Cláudio Costa visitaram a Zona Norte, e descobriram, por exemplo, que o valor de um terreno médio no bairro América é dez vezes maior que um equivalente no Jardim Paraíso. A incursão de Linda Tomelin, Tatiane Martins e Francine Hellmann pela Região Sul encontrou muito barro em ruas que necessitam de asfaltamento, além de uma infinidade de valas a céu aberto. A equipe responsável pela Zona Leste, Ariadna Straliotto e Daniela de Tofol, conversou com integrantes de uma associação de pescadores e com sócios do Joinville Iate Clube. Charles França e Rayana Borba conheceram, no Oeste de Joinville, os últimos moradores antes da divisa com Guaramirim. Enquanto isso, Ariane Olsen, Rosimeri Back e Jouber Castro conversaram com especialistas em economia e sociedade para entender as diferenças entre as regiões. Coube a eles, também, tomar o depoimento do prefeito Carlito Merss, que explicou as providências da prefeitura em relação às enchentes, ao saneamento e à habitação, entre outros temas.

Primeira Pauta é uma produção dos estudantes da disciplina de Produção e Difusão em Meios Impressos 2, do curso de Jornalismo do Bom Jesus/Ielusc. A coordenação de edição ficou por conta do jornalista e professor da disciplina Guilherme Diefenthaeler. Mais informações na coordenação do curso de Jornalismo, telefone  (47) 3026-8056 . O e-mail da Redação é primeirapauta.ielusc@gmail.com.

Ficha técnica
Primeira Pauta – Jornal-Laboratório do Curso de Comunicação Social do Bom Jesus/Ielusc
Produção: Estudantes da disciplina de Produção e Difusão em Meios Impressos 2 do curso de Jornalismo
Edição 74 – maio de 2009
Distribuição gratuita
Tiragem: 2 mil exemplares
Abrangência: Joinville e Região 

Assessoria de imprensa experimental Bom Jesus/Ielusc. Projeto da disciplina de Comunicação Institucional. Jornalista responsável: Guilherme Diefenthaeler (MTB 6207/RS). Texto: Jouber Castro e Rayana Borba. Tel.  (47) 3026-8000 .

O cidadão em primeiro lugar

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(Mais uma contribuição de acadêmicos do Ielusc pras reflexões do blog; desta vez, a resenha é assinada pela estudante Tabata Kadur)

O cidadão em primeiro lugar“, capítulo do livro De cara com a mídia, de Francisco Viana, aborda de forma otimista as perspectivas da comunicação corporativa no Brasil. Sem deixar de lado as dificuldades encontradas pelos profissionais da área em implantar de forma produtiva a comunicação nas empresas, Viana pontua os principais benefícios causados por ações de comunicadores dentro de variadas instituições. Além disso, enfatiza que a comunicação, quando aplicada de forma estratégica, age como peça-chave das empresas, tornando-se tão importante quanto vender, crescer e se modernizar.  

De início, o autor expõe as diferenças entre as atividades que jornalistas e comunicadores realizam no setor e distingue os dois principais vetores da comunicação: A comunicação externa, na qual há relação com a mídia, e a comunicação interna, com ações como jornal interno e newsletter, que afirma ainda ser elitizada no país.

O estilo de se comunicar de cada instituição define a forma como está lidando com mudanças no contexto em que se encontra, especialmente com a atual revolução digital, que possibilitou a intensa participação da opinião pública nas empresas, e que certamente foi pouco vivenciada no ambiente empresarial e político brasileiro até então.

O que se presencia nas corporações hoje é um momento de transição, em que a sociedade deixa de apenas assistir para também participar. É nessa perspectiva que o diálogo entre a empresa e o cidadão se torna essencial. A coerência entre as ações da empresa e o que ela diz ser é fundamental para criar credibilidade, atributo que mantém e amplia os negócios da instituição.

É esperado que agências e profissionais de comunicação sejam completos, com um conjunto de estratégias na bagagem, tornando o setor de comunicação uma grande consultoria econômica e financeira. O comunicador deve saber identificar os fatos e acontecimentos e agir em tempo real, utilizando-se das principais características do jornalismo. “Quanto maior a comunicação, maior interesse desperta”, tanto aos colaboradores quanto aos clientes e parceiros da empresa.

Francisco Viana também defende em vários pontos do texto o retorno financeiro que a comunicação resulta nas empresas, afirmando que onde surge comunicação, surge o dinheiro. Ele indica que “conhecimento, informação e comércio jamais deixaram de andar juntas”.

Contudo, ao mesmo tempo em que o mercado de comunicação se encontra em alta, a rivalidade entre as diferentes mídias nunca foi tão intensa. Os veículos nunca estiveram tão preocupados em atingir os interesses do cidadão, e nesse ambiente as instituições não podem se isolar, levando em conta apenas objetivos próprios. É preciso interagir com a sociedade e demonstrar simpatia através da mídia, atraindo o interesse do público.

Através desta análise de Viana fica evidente que o autor pretende alertar empresários e profissionais de comunicação sobre a transição do momento presente e a importância de, mais que nunca, instalar no ambiente institucional múltiplas dimensões da comunicação. Atravessa-se um período de bombardeio de informasses à disposição de todos.

É essencial que as empresas estejam preparadas para esse momento, munindo-se com um plano de comunicação que permitirá trilhar sua relação com a mídia e fará com que a equipe de trabalho produza mais e melhor. Tendo sempre em vista a comunicação estratégica, que inspire credibilidade, o elo forte no relacionamento com a sociedade e nas negociações da empresa.

O papel do assessor

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(Reflexão da publicitária Luísa Desiderá, estudante de Jornalismo do Ielusc, sobre os artigos “Empreendedorismo em Comunicação: uma Saída em Tempos de Crise”, de Geraldo Rossi, e “Assessoria de Imprensa: Mercado em Expansão”, de Roger Bittencourt)

Em seu Assessoria de imprensa: mercado em expansão (publicado no livro comemorativo dos 50 anos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina, Jornalismo em Perspectiva), Roger Bittencourt abre uma discussão acerca da interrogação comum: assessor de imprensa é jornalista? Sua abordagem parte da ideia de que “Nem todo jornalista é assessor, mas todo o assessor de imprensa é jornalista – ou pelo menos deveria ser”. Ora, que a assessoria de imprensa é uma atividade dentre as diversas que o jornalista pode exercer é bastante claro. O jornalista detém as habilidades necessárias, o domínio sobre as técnicas do diálogo e compreende o funcionamento dos veículos, conhecimentos tão valiosos para o assessor. Mas seriam essas habilidades exclusivas do profissional de Jornalismo?

Um publicitário, por exemplo, pode trabalhar como ilustrador na criação de peças em uma agência tanto quanto um designer gráfico. São profissionais de diferentes formações atuando em uma mesma função, por possuirem habilidades em comum. O que ocorre com bastante frequência, não só na área de comunicação. Tanto por isso, parece-me controversa a bandeira que muitos jornalistas levantam na defesa de que só jornalistas podem atuar em áreas que são próprias de toda a Comunicação Social. A relação entre empresa – proprietários e chefes – e a sociedade (clientes, funcionários, público etc.), no caso, pode ser entendida como um alicerce de formação social, não sendo assim jurisdição exclusiva do Jornalismo.

O papel do assessor de imprensa é trabalhar para o aperfeiçoamento da comunicação, fazer com que as notícias cheguem e caminhem pela instituição e opinião pública. Uma função que, para muitos jornalistas, fere os preceitos éticos da classe, sob a alegação de ser trabalho da assessoria manter seu cliente sempre no lado positivo da notícia, estando muitas vezes aliado ao trabalho da Publicidade e do Marketing. Por outro lado, apesar dessa tendenciosidade, para obter sucesso em seu trabalho, o assessor deve prezar pela veracidade e transparência no relacionamento com a informação, como bem frisou Bittencourt. De qualquer forma, essa polêmica dualidade acaba por sugerir que a assessoria de imprensa não é mesmo uma atividade característica, para não dizer típica, do Jornalismo.

O mercado das assessorias está em ascensão e buscando novas vertentes, agregando novos serviços para atender a demanda dos clientes; um novo formato que alguns chamam de assessorias de comunicação. E não apenas a proliferação dos meios eletrônicos e a internet fomentam essa demanda, mas o próprio mercado, ou melhor, a concorrência de mercado. Caso semelhante aconteceu às agências de propaganda, que passaram a agências de publicidade e, logo, a agências de comunicação.

É por uma questão de sobrevivência que as assessorias precisam inovar seus modelos e formatos. A profissionalização da gestão, por exemplo, é uma necessidade do setor, e talvez um jornalista não tenha formação adequada para isso (ou simplesmente não goste). O perfil do assessor no mercado de hoje, deve ser de um colaborador que veste a camisa da empresa de seu cliente, que tem o compromisso com sua imagem, que compreende a importância do trabalho de comunicação para o sucesso de qualquer negócio. É o perfil de um profissional de comunicação que tem o olhar sobre a oportunidade que é o empreendedorismo; “esse tipo de profissional é uma tendência em todo o mundo”, afirma o jornalista Geraldo Abud Rossi – Empreendedorismo em comunicação: uma saída em tempos de crise.

Concluindo, o setor precisa cada vez mais se diversificar para cumprir todas as tarefas: atendimento, administração, planejamento estratégico, mídia etc. Uma assessoria de imprensa não sobreviverá sem um jornalista, especializado na criação e execução de projetos como revistas, boletins, newsletter on line, entre outros; na relação com as redações; na busca da informação. Mas é preciso somar competências e especialidades para que seja constante o aprimoramento e a modernização do serviço. Somar ao jornalista um relações públicas, por exemplo, para a solidificação de uma marca, um conceito; um publicitário, para a produção de um vídeo institucional ou um programa de tv; um profissional do Marketing para elaboração de uma estratégia de mercado. Enfim, a assessoria de comunicação é sim também uma atividade jornalística, mas principalmente uma atividade da Comunicação.

Assessoria: um caso brasileiro

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(Resenha escrita pelo estudante de Jornalismo Charles França, do Ielusc, sobre o texto “Assessoria de Imprensa: O Caso Brasileiro”, de Jorge Duarte)

As assessorias de imprensa começaram a ser implantadas no Brasil no final dos anos 50, quando da chegada de multinacionais automobilísticas. Poucos anos depois, a ditadura militar tomou o poder e se serviu dos meios de comunicação – incluindo as assessorias – como lhe convinha. É bom lembrar que já no governo Getúlio Vargas a imprensa já sofria censuras com o Departamento de Imprensa e Propaganda.

Só nos anos 80, quando a democracia voltou a tomar forma no país e as grandes empresas passaram a perceber que o público é, de certa maneira, fiscalizador dos produtos e serviços que lhe são oferecidos, as assessorias de imprensa se consolidaram. Os profissionais se viram obrigados a se especializar para dar conta não apenas do atendimento à imprensa, mas também pensar estrategicamente a comunicação organizacional. Já não basta responder às solicitações do público, dos jornalistas ou de qualquer outro segmento. Hoje, é necessário imaginar os cenários possíveis para a recepção dessas informações. Sociedade e assessores de imprensa convivem pacífica e ativamente, um recebendo informações do outro.

E é justamente nessa nova exigência que se faz ao profissional de comunicação institucional que sobrevive a dúvida: assessoria de imprensa é jornalismo? O autor, Jorge Antonio Menna Duarte, parafraseando Chaparro, diz que “como atividade jornalística, a assessoria de imprensa deve assumir as funções, os critérios e os valores do jornalismo – não apenas os técnicos, mas também os éticos” (CHAPARRO, 1989, p. 45). Se Nucci crê que o “jornalista representa e defende os interesses dos seus leitores” (NUCCI, 1992, p. 1-3), escutando a comunidade, investigando, confrontando, analisando e publicando, enquanto “o assessor de imprensa trabalha os interesses dos clientes” (id.ibdem), Cheida postula que, se o jornalista trabalha numa empresa não-jornalística, não significa que ele está necessariamente aderindo a uma versão única dos fatos, mas se especializando nos “assuntos pertinentes à instituição pesquisada” (CHEIDA, 1993, p. 116).

De fato, a preocupação do jornalista deve ser para com seu leitor, mas por que não pode um jornalista desempenhar a função de assessor de imprensa? Vale lembrar que a grande maioria dos jornalistas, por assim dizer, trabalha em veículos com posições político-ideológicas muito bem definidas, talvez não assumidas, mas bastante claras a quem tem embasamento para analisar a produção jornalística. O simples fato de se assumir um compromisso para com a sociedade já caracteriza um posicionamento.

E o que dizer dos vários veículos de imprensa que dizem ter esse mesmo compromisso com a população quando, na prática, servem aos mais variados interesses, quase nenhum deles realmente social. Assumir trabalhar numa assessoria de imprensa é, no mínimo, distanciar-se da hipocrisia, já que é óbvia a suposição de que o compromisso é, primeiramente, com os interesses de uma determinada empresa, instituição ou personalidade a que se serve.

Talvez mais importante do que se definir quem é o quê, seja continuamente buscar uma reflexão ética sobre o desenvolvimento dessas atividades. Se ainda existe uma rixa entre jornalistas e assessores, como se a função de um fosse superior a do outro, basta lembrar que nenhuma das duas profissões está em vias de ser extinta e que, num mundo cada vez mais soterrado pelo imediatismo informacional, ambos dependem um do outro. Cabe a cada um desenvolver critérios para que seus trabalhos não se confundam. Porque aí assim, haverá de fato um problema: a sociedade não conseguir mais saber o que é de seu interesse e o que é de interesse privado.

Uma reflexão sobre ética

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(Resenha escrita pela estudante de Jornalismo Lorena Trindade, sobre o texto “Ética e Comunicação”, de Mário Ernesto Humberg)

Quando, no século 20, aparentemente, tudo o que poderia ter acontecido, aconteceu, era hora de repensar a forma com que o ser humano e suas organizações conviviam. A busca da qualidade de vida para atuais e futuras gerações e o sensível avanço de tecnologias na área da informação e comunicação culminou em discussões sobre valores. Por volta de 1960-70, movimentos dos jovens na luta pela liberdade, proteção do meio ambiente, fortalecimento das organizações não-governamentais (entre outros fatores), ao lado do avanço da tecnologia – que permitia transmissão e conhecimento, cada vez mais rápidos, de organizações, pessoas e instituições -, colocavam em voga os valores do homem, ligados à religião ou à política. Nesse período, o conceito de ética foi um dos valores ascendentes e a discussão sobre o que ela representa perdura até hoje.

O Aurélio define ética como “estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal (…)”. Não há como segmentar ética. O conceito está presente nas convicções pessoais, nas comunidades, nas profissões e nas instituições. É parte da filosofia e se confunde com a moral. Mario Ernesto Humberg, presidente da CL-A Comunicações, afirma que, para os fins com que usamos esse conceito, seria mais correto falar de moral, que representa, ainda de acordo com o Aurélio, o “conjunto de regras de conduta consideradas como válidas (…)”. A escolha pelo primeiro conceito se deve à conotação religiosa que moral carrega, enquanto a ética está muito mais passível à reflexão de valores universais. “Assim, fala-se comumente em ética empresarial ou organizacional, ética na política, ética no trabalho etc. referindo-se ao comportamento esperado das pessoas e instituições”, afirma Humberg.

A questão central do texto é a ética exercida pelos profissionais de imprensa, sejam eles funcionários de uma empresa de comunicação (no jornalismo diário, independentemente da mídia) ou assessores de comunicação de um grande grupo. Esses profissionais, frequentemente, se veem diante de conflitos entre a ética da empresa e a ética pessoal. Um dos momentos cruciais desse “júri particular” é a divulgação. O jornalista tem como princípio a divulgação da verdade. Mesmo que essa “verdade” possa ser questionada, o processo de comunicação é não-ético quando baseado em inverdades, quando se utiliza desse recurso para manipular a opinião dos receptores da informação ou quando o jornalismo age como detetive e aponta os culpados antes mesmo da investigação – até a dos próprios órgãos responsáveis. “[...] a ética na comunicação, como em outras atividades, depende essencialmente dos valores definidos pela organização e pelo responsável pelo processo” (Humberg).

Antes de orientar funcionários quanto à ética e valores, as instituições precisam definir seus valores básicos e, mais que isso, praticá-los. Esse processo deve ocorrer do cargo mais alto (gestores e diretores) até chegar aos funcionários. De acordo com Humberg, no Brasil, pôr esses “mandamentos” éticos em prática é uma tarefa difícil. Isso porque existe uma mítica tradição brasileira a qual consiste em burlar a lei e os direitos de terceiros. Assim, uma empresa deve elaborar programas e códigos de ética ou de conduta tomando alguns cuidados para que não se tornem ideias inertes em um papel armazenado no arquivo morto. Mesmo que a instituição tenha algum documento dessa ordem, é necessário que cada funcionário defina seus próprios valores e procedimentos.

É possível trabalhar com pessoas e organizações que têm valores substancialmente diferentes dos nossos? Para mim, esta é a grande questão do texto. Assessores, ligados a organizações ou profissionais, estão passíveis do questionamento ético durante todo o tempo. A diferença entre o jornalista de redação e o de assessoria é que o primeiro está atrelado aos valores do veículo em que trabalha (jornal, revista ou TV), já no segundo caso, mesmo que haja valores da empresa, esses são diferentes e o profissional acaba tendo de se adequar a  cada um deles. Ou seja: para a empresa, há uma ética para cada tipo de público. Uma para lidar com os funcionários, outra para lidar com o mercado, outra para tratar de interesses políticos etc. A partir daí, o assessor também modula os seus valores e convicções. Não necessariamente aqueles valores passam a ser os dele, no entanto, enquanto representante da instituição, ele precisa se “vestir” daquela forma.  

Se os valores da empresa se confrontam com o de qualquer profissional – não só de comunicação -, é importante que o funcionário saiba julgar se precisa se sujeitar e negar suas crenças, para agradar e se ajustar a eventuais desvios na conduta de uma organização.

 ”O procedimento ético deveria caracterizar todas as pessoas e organizações que querem ser respeitáveis e socialmente aceitas, independente de sua atividade”.

(Humberg)

Um pouco de assessoria

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Segue, logo abaixo, um relato da presença de três profissionais de comunicação da cidade num encontro com acadêmicos de Jornalismo do Bom Jesus/Ielusc. A produção é de Jouber Castro e Rayana Borba.

Julio Franco é formado em Jornalismo pela PUC de Porto Alegre/RS, com pós-graduação em Marketing, pela FGV. Começou na profissão trabalhando na assessoria de comunicação da Procuradoria do Estado do Rio Grande do Sul. No mesmo Estado, trabalhou também na Cohab. Em 1993, veio para Joinville, onde começou a trabalhar nas assessorias de imprensa de empresas como Consul, Embraco e Café Damasco. Teve também uma experiência na Prefeitura de Londrina antes de chegar aos dois postos que ocupa desde 1996, na Tigre e na Acij. Ainda foi correspondente do jornal Indústria & Comércio, de Curitiba, em Joinville. Acabou abandonando o posto por conta do conflito ético: tinha informações privilegiadas na Acij, que, segundo ele, não permitiam que fosse repórter de um veículo de economia. Recentemente, foi convidado pelo jornal Notícias do Dia para assinar a coluna de economia, mas declinou pelo mesmo motivo. Também tem experiência em campanha eleitoral. Destaca o movimento de “especialização” pelo qual o jornalismo está passando e ressalta que a assessoria assumiu um papel importante no ciclo da informação no momento em que a imprensa passou a se mostrar ineficiente na tarefa de cobrir todos os fatos que ocorrem na sociedade. No seu juízo, os ofícios do assessor de imprensa e do repórter de redação se aproximam porque ambos têm os mesmos critérios de seleção de informações e de conduta profissional e os mesmos objetivos. “Nossa ética termina onde começa a nossa consciência”, acredita. Em relação à formação acadêmica do assessor de imprensa, Franco acha que o jornalista tem vantagem em relação aos demais profissionais, principalmente por ter largo domínio sobre o texto, habilidade necessária no exercício da função. Na questão do press-release, Julio Franco é taxativo: “A quantidade de informações do release é determinante para o seu aproveitamento nos veículos”.

Ronaldo Correa completa em maio 29 anos e 8 meses como jornalista. Trabalhou no semanário joinvilense Extra, no jornal A Notícia, no Diário Catarinense, na Rádio Cultura, na RBS TV. Em seguida, teve as primeiras experiências em assessoria na Prefeitura de Joinville, na Tupy e no Shopping Mueller. Ainda na imprensa, foi correspondente regional da Agência Estado e fez free-lances para a Editora Abril (revista Placar) na época em que o Joinville Esporte Clube ainda estava na primeira divisão do campeonato brasileiro de futebol. Em 1987, embarcou na Matriz de Comunicação, primeira empresa de comunicação institucional de Santa Catarina, até 1992. Seguiu para a Sine Qua Non, onde permaneceu até 1996. Naquele ano, fundou a Texto Livre Serviços de Imprensa, da qual é proprietário. Pela empresa, presta serviços a organizações como a Sociedade Cultural Artística de Jaraguá do Sul (Scar), a Unerj, a Associação Empresarial de Jaraguá do Sul e o Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville. Acredita que um jornalista deve valorizar sua “experiência e vivência diária”, e que o exercício da profissão deve ser algo muito sincero, sem “se enganar”. Acredita que, em uma assessoria, o jornalista tem mais condições de conseguir uma boa remuneração, e discorda dos puristas que acusam os assessores de imprensa de tirar os empregos de jornalistas de redação. Recomenda aos novos profissionais que prefiram, antes de trabalhar numa assessoria, adquirir experiência num veículo, a fim de entender melhor o funcionamento do sistema e adquirir melhores condições de fazer um bom trabalho. Relatando casos ocorridos ao longo da carreira, destaca que um assessor de imprensa deve ser flexível e sempre deve jogar limpo com os jornalistas de redação, pois isso proporciona “uma boa relação”. Tecnicamente, um assessor deve ser, na opinião de Ronaldo, ágil e ético. “Se a informação, para mim, não é atraente, eu digo ao meu cliente que ela não emplaca no veículo”, explica Ronaldo. Para ele, a regra de ouro é “respeitar para ser respeitado”, criando as mesmas condições de acesso a informações dos clientes para todos os veículos. Na questão da formação profissional do assessor de imprensa, Ronaldo Correa crê que não há necessidade de o jornalismo ser a primeira formação do profissional. Porém, acredita, uma formação complementar na área é necessária.

Ruy Ferrari completa em 2009 20 anos de profissão. Acumula exepriência em praticamente todas as mídias: jornal, fotografia, TV, rádio e assessoria de imprensa. Há 14 anos faz parte da assessoria de imprensa da prefeitura de Joinville. Ruy destaca que o bom senso é a maior arma do assessor de imprensa na hora de enviar materiais para a imprensa. Ele acredita que a divisão do poder numa instituição prejudica trabalho do assessor, já que ele não sabe a quem se reportar e qual solicitação deve atender. Acha que um bom jornalista “pensa no conjunto” da sociedade e alerta para a sua regra de ouro: “A notícia está nos detalhes”.

 

Não perca o sev latim, esqveça o Totvs

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O perigoso vício das “capas promocionais” acaba de fazer mais uma vítima: o Valor Econômico.

Por Alberto Dines em 28/4/2009

O exclusivíssimo e compenetradíssimo diário econômico, modelo de jornalismo analítico, estrepou-se solenemente na sua edição de segunda-feira (27/4) ao repetir a insensatez de submeter a sua primeira página à criatividade irresponsável de um anunciante.

O fabricante de softwares especiais TOTVS – ou a sua agência de publicidade, dá no mesmo – pretendia chamar a atenção do mercado. Na falta de uma consistente argumentação de vendas, preferiu a brincadeirinha com o seu próprio nome. À custa do patrimônio de credibilidade de um grande jornal.

Como o nome da empresa é TOTVS, decidiram que na capa do jornal todas as palavras com a letra “u” seriam grafadas com um “v” em seu lugar. O presidente Lula saiu como Lvla, “disputa” resultou em dispvta etc. etc.

Coisa de gênio. E na página dois, um anúncio tolo explica que TOTVS em latim significa tudo, todos, e em latim não se usa o “u”.

É justamente o contrário: no latim clássico e puro (época de Cícero, século I, A.C.) não se usava o “V” e, sim, o “U”. O mesmo acontecia com o “J” substituído pelo “I”. A partir do século XVI, por força do latim eclesial, as duas consoantes integraram-se ao alfabeto romano (até então com 21 letras). As pronúncias equivaliam-se, portanto trata-se de meras variações gráficas. Em nenhum dicionário de latim ou repertório de expressões latinas encontra-se o “v” substituindo o “u”. Excepcionalmente pode usar-se o “V’ quando a palavra está em maiúsculas (“FORVM”, em minúsculas, “Forum”)

Por esnobismo (=snobismo, do latim, sine nobilitate, sem nobreza, coisa de novo-rico), os criadores da marca preferiram a grafia antiga para alçar-se acima dos concorrentes. Gosto não se discute. Nem as vocações suicidas do jornalismo impresso. Para vender uma mísera página par, em cores, numa insossa segunda-feira, se oferece como bônus uma primeira página de mentirinha.

Fonte:http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=535CIR002

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