Informação é coisa séria!

Pesquisa da Aberje radiografa comunicação corporativa

Empreendedorismo, O papel do assessor Seja o primeiro a comentar »

Mulheres são maioria nas empresas brasileiras que conduzem ações de comunicação corporativa. A área de Comunicação é a responsável pelo relacionamento das organizações com segmentos como Imprensa, Governo, Universidade, Sociedade Civil e Comunidade, enquanto o Marketing cuida de públicos como Clientes e Consumidores. Jornalistas são a categoria profissional que predomina nesse meio. São algumas constações de pesquisa da Aberje com o jornal Valor Econômico, divulgada no final do ano passado. A pesquisa ainda será objeto de comentários neste blog. Interessados, cliquem aqui.

Privacidades – crônica da Ana n´A Notícia

Crônicas Seja o primeiro a comentar »

O cenário, um ônibus urbano qualquer. A mulher, em pé, diz à filha que não tem dinheiro para pagar mais “isso”. Minutos depois, os 40 passageiros descobrem que o “isso” é um novo neto a caminho… Sabe-se que a moça, chamada Andréa, está desempregada e não é casada. A mulher passa sermão na filha, sob olhares curiosos, alguns condenatórios, alguns condescendentes, poucos indiferentes. A mulher quer desabafar – e sorri, entre constrangida e cúmplice: “Esses filhos, a gente dá a vida a eles e eles a desperdiçam em uma noite de idiotice…”

Vários outros telefones tocam. Sabe-se que a menina de seus 15 ou 16 anos ainda não recebeu a pensão alimentícia do pai e ameaça denunciá-lo. Em outro momento, um homem tenta, desanimado, vender “a melhor casa da melhor rua do bairro, por um preço camarada”. O rapaz reclama do mecânico que o deixou a pé, a senhora marca consulta médica, a jovem sussurra juras de amor ao namorado, que se chama Joelson, é motoboy e, pelo jeito, alvoroçado no trânsito, tanta foi a insistência dela para que tivesse cuidado.

Além de nos invadir onde quer que estejamos, no toalete ou na beira da praia, o celular nos desnuda. Falamos o tempo todo com várias pessoas, confessamos fraquezas, fechamos negócios, brigamos com os filhos e adulamos os netos.

A mulher admite que se sente atraída pelo colega de trabalho – mesmo sendo casada –, o homem se vangloria de suas conquistas, as crianças fornecem informações de sua vida e até o velhinho descolado conecta-se via celular com seus amigos de truco.

Em pouco tempo, todos sabem da vida de todos. O chamado “grande irmão” há muito saiu das páginas dos contos de ficção científica. Aparentemente, isso causa estranho prazer – não é por outro motivo que os reality shows têm audiências recordes. Recentemente, a polícia gaúcha instalou câmeras em praia do Rio Grande do Sul e passou a disponibilizar as imagens pela internet – o que causou uma avalanche de acessos, especialmente de jovens querendo ver o sexo oposto.

A desgastante frase “sorria, você está sendo filmado” é fichinha. Estamos virando uma massa disforme, de repetitivos comportamentos e alienados gestos. Um grupo sem alma, sem valores, sem a vida verdadeira, a pulsar em suas veias abertas.

Treinar o olhar

Jornalismo Seja o primeiro a comentar »

Jornalista deveria usar óculos. Porque, afinal, por dever de ofício, jornalista treina o olhar para enxergar longe, perceber o que pode passar batido por uma mirada sem compromisso. (Jornalista, ora bolas, não mira sem compromisso!) Novatos ou veteranos, entusiasmados ou quase aposentados, aos jornalistas cabe emprestar sua visão, sempre crítica, para captar imagens e ideias e informações de relevância, junto ao meio social, e transformar tudo isso em notícia – relato de fatos com interesse público que, por si, pode impactar no próprio ordenamento institucional. Isso, o olhar atilado, distingue o jornalista. Nunca, jamais, vai o jornalista “andar por aí” sem se defrontar com situações potencialmente noticiáveis – sem perceber que é frequentemente do cotidiano que se garimpam as “grandes notícias”. De tempos em tempos, para garantir o olhar certeiro em meio a nebulosidades corriqueiras, para evitar desvios de foco, vale uma visita ao oftalmologista…

Palavra sã – crônica da Ana n´A Notícia

Crônicas Seja o primeiro a comentar »

Eu escrevo porque o verbo me açoita até eu vomitar… Não há esse escrever sem nexo, de jogar conversa fora. Há um escrever de alma na ponta dos dedos, que isso, sim, traduz a essência – e reduz a insustentável ardência do ser.

Por isso, a palavra vã machuca tanto. Seja numa tribuna política, jurídica ou festiva, seja numa coluna de jornal, especialmente na tela da TV, a palavra proferida sem a responsabilidade do dizer é como um castelo de areia, que pode ser uma obra de arte, mas que some em segundos, engolido por uma onda qualquer.

O silêncio é, muitas vezes, muitíssimo mais gritante que os palavrões irritados, que os gritos incontidos, que a fúria arremessada sobre o outro.

O silêncio cala as dores, mas as faz rasgarem o íntimo. Talvez esse chegar-se, em extremo, ao fundo do poço, talvez esse silêncio suicida, seja exatamente o que nos faça acordar, outra vez, para a vida.

Incomoda, portanto, a vazia balbúrdia de quem não se respeita – e se lança às palavras sem a trégua da reflexão, sem qualquer noção do ser. Do fazer. Do realizar e produzir. Do somar.

Linhas e parágrafos enormes para dizer que não há inspiração, que não se sabe sobre o que escrever, que o filho ao lado brinca com a caneta ou a mulher chama para jantar…

Quero muito mais do verbo – quero a verve solta, breve, mas consistente, ácida às vezes. Quero quintanear pela vida, caetanear… Quero os dizeres sem tempo, escreveres sem espaços – e não as tais insanas mediocridades que a inspiração limita.

Escrever, em verdade, não é um hobby, um passar de tempo. É a responsabilidade dos valores, culturas, identidades e riquezas artísticas passeando ágeis, pelas pontas dos dedos – assumindo contextos, refletindo, colorindo temas e conexões de vida.

Há que se ter o que dizer, sublinha sempre Moacyr Scliar – que o escrever é catártica viagem ao centro de nós mesmos. No caminho de volta, o registro desse momento é a garantia de que o que enriquece, mesmo, é essa doce partilha.

Mercado de Comunicação

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