A partir desta sexta-feira, 21/11, Joinville recebe, pela primeira vez, alguns dos mais prestigiados profissionais de cardiologia e cardiologia intervencionista, para dividir experiências e aprofundar conhecimentos sobre o tratamento minimamente invasivo das obstruções coronárias - o que os especialistas chamam de intervenção coronária percutânea. O presidente da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, Luiz Alberto Piva Mattos, é um dos convidados do evento, que reúne também Marinella Centemero e José Ribamar Costa, todos eles profissionais do Instituto Dante Pazzanese, de São Paulo, além de Gilberto Nunes, vice-presidente da Sociedade de Cadiologia do Rio Grande do Sul, e Afonso Shiozaki, da Unidade de Coronariopatias Agudas do Incor-SP e médico dos serviços de Tomografia e Ressonância Cardiovascular do Hospital Sírio-Libanês, da capital paulista.
“A idéia é proporcionar aos profissionais de Santa Catarina uma maior interação técnico-científica com esses colegas, vindos de instituições de maior prestígio na cardiologia brasileira e que estão na vanguarda da pesquisa científica nesta área no mundo”, diz o coordenador científico e organizador do simpósio, Dimitri Mikaelis Zappi, cardiologista intervencionista. O evento é realizado em conjunto com o Centro de Estudos, Pesquisa, Extensão e Desenvolvimento, Ceped, do Hospital Dona Helena, e acontece no Hotel Bourbon. Mais informações pelo telefone (47) 3451-3344 ou no site do Hospital Dona Helena www.donahelena.com.br.
Nesta entrevista, o coordenador fala sobre o evento e sobre a necessidade de atenção aos problemas de origem cardiológica.
Qual a importância deste evento para a comunidade médico-científica catarinense e para o cidadão, em especial o que já é cardiopata?
A importância do evento reside no fato de gerar a possibilidade de atualização e interação para troca de experiências entre os cardiologistas de toda a região e alguns dos mais renomados especialistas das maiores e melhores instituições de ensino e assitência cardiovascular do país, como os institutos Dante Pazzanese e do Coração, hospitais do Coração e Sírio Libanês, de São Paulo, sem haver a necessidade de deslocamento dos profissionais até centros maiores, o que na verdade em última análise irá beneficiar a comunidade.
O sr. tem idéia do tamanho do problema de coronariopatias no Brasil? Somos, em termos culturais e de saúde pública, mais suscetíveis a esse tipo de doença?
As doenças cardiovasculares, em especial aquelas causadas pelas obstruções coronárias, que são as artérias que irrigam o coração, lideram de maneira geral o ranking como maior causa de mortalidade da população no Brasil. Na verdade, isso não é um privilégio do Brasil ou de determinada região do país. O cenário se repete em todo o mundo.
Que temas o senhor destacaria na programação do simpósio?
Serão abordados temas extremamente atuais relacionados ao diagnóstico e tratamento das obstruções através de técnicas minimamente invasivas, como a realização do cateterismo e angioplastia através do punho, o uso dos stents (que são próteses utilizadas para a desobstrução dos vasos) mais modernos, os chamados stents “farmacológicos” e a possibilidade de fazer o diagnóstico da obstruções através do uso da tomografia, tecnologia disponivel neste momento em pouquísisimas cidades do país, dentre elas Joinville.
Quais as principais novidades no tratamento intervencionista de doenças cardiovasculares?
A principal novidade é que com a evolução tecnológica e maior habilidade dos médicos cardiologistas intervencionistas. Tem sido possível tratar a maioria dos pacientes com obstruções coronárias e que não conseguem controle adequado com o uso apenas de medicamentos através da utilização de catéteres e stents. E o melhor, com cada vez menor incidência de complicações, tendo esta técnica suplantado a cirurgia cardíaca com pontes de safena/mamária como a modalidade mais comumente usada para este tipo de tratamento há alguns anos.
A tecnologia brasileira está avançando na medida da expectativa dos cardiologistas - ou ainda estamos muito atrás dos avanços no chamado “Primeiro Mundo”?
Na verdade, nesta área em especial, o Brasil sempre esteve na vanguarda, com o trabalho do dr. José Eduardo de Souza, do Instituto Dante Pazzanese e Hospital do Coração em São Paulo. As pesquisas originais e o primeiro implante de stent em um paciente foram implantados por ele em 1987, bem como também o primeiro implante do stent “farmacológico” em 1999, ajudando na disseminação dessas técnicas pelo mundo afora.
Esses tratamentos mais sofisticados poderão, algum dia, beneficiar parcela importante da população?
Na verdade, já beneficiam, pois muitos dos pacientes que tinham como única alternativa para seu tratamento a cirurgia de ponte de safena atualmente podem ser tratados com uma angioplastia, procedimento minimamente invasivo, com alta hospitalar, na grande maioria das vezes, em dois dias, sem o risco de anestesia geral e mínimo risco de infecção e que propicia um retorno as suas atividades habituais muito mais precocemente, sem falar do aspecto psico-emocional de uma grande cirurgia como a cirurgia de ponte de safena.
Todos sabem - embora muitos não dêem a devida atenção - como deve ser a vida para evitar doenças cardíacas. Há muito mais a fazer em relação a isso, no quesito informação-educação?
Acredito que o principal está numa palavra que atualmente, com o ritmo de vida que levamos, tem sido cada vez mais difícil de atingir: equilíbrio, isto é, tentar manter uma alimentação equilibrada com baixos níveis de gordura especialmente de gordura animal, algum grau de exercício físico associado a equilíbrio emocional, além de controlar os tão repetidos fatores de risco clássicos evitando hábito de fumar, controlando a pressão arterial e o diabetes, além de ser avaliado frequentemente pelo seu cardiologista.
Assessoria de Imprensa do Hospital Dona Helena. Mercado de Comunicação. Ana Ribas Diefenthaeler. Tel (47) 3025-5999