[Crônica da Ana publicada hoje no jornal A Notícia]
Esse negócio de ser mulher não é nada fácil. Tá bom, somos mais complicadas, é verdade. Em vez de esconder as mágoas e os questionamentos existenciais debaixo do tapete – ou suá-las todas numa partida de futebol, após o expediente -, ‘preferimos aterrorizar nossos maridos com o clássico “discutir a relação”…
Lance meio doido… Porque, se somos um pouco mais complicadas, é porque temos também o dom da eterna busca por viver com plenitude. Em vez de bater uma bolinha, tomar cerveja e falar de beldades, especialmente as que estão fora do alcance de nossos adoráveis varões, a turma feminina se reúne, sim, mas para papos bem mais edificantes – não raro, verdadeiras catarses de gênero…
Cabe ao homem manter acesa sua virilidade e à mulher vasculhar a própria essência… Tema longo, para esses pouco mais de 1.500 caracteres, mas há que se arriscar e deixar de lado, por momentos, a questão da violência doméstica, das diferenças salariais e da discriminação.
Há muito mais que isso em ser mulher. Que o digam as mutiladas de países africanos, as viúvas do Afeganistão, as mães sempre morrendo em morros paulistas e cariocas. Ou no Paraíso.
Mesmo sem conhecimento formal, escola ou informação básica, a essência feminina se reinventa e se projeta todos os dias, em todas as situações.
Porque no shopping ou na favela, o legal de ser mulher é a muito provável herança de nossa natureza procriadora: é, definitivamente, a consciência de que não estamos aqui a passeio.
Temos que deixar nossa marca, nossas pegadas, nossa luta – ou, quem sabe, inocular o “vírus da vida real” em nossos rebentos, para que essa busca pela plenitude e pelos valores éticos que nos mobiliza seja, um dia, saudável disputa interior de todos os sexos… E sensos.