Lixo na zona urbana é problema socialBuenos Aires, já se comentou aqui, é um es-pe-tá-cu-lo de cidade, e não é à toa que se transformou em destino preferido dos brasileiros neste inverno. Os preços camaradas, a cotação favorável aos portadores de reais, os passeios fantásticos, os parques agradabilíssimos, a história revisitada, tudo isso torna a capital portenha uma viagem obrigatória, que pode ser feita em família sem furar o bolso de ninguém.

Uma das poucas ressalvas está na dificuldade visível que a cidade tem em lidar com a alta produção de lixo no coração do centro, que assusta os turistas (muitos) nos (de resto agradáveis) passeios a pé, depois do teatro ou de uma bela parrillada. Ruas como a antológica Corrientes e a Lavalle, próximas da Nueve de Julio e do conhecido Obelisco, são tomadas, à noite, por pilhas enormes de sacolões forrados de detritos que misturam lixo orgânico com materiais reaproveitáveis – e, a certa altura, atraem (diariamente) enxames de sacoleiros que, sem o menor constrangimento, à vista de todos, vão abrindo os sacos para retirar garrafas plásticas e papelões, deixando sobras de comida e outros restos esparramados pelas calçadas.

Os argentinos se surpreendem quando ficam sabendo o quanto o Brasil já avançou no terreno da reciclagem e admitem a dificuldade em lidar com o problema social que os sacoleiros representam (lá), crescente desde a intensificação da crise econômica no país, há coisa de dez anos. Bastaria investir na educação na origem – incentivando os donos de restaurantes e outros estabelecimentos a já separar recicláveis, o que reduziria o estrago causado pelo trabalho dos sacoleiros todas as noites.

A foto acima foi colhida agora em julho, na Corrientes, bem próximo dos incríveis teatros que há por lá. A cena se repete ao menos duas vezes a cada quarteirão…