por Paulo Vodianitskaia
Assessor de Meio Ambiente e Sustentabilidade
Whirlpool S.A. Unidade Eletrodomésticos
Hoje a Humanidade defronta-se com a esfinge da sustentabilidade, a mais ameaçadora de sua história. De fato, trata-se de buscar nada menos que a sobrevivência da espécie em um sistema ecológico e social em desequilíbrio causado por nossas próprias ações, desde o início da Revolução Industrial. São exemplos de desequilíbrio o profundo contraste entre ricos e pobres, a continuada e suicida destruição da Mata Atlântica e da floresta amazônica, a poluição criminosa de terras e mares, a degradação da camada de ozônio, as mudanças do sistema climático global…
De fato, graças aos estudos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, sabemos hoje que, se até 2015 não houver uma inflexão em nossas emissões de gases que produzem o efeito estufa, o desequilíbrio climático será permanente, o que nos conduzirá a um quadro trágico sob todos os aspectos.
É portanto vital reverter esse desequilíbrio rapidamente. Foi para mim notável a percepção da complexidade de se decifrar essa esfinge em Johanesburgo em 2002, dez anos após a histórica reunião para o meio ambiente e o desenvolvimento no Rio de Janeiro. Na chamada Rio+10, testemunhei estarrecido uma verdadeira cacofonia global, que retratava de forma flagrante a falta de entendimento comum sobre a questão da sustentabilidade, o que seria obviamente fundamental para qualquer tentativa sincera para sua solução. Isto motivou-me a buscar essa base de entendimento compreensível e concisa, o que por sorte encontrei dois anos depois, quando o fundador da ONG The Natural Step (TNS), o oncologista sueco Karl-Henrik Robèrt, veio ao Brasil para uma série de palestras.
Isto motivou-me a reunir uma equipe de trabalho para aplicar esses conceitos na empresa em que atuo, e a partir dessa reflexão sabemos claramente as condições para atingirmos uma Visão de Futuro sustentável. Com a base conceitual do TNS o problema é percebido de forma concreta e estruturada, o que abre caminho para soluções criativas.
O mesmo exercício pode e deve ser feito por outras empresas, governos e também individualmente, para que a sociedade humana possa engajar-se em um processo sustentável de desenvolvimento, e nossa espécie tenha assim uma chance de sobreviver. O que é, afinal, necessário e suficiente para o sucesso do desenvolvimento sustentável?
De acordo com o TNS, em uma sociedade sustentável, a natureza não é submetida ao aumento sistemático de:
- concentrações de substâncias extraídas da crosta terrestre, como o petróleo, por exemplo;
- concentrações de substâncias produzidas pela sociedade, como pesticidas e outros produtos químicos persistentes, que se acumulam no ecossistema;
- degradação por meios físicos, como desmatamento, alagamentos, e sobreuso das reservas de água.
Além dessas condições ecológicas, na sociedade sustentável pessoas não são submetidas a condições que as privem de satisfazer suas próprias necessidades.
Neste 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, além de procurar abandonar alguns dos hábitos que levam a emissões descontroladas de CO2, como recomenda o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), agora você pode comemorar refletindo até que ponto as suas decisões cotidianas, em sua vida pessoal, em sua empresa, e as políticas vigentes em seu município, ferem as quatro condições de sustentabilidade.
Leve as condições de sustentabilidade acima junto com você. Perceba como elas se aplicam à sua vida cotidiana. Para começar, investigue qual o seu próprio critério de necessidades humanas. De que verdadeiramente necessitamos? Considere em sua busca as verdadeiramente fundamentais, tais como as propostas por Manfred Max Neef: subsistência, proteção, afeto, entendimento, participação, recreação, criação, identidade, liberdade.
Em seguida, ofereça a sua contribuição pessoal para o caminho da restauração do mundo, e participe de um novo Renascimento que, a exemplo do movimento cultural que encerrou a Idade Média, terá como base o conhecimento resultante de uma visão clara e multidisciplinar, mas desta vez por parte de uma coletividade muito mais ampla e inclusiva, para inovarmos em escala e velocidade compatíveis com o grande desafio.