César Döhler, economista, cesar@dohler.com.br

Nana neném que a cuca vem pegar, papai foi pra roça, mamãe foi trabalhar. Quantas vezes participamos de reuniões e eventos nos quais a comunicação não faz o menor sentido, como o início deste texto, e as pessoas não sintonizam com o que está acontecendo? Na pauta diária de cada profissional, de cada cidadão, deve constar o tema comunicação como prioridade absoluta. Mas será que as empresas catarinenses e brazucas estão se comunicando bem? Os especialistas na matéria enfatizam sempre que uma informação só tem valor quando é comunicada. Todos os dias somos bombardeados com novidades veiculadas nos jornais, na internet, nas revistas, nos livros, nas rodas de conversa. A comunicação pode abrir portas que teimam em permanecer fechadas. Quando se abrem, podemos perceber o número de oportunidades perdidas devido à falta de diálogo.

A comunicação precisa chamar atenção, despertar interesse, criar desejo que vai levar à ação. Os reflexos são conscientização, conhecimento, fidelização, mensagem clara, satisfação e interação. Nas corporações, esse processo é ruim. O desafio é melhorá-lo a cada dia. Não nos comunicamos, não sabemos ouvir. Aprendemos a responder e não tomamos a iniciativa de perguntar. Vivemos em uma época governada pelas imagens. Não há mais tempo para se comunicar. Tocar na alma do outro é difícil. A falta de comunicação é o grande problema das empresas modernas. Diz o consultor Francisco Viana que as empresas são, em si, veículos de comunicação - que, além de seus produtos, geram releases, newsletters, revistas, publicações institucionais, que constituem um conjunto de ferramentas vitais para aumentar a produtividade. A comunicação deficiente gera problemas e conseqüências financeiras, enquanto a que é feita de maneira adequada produz soluções e estimula o relacionamento entre as pessoas.

Comunicar pode fazer a grande diferença nos negócios e na vida dos cidadãos do século 21. A tecnologia também pode ser usada para facilitar a comunicação. Celular 3G, internet, vídeo e teleconferência, além de outros tantos recursos que estabelecem a interligação entre a tecnologia e as pessoas em um mundo on-line, estão à disposição e precisam ser orquestrados. Mas não se pode esquecer da velha conversa face-a-face, que supera a resistência à mudança, melhor do que qualquer artefato eletrônico. Esquecemos de avaliar e corrigir os rumos da comunicação por causa do estresse corporativo. Aliar a comunicação à gestão pode gerar maior rentabilidade, qualidade de vida e melhor ambiente organizacional. Empatia, feedback, humildade, transparência, paciência, sabedoria são ingredientes fundamentais para uma boa comunicação. Ouvir a verdade muitas vezes dói, mas é necessário. Palavras são como flechas. Quando ditas, não voltam jamais. Construir um país melhor passa por uma boa comunicação - dentro da empresa ou em qualquer segmento social no qual o cidadão possa atuar.