Jean Carl Silva, ginecologista, coordenador do Departamento de Saúde da Mulher do Hospital Dona Helena, de Joinville, dr.jean@clinicavitae.com.br

“O que há de ruim em ter filhos, ninguém precisa dizer, você pode ver; o que há de bom, não adianta dizer, você precisa sentir.” A decisão de ter filhos é mais difícil se usarmos a razão, e mais fácil se usarmos a emoção. Porém, é necessário harmonizar razão e emoção para que a decisão seja tomada de maneira adequada. Ao contrário do que muitos pensam, planejamento não é apenas quanto à data em que seu filho irá nascer. Necessitamos de planejamento físico, emocional, financeiro, entre outros aspectos. Os preparativos se iniciam ao menos três meses antes da gravidez.

São necessárias mudanças nos hábitos de vida, mas a atividade física deve ser compatível com o período, evitando práticas extenuantes, mantendo a freqüência regular e os cuidados com a hidratação. O ideal é que um programa que possa ser seguido durante o pré-natal. O fumo deve ser abolido. E vale lembrar que o fumante passivo, isto é, companheira de fumante, apresenta os mesmos riscos de um fumante. Existe relação direta entre fumo e prematuridade, baixo peso ao nascer e riscos de morte do bebê. Filho de mãe fumante, além de desenvolver uma crise de abstinência do cigarro, sendo mais chorão, pode ter a inteligência diminuída.

O álcool diminui a fertilidade do casal, aumenta a incidência de abortamento e, portanto, sua ingestão deve ser abolida ou diminuída sensivelmente. A dieta pode interferir na fertilidade e no resultado da gravidez. Dieta deficiente em nutrientes pode resultar em queda na fertilidade, aumento da incidência de abortamentos, partos prematuros, entre outras complicações.

Aproveite para corrigir seu peso - tanto o excesso quanto a falta interferem na gestação. A obesidade aumenta os riscos de diabete e hipertensão, a incidência de cesariana e de complicações anestésicas. São tantas emoções, alegria, tristeza, preocupação e depressão que podem aparecer durante o pré-natal que uma boa estrutura psicológica e um relacionamento conjugal estável são fundamentais para enfrentar essa onda, ou tempestade, de emoções.

A idade ideal para a gravidez depende do equilíbrio de todos esses fatores. Algumas vezes, a mulher só consegue estar pronta em todos os aspectos após determinada idade. Aos 35 anos, uma mulher saudável e preparada tem os mesmos resultados que uma mulher mais jovem, porém aos 40 a sua fertilidade diminui, a incidência de abortamento aumenta, sem falar de outras complicações como riscos de hipertensão, diabete e Síndrome de Down.

Vale reforçar que o marido, parceiro do início ao fim, deve acompanhar a esposa na consulta médica, nos exames e no parto. Sua participação não termina com o nascimento - efetivamente começa com o parto, trocando fraldas, dando banho etc. O marido deve estar preparado para participar.

Doenças associadas devem ser pesquisadas e tratadas adequadamente antes da gestação. Medicamentos utilizados antes da gravidez, que possam interferir no desenvolvimento fetal, devem ser substituídos.

“Estou pronta?” A dúvida permanece e geralmente só é substituída no pós-parto por outra indagação: “Por que demorei tanto?”.