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 21jul 

“Acessibilidade e design universal, simples e amigável”

 

Arquiteto aborda tendências da comunicação visual em empreendimentos residenciais e    
mudanças trazidas pela pandemia nos projetos

“Acreditamos na força da arquitetura e do design como ferramenta de conexão entre marcas e pessoas”, pontua o arquiteto Mauricio Schavinski, que integra a equipe de sinalética da Maena, escritório gaúcho de arquitetura com 12 anos de história e presença sólida no mercado imobiliário. A Maena é parceira do Grupo Plaenge (marcas Plaenge e Vanguard) na concepção da sinalética para empreendimentos residenciais. Nesta entrevista, Schavinski reforça a importância desses elementos como parte de projetos, para além do convencional, e defende que o trabalho tenha um viés mais atemporal, “que não seja cansativo ou percebido como uma linguagem mais datada”. “Também acreditamos muito em temas como acessibilidade e design universal, que exploram um design simples e amigável ao maior número de pessoas.” A função essencial da sinalética, segundo ele, é identificar, orientar e informar, permitindo que as pessoas consigam se deslocar com segurança e autonomia pelo empreendimento. O arquiteto discorre ainda sobre mudanças no perfil dos projetos em função da pandemia, com a maior permanência das pessoas em suas residências.

 

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O que é tendência, hoje, em comunicação visual para empreendimentos residenciais? 

Tendências como o uso de determinadas cores, materiais e expressões gráficas de maneira mais ampla sempre existiram. O que buscamos é identificar as tendências mais permanentes, comportamentos em uma escala macro que devem permanecer e evoluir nos projetos futuros. Acreditamos muito em temas como acessibilidade e design universal, que exploram um design simples e amigável ao maior número de pessoas, tentando contemplar suas diferentes necessidades. Um design que seja flexível em suas aplicações e que, eventualmente, possa ser adaptado conforme as demandas do público e da sociedade de forma geral. Para empreendimentos residenciais, é importante ter em mente que o morador viverá na edificação por anos, percorrendo diariamente seus espaços. Então, é interessante que a proposta de sinalética tenha um caráter mais atemporal, que não seja “cansativa” ou percebida como uma linguagem muito datada. A passagem do tempo também pode implicar mudanças nas condições dos usuários, e o projeto de sinalética deve prever o funcionamento do conjunto de peças de modo a atender tais exigências.

 

E qual o papel da comunicação visual no contexto de um projeto residencial?

A função essencial é de identificar, orientar e informar, permitindo que as pessoas consigam se deslocar com segurança e autonomia pelo empreendimento. O morador, visitante ou prestador de serviço deve conseguir se mover pelos ambientes e, do seu ponto de partida, chegar ao destino que deseja, mesmo que nunca tenha frequentado o espaço anteriormente. Para além da funcionalidade, pode-se pensar na sinalética como uma camada adicional da experiência do usuário no espaço e uma oportunidade de expressar a marca. Por meio de materiais, cores, iluminação, ícones, grafismos, podemos reforçar os atributos do empreendimento – elegância e sofisticação, por exemplo – e os valores da marca, como a atenção aos detalhes, a preocupação com o bem-estar dos clientes e a busca por uma experiência diferenciada.

 

É o caso de se fazerem ajustes na sinalética de um empreendimento residencial após um determinado tempo de implementação? Qual a “vida útil” de um projeto nesta linha?

Um bom projeto de sinalética pode durar décadas, desde que tenha sido bem concebido (conceito, funcionalidade, linguagem) e que as peças tenham sido bem executadas e com os materiais adequados ao ambiente de instalação. Materiais como metal, acrílico e PVC têm uma vida útil bastante grande, que pode variar conforme a exposição às intempéries. Contudo, nem sempre é possível prever todos os cenários na hora do desenvolvimento do projeto. Na pandemia, muitas pessoas ficaram confinadas nas suas casas e novas demandas foram surgindo. Com a restrição de grandes eventos de confraternização, alguns salões de festa foram convertidos em coworkings – para que os moradores pudessem trabalhar sem se deslocar – ou até mesmo em brinquedotecas para as crianças se divertirem quando não podiam sair às ruas. Nessa conjuntura, a sinalética atuaria na ambientação desses locais para receberem os novos usos e comunicando eventuais regramentos (horários de uso, ocupação máxima etc).

Em que áreas do empreendimento a sinalética passou a se tornar mais relevante?

Hoje, temos a possibilidade de trabalhar em áreas que, até há pouco tempo, não recebiam tanta atenção, como estacionamentos, núcleos de escada, bicicletários e depósitos. O estacionamento é a entrada pela qual muitos dos moradores acessam diariamente seus lares (foi, inclusive, a “porta de entrada” da Maena para a parceria com a Plaenge). Por isso, a busca pela qualificação desses espaços tem sido cada vez mais recorrente, com aplicação de materiais e acabamentos diferenciados, peças de sinalização e pinturas. Nesses espaços, a comunicação visual pode ambientar, setorizar e orientar, usando cores para diferenciar pavimentos de estacionamento ou os halls de elevadores de cada uma das torres, por exemplo.

 

Você percebe que novos projetos têm prestado mais atenção a este ponto, com uma sinalização interna nos edifícios que, também, traduza o “tom” desejado para o empreendimento? 

Em empreendimentos residenciais mais simples, usualmente eram sinalizados o nome e o número da edificação, os números de cada um dos apartamentos e, eventualmente, alguns espaços comuns, como salão de festas, lavabos ou áreas técnicas. Muitas vezes, essa sinalização era realizada com peças padrão vendidas no mercado. Conforme cresce a complexidade dos projetos, em consequência também dos espaços demandados pelos futuros moradores, cresce a importância do projeto de sinalética. Produtos de alto padrão têm buscado oferecer uma infraestrutura completa de lazer e conveniência aos seus moradores: espaços para eventos, práticas de atividades físicas, descanso, convivência com pets, além de todas as áreas administrativas e técnicas para os funcionários e equipamentos que dão o suporte. Nesse contexto, a sinalética tem sido percebida como agregadora de valor ao imóvel, do ponto de vista de usabilidade e de mercado. Além da função essencial da sinalética, um projeto personalizado, com estratégia e peças pensadas exclusivamente para o empreendimento, reforça a sensação de que cada detalhe foi idealizado, planejado e executado para aquele local e para aquelas pessoas. E que o projeto é parte indissociável do todo, que é um empreendimento de alto nível.

Como tem sido sua parceria com o Grupo Plaenge? Nos projetos mais recentes, algum aspecto que deseje ressaltar?

Trabalhar com o Grupo Plaenge é motivador. A palavra parceria define bem. O perfil dos profissionais, que aliam conhecimento técnico com disposição e gentileza, torna a relação de trabalho muito fluida. Temos liberdade criativa, dentro dos direcionamentos e do briefing que recebemos de cada empreendimento, para interpretar o projeto e propor soluções diferentes. Nosso trabalho e nossas opiniões são valorizados e respeitados. O trabalho da Maena é identificar lugares, ambientar espaços e direcionar fluxos dos usuários. Por meio da análise do projeto arquitetônico, visualizamos os principais acessos, destinos e rotas das pessoas e veículos dentro do empreendimento. Posicionamos a comunicação de maneira a auxiliar esses deslocamentos, desde a chegada na edificação (identificação de acessos de moradores e visitantes, entradas de veículos, diferenciação de halls e elevadores) e ao longo do caminho até o local buscado. Nos estacionamentos, o objetivo é direcionar os moradores até a sua vaga e, posteriormente, até o elevador mais adequado. Para além dessa função, buscamos ambientar essa área para que ela seja vista como parte integrante do empreendimento, trazendo cores, grafismos e o conceito do produto.

 

Como tem início um projeto de sinalética? Em que tipo de briefing se baseiam no caso de um empreendimento residencial?

Antes de conceber o projeto de sinalética, fazemos uma reunião com a equipe da construtora, na qual são alinhados o escopo do projeto e as expectativas. A Plaenge apresenta o empreendimento (conceito, público, localização, diferenciais) e o material de campanha – se já houver. A partir desse briefing, a equipe da Maena realiza uma etapa de pesquisa sobre o local, o público, os conceitos e valores que o empreendimento almeja transmitir. Fazemos a análise do projeto, observando a arquitetura (volumetria, fachadas, relação com a calçada), os interiores (espacialidade dos ambientes, materialidade, mobiliário) e o paisagismo sugerido. Com base nesse estudo, iniciamos a busca por um ponto de partida conceitual que auxilie na criação de toda a comunicação visual e que possa ser representado de forma gráfica. A inspiração pode ser um detalhe da fachada da edificação, a marca criada, o nome, algum elemento representativo do local onde o empreendimento está inserido, a vegetação presente. Experimentamos e avaliamos alguns desses caminhos e, a partir daí, desenvolvemos e apresentamos uma proposta de sinalética única para o produto.

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